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Câncer pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Sabemos que diabetes mellitus (DM) é um fator de risco para alguns tipos de câncer (CA) e, por ser um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular, é importante causa de mortalidade em pacientes que sobreviveram a uma doença neoplásica. A pergunta tema dessa coluna é: será que doença neoplásica pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de DM?

Estudo publicado recentemente no JAMA acompanhou uma coorte com 494.189 sul-coreanos de 20 a 70 anos sem diagnóstico de CA nem DM por até 10 anos, coletando dados de seguro de saúde sobre a incidência de novos casos de CA e DM, além de outros fatores de risco para ambos (ex.: obesidade, tabagismo, etc). Os pacientes só saiam do estudo se desenvolvessem DM, morresse ou se acabasse o follow-up máximo de 10 anos.

Desfecho primário: diagnóstico de DM. Em pacientes que tiveram diagnóstico de CA, o diagnóstico de DM só seria levado em consideração se fosse 31 dias após o diagnóstico de CA, para evitar que entrasse na estatística pacientes que já apresentavam provavelmente DM no momento do diagnóstico de CA.

Foram calculados os hazard ratios (HR) para os diferentes tipos de CA e ajustados por fatores de risco tradicionais para desenvolver DM.

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Diabetes e câncer

Os resultados foram:

  • Follow-up mediano: 7 anos;
  • 15.130 pacientes tiveram CA -> normalmente os mais idosos, mulheres, etilistas, maior IMC, etc;
  • 26.610 pacientes tiveram DM -> Desses: 834 casos após ter tido CA (taxa de incidência 17.4 por 1000 pessoa-anos) X 25.776 casos sem CA prévio (taxa de incidência, 7.5 por 1000 pessoa-anos);
  • O HR para DM pós-CA ajustado por sexo e idade: 1.36 (95% IC, 1.27-1.46). Mesmo após o ajuste para os fatores de risco tradicionais para DM, o HR se manteve em 1,35 (95% IC, 1.26-1.45). O risco foi maior nos primeiros dois anos após o diagnóstico de CA, mas se manteve durante todo o seguimento;
  • Subtipos do CA: CA Pâncreas  HR ajustado 5.15; 95% IC, 3.32-7.99;
    • CA Rim  HR ajustado 2.06; 95% IC, 1.34-3.16;
    • CA Fígado  HR ajustado 1.95; 95% CI, 1.50-2.54;

OBS: câncer de vesícula, pulmão, hematológico, mama, estômago e tireoide também estiveram relacionados a um risco maior de DM.

Discussão

Nessa coorte com quase meio milhão de pacientes de várias regiões da Coréia ficou estabelecida uma relação entre neoplasia e o diagnóstico subsequente de DM, principalmente para novo subtipos já mencionados. Estima-se que isso ocorra por vários motivos: uso de corticosteroides, quimioterápicos, citocinas inflamatórias, caquexia (e sua relação com resistência insulínica), etc. Os pesquisadores excluíram os casos de DM com menos de 31 dias do diagnóstico do CA para evitar o viés de “vigilância”, uma vez que a tendência é que o paciente frequente mais unidades de saúde e passe por exames após a descoberta da neoplasia.

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Autor:

Cristiano Carvalho de Oliveira

Formado em Medicina pela UFRJ em 2009/2 ⦁ Residência de Clínica Médica no HUCFF (UFRJ 2010 -2012) ⦁ Residência de Cardiologia no HUCFF (UFRJ 2012 – 2014) ⦁ Trabalho na Emergência do H. Pró-cardíaco ⦁ Ergometrista na CardioClin.

Referências:

  • Yul Hwangbo, MD et al; Incidence of Diabetes After Cancer Development. A Korean National Cohort Study; JAMA Oncol. doi:10.1001/jamaoncol.2018.1684

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