Nefrologia

Carne vermelha e risco de diverticulite: devemos nos preocupar?

Apesar da diverticulite ser uma condição comum, pouco se sabe sobre sua epidemiologia e etiopatogenia. Agora, pesquisadores encontraram novas pistas indicando que o consumo elevado de carne vermelha pode estar associado a um risco aumentado da doença em homens.

Além da fibra dietética, o papel de outros alimentos na prevenção/causa da diverticulite não foi muito explorado. Para entender mais sobre isso, pesquisadores examinaram prospectivamente a associação entre o consumo de carne (carne vermelha total, carne vermelha não processada, carne vermelha processada, aves e peixe) e o risco de diverticulite entre 46.461 homens, entre 1986 e 2012.

Durante o tempo de acompanhamento, 764 casos de diverticulite foram documentados. Comparados com os homens do quintil mais baixo (Q1 – 1,2 porções/semana) do consumo total de carne vermelha, os homens do quintil mais alto (Q5 – 13,5 porções/semana) apresentaram RR multivariável de 1,58 ([IC] = 95% 1,19 a 2,11; p para tendência = 0,01).

Veja também: ‘Diverticulite Aguda: Highlights do Guideline americano’

O aumento do risco foi não-linear, estabilizando após 6 porções por semana. A associação foi mais forte para a carne vermelha não processada ([RR] para Q5 vs Q1: 1,51; [IC] = 95%: 1,12 a 2,03; p para tendência = 0,03) do que para as processadas ([RR] para Q5 vs Q1: 1,03; [IC] = 95%: 0,78 a 1,35 ; p para tendência = 0,26).

Consumo de aves e peixes não foi associado ao risco de diverticulite. Já a substituição de aves ou peixes por uma porção de carne vermelha não processada por dia foi associada a uma diminuição do risco de diverticulite ([RR] multivariável: 0,80; [IC] = 95%, 0,63 a 0,99).

E mais: ‘Carne vermelha ligada a risco de Insuficiência Renal’

Para os pesquisadores, esses achados fornecem aos médicos base para uma orientação dietética prática para pacientes em risco da doença.

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Referências:

  • Meat intake and risk of diverticulitis among men. Cao Y Strate L Keeley B Tam I Wu K et. al. Gut, 2017 pp: gutjnl-2016-313082. DOI: 10.1136/gutjnl-2016-313082
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Publicado por
Vanessa Thees

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