Carta aberta alerta para o risco de infecção por Covid-19 nas escolas e suas consequências pediátricas na Inglaterra

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Em 3 de setembro, o blog The BMJ Opinion publicou uma carta aberta assinada por pesquisadores, pais e educadores e direcionada ao secretário de Educação da Inglaterra, com o objetivo de alertar que a “falta de medidas robustas de mitigação nas escolas coloca as crianças em maior risco de infecção por Covid-19 e suas consequências”, exprimindo a preocupação com a reabertura das escolas inglesas em setembro/2021. 

A correspondência salienta que, segundo o próprio secretário e em consoante com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os autores admitem a importância de as escolas permanecerem abertas durante o outono e em longo prazo. No entanto, a mensagem ressalta que os estabelecimentos de ensino devem se tornar seguros com a adoção de medidas para minimizar a transmissão do vírus SARS-CoV-2.

Saiba mais: Variante delta aumentou as internações pediátricas por Covid-19 em número, mas não em gravidade

risco de infecção por Covid-19

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A carta aberta sobre o risco de infecção por Covid-19

Segundo a carta, nos últimos dois meses, houve mais de 2.300 hospitalizações de pacientes menores de 18 anos na Inglaterra e estima-se que 34.000 crianças estejam com complicações da Covid-19 há muito tempo no Reino Unido, com 22.000 relatando impactos significativos em suas atividades cotidianas, 7.000 das quais apresentam sintomas por mais de um ano, conforme dados do Office for National Statistics. Além disso, supõe-se que até um em cada sete infectados apresentam sintomas persistentes em 12 a 15 semanas e que a Covid-19 possa estar associada a doenças multissistêmicas em algumas crianças, incluindo sintomas cognitivos persistentes. Ademais, os autores frisam que as crianças agora estão voltando à escola em um contexto de níveis de infecção na comunidade 26 vezes mais altos do que no mesmo período do ano passado, e com a variante Delta, muito mais transmissível, sendo responsável por quase todas as infecções.

Na carta, são sugeridas ao governo, pelos autores, um plano de nove pontos para proteção das crianças e diminuir o risco de infecção por Covid-19:

  • Oferecer vacinas a todos os adolescentes de 12 a 15 anos, com distribuição nas escolas para maximizar o acesso e a administração;
  • Uso de máscaras para alunos e funcionários do ensino médio nas salas de aula e áreas comuns, sendo a distribuição feita pela secretaria de Educação, já que a transmissão ainda é alta; 
  • Investimento urgente em ventilação predial e suplementar em escolas, fornecendo dispositivos de filtragem de ar conforme necessário, com monitoramento de CO2 em espaços internos para garantir que as metas sejam cumpridas;
  • Reinstalação de bolhas de isolamento, desta vez com tamanhos máximos apropriados para minimizar a interrupção educacional, enquanto contém a transmissão de maneira adequada;
  • Restabelecimento do rastreamento de contato pelas escolas com uma política estrita de isolamento obrigatório e teste PCR em todos os contatos de casos (em bolhas ou residências) para evitar a propagação;
  • Melhora do suporte financeiro e prático para o autoisolamento, para melhorar a aceitação de testes rápidos nas escolas;
  • Fornecimento de opções de aprendizagem remota e suporte, incluindo wi-fi, tablets e/ou laptops para crianças clinicamente vulneráveis, que vivem em famílias com membros clinicamente vulneráveis ​​e aquelas que precisam se isolar;
  • Remoção das políticas de frequência obrigatória, processos judiciais e multas para os pais, para que um pai possa fazer a escolha da modalidade de aprendizagem de seus filhos;
  • Fornecimento de apoio de saúde mental em escolas para alunos e funcionários.

Volta às aulas no Brasil

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) se posicionou, em janeiro de 2021, com relação às recomendações de volta às aulas.

Leia mais: Sociedade Brasileira de Pediatria: quais recomendações sobre volta às aulas presenciais?

Passados alguns meses, em decorrência da circulação da variante delta, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) projetam que a cidade de São Paulo terá um pico de contaminações a partir do mês de setembro. 

Em entrevista à Agência RádioWeb de Porto Alegre em agosto, o Dr. Renato Kfouri, infectologista pediátrico e presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, relata que o momento atual é muito delicado no país, em virtude da combinação de baixa adesão da população às medidas de prevenção com uma população ainda não suficientemente vacinada e imprevisibilidade do comportamento da variante delta, de grande transmissibilidade. O especialista menciona o fato de a população já estar cansada das restrições, mas que inspira ainda muitos cuidados e que, no momento, o relaxamento das medidas preventivas é arriscado: todos precisam ter muita calma e cautela, mantendo o uso de máscaras e o distanciamento social. Por fim, destaca que a variante delta se espalhou de forma rápida em outros países, mas que o comportamento dessa variante, no Brasil, ainda é desconhecido, pois há outras variantes concorrentes, como gama e gama plus, que podem atuar como obstáculo para o protagonismo da delta. 

Autora:

Referências bibliográficas:

 

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