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Caso clínico: paciente tem nódulo no pescoço e febre; qual diagnóstico?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Paciente homem, 45 anos, natural do Rio Janeiro, funcionário de limpeza do setor de broncoscopia de Hospital Universitário, comparece ao ambulatório com queixa de nódulo no pescoço. Refere ter notado, há cerca de 3 meses, a presença deste nódulo indolor na cadeia cervical posterior direita, não acompanhada de sinais flogísticos.

Ele relata que já apresentava aumento de linfonodo na região cervical esquerda há muitos anos, sem regressão ou evolução do tamanho. No mesmo período, iniciou um quadro de febre não aferida, sudorese noturna e emagrecimento (cerca de 12 kg), não associado a mudanças alimentares. Há algumas semanas, queixa-se de dificuldade para evacuar, com fezes pequenas, endurecidas e, ocasionalmente, hematoquezia. Tem também tosse seca. Refere não evacuar todos os dias a despeito do uso de laxante. Tabagista com carga tabágica de 30 maços-ano.

De acordo com o exame, o quadro do paciente está estável hemodinamicamente. Há presença de quatro linfonodos palpáveis em cadeia cervical posterior direita, indolores, com mobilidade ligeiramente reduzida e consistência firme, cerca de 2 cm cada, além de linfonodo palpável em cadeia cervical posterior esquerda, do mesmo tamanho, móvel, fibroelástico. Linfonodo axilar palpável bilateralmente, com cerca de 1 cm. Na genitália, havia presença de duas pápulas em bolsa escrotal, com cerca de 8 mm.

Caso clínico: o que tem o paciente?

  • Linfonomegalia cervical bilateral
  • Febre
  • Sudorese Noturna
  • Emagrecimento
  • Tosse Crônica
  • Constipação/ hematoquezia
  • Lesoes papulares em bolsa escrotal
  • Tabagismo 30 maços-ano

Foi iniciada a investigação.

O que dizem os exames?

tabela 2
A tomografia detectou diversos nódulos pulmonares e linfonomegalia generalizada (cervical, hilar, mediastinal, abdominal e pélvica).

Colonoscopia

  • Lesão superficial plano-elevada de ceco (Paris 0-Iia): polipectomia
  • Sugestivo de proctocolite infecciosa
  • Doença diverticular pancolônica não complicada

Parecer dermatologia

  • Lesões nodulares, amareladas, lisas, móveis, em pequeno número, variando de 0,2-0,5 cm
  • HD: Ateroma ou Lupia (cisto escrotal)

Lavado Broncoalveolar : BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) negativo

Biópsia do linfonodo

BAAR no linfonodo: negativo

Congelação: tecido linfoide com áreas de necrose (inespecífica)

Biópsia do linfonodo: Linfonodo cervical exibindo processo inflamatório crônico granulomatoso com extensa necrose central. A coloração pelo Wade para BAAR revelou raros bacilos. Olhe com atenção abaixo da seta:

O diagnóstico fechado foi de tuberculose ganglionar em paciente com imunodeficiência (HIV)

Sobre a Tuberculose Ganglionar

  • Atualmente, salvo em raras exceções, a forma linfonodal da tuberculose indica imunodeficiência, notadamente relacionada ao HIV
  • O quadro clínico costuma ser insidioso com febre, emagrecimento e com aumento progressivo dos linfonodos que se transformam em conglomerados de massas linfonodais
  • Os linfonodos mais acometidos são os supraclaviculares e cervicais posteriores
  • Com a evolução, a pele pode tornar-se avermelhada, cursando posteriormente com fistulização, caso haja evolução para necrose de caseificação
  • No paciente imunocomprometido, as manifestações de doença abdominal causadas pelo Mycobacterium tuberculosis podem complicar a doença pulmonar em 6-38% dos casos.

*Artigo de coautoria de Layanara Albino (Médica Residente de Clínica Médica na Universidade Federal Fluminense).

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

2 Comentários

  1. Muito proveitoso pr meu conhecimento.

  2. Edmundo José Leal de Andrade

    Muito bom.

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