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médico segurando estetoscópio para atender paciente com ameba comedora de cérebro

Caso de ameba “comedora de cérebro” gera alerta nos Estados Unidos

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O Departamento de Saúde da Flórida, nos Estados Unidos, anunciou que uma pessoa no condado de Hillsborough contraiu Naegleria fowleri, uma microscópica ameba unicelular que pode infectar os seres humanos, conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebros”, causando a meningoencefalite amebiana primária (MAP).

A infecção ocorre com a entrada da água contaminada pelo nariz do indivíduo, com a ameba chegando até o cérebro e atacando o tecido cerebral. Daí o nome pelo qual esse organismo é popularmente conhecido.

Não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde do paciente ou sobre a maneira como ele contraiu o protozoário, que não é transmitido de uma pessoa para outra.

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Sintomas e tratamento

A meningoencefalite amebiana primária é ocasionada pela entrada desta ameba na cavidade nasal, causando inflamação do sistema nervoso central. Embora raramente aconteça, a infecção quase sempre resulta em óbito da vítima.

De acordo com a revista Scientific American, a enfermidade tem taxa de letalidade de 97%. Um tratamento à base de miltefosina, um medicamento para leishmaniose, tem se mostrado promissor no combate a amebas como a N. fowleri.

Os principais sintomas são cefaleia, febre, náusea, vômito, alteração de comportamento, convulsão e rigidez na nuca. O diagnóstico é realizado através do exame de líquor.

A meningoencefalite amebiana primária pode ser confundida com meningite em primeiro lugar. Quando o estado do paciente se agrava, podem acontecer convulsões e alucinações.

Segundo especialistas, o que causa o óbito não é a perda de massa cinzenta, mas sim a pressão extrema no crânio devido à inflamação e inchaço relacionados à luta do organismo contra a infecção.

O aumento da pressão força o cérebro para baixo, onde o tronco cerebral encontra a medula espinhal, acabando com a conexão entre os dois. A maioria dos pacientes vem a óbito devido à insuficiência respiratória resultante da doença menos de duas semanas após o início dos sintomas.

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Casos registrados

Esse tipo de infecção é mais comum nos estados do sul americano, mas ainda assim é raro. Na Flórida, houve apenas 37 registros desde 1962, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Mas dada as suas consequências potencialmente fatais, o órgão de saúde da Flórida emitiu um alerta para os moradores de Hillsborough no início de julho.

As autoridades locais recomendaram aos habitantes que evitem o contato do nariz com água encanada e de outras fontes da região, incluindo lagos, rios e canais.

O primeiro caso de meningoencefalite amebiana descrito nos relatos médicos ocorreu em 1965, na Austrália. Estudos demonstram que o contato com a Naegleria fowleri pode ocorrer pelo trato respiratório, em águas ou solos contaminados com a ameba.

Essas infecções ocorrem com mais frequência pelo contato direto do hospedeiro com o protozoário, através da entrada de água contaminada nas vias nasais, em atividades físicas ou mesmo no lazer, como nadar ou mergulhar.

“Estamos vendo isso em estados onde nunca vimos casos antes”, diz Jennifer Cope, epidemiologista e especialista em infecções por ameba nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que suspeita que o aumento crescente de infecções por esse protozoário pode estar relacionado às mudanças climáticas, à medida que o organismo cresce em temperaturas mais quentes.

No Brasil, não há registros de casos recentes da doença.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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