Mucormicose: casos de infecção fúngica pós-Covid crescem na Índia

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Casos de infecção fúngica invasiva por organismos da ordem Mucorales em pacientes recuperados ou em recuperação pela Covid-19 vem crescendo na Índia, que passa por uma nova onda da pandemia. Segundo apurado por um correspondente local da BBC News, o Hospital Sion de Mumbai relatou 24 diagnósticos de mucormicose nos últimos dois meses, em pacientes que estavam há 12-15 dias recuperados da infecção pelo novo coronavírus.

Em Mumbai, a média de casos da infecção era de seis por ano, agora são cerca de dois por semana. De dezembro a fevereiro, foram 58 pessoas em cinco cidades: Mumbai, Bangalore, Hyderabad, Delhi e Pune.

imagem digital de fungo que pode causar mucormicose pós-Covid-19

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Mucormicose pós-Covid-19

A mucormicose afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em pacientes imunodeprimidos ou diabéticos. Para os médicos locais, o motivo das novas infecções são o uso de esteroides para a Covid-19, que reduzem a inflamação dos pulmões, mas acabam por reduzir a imunidade e aumentar os níveis de açúcar.

Os sintomas podem mimetizar uma sinusite, geralmente unilateral, com congestão nasal e cefaleia retro-orbitária. Pode ocorrer sangramentos no nariz; inchaço e dor em face e nos olhos; pálpebras caídas; visão turva e evoluir para perda de visão.

Como a maioria dos pacientes indianos estão buscando tratamento muito tarde, os efeitos são mais graves. Só em Mumbai, dos 24 casos dos últimos dois meses, onze tiveram que retirar um olho e seis pacientes morreram. A maioria deles eram pessoas jovens e, às vezes, sem diabetes ou outra comorbidade.

Veja mais: Tabagismo como fator de risco para doença fúngica invasiva

Em busca na literatura, apesar de não haver muitos estudos ou revisões sobre mucormicose e Covid-19, são diversos os relatos de casos publicados até o momento, sendo o mais recente publicado em abril no The American Journal of Emergency Medicine: uma paciente de 33 anos de idade, previamente saudável, apresentou estado mental alterado e proptose e foi diagnosticada com mucormicose e síndrome do compartimento orbital, além de Covid-19.

Uma revisão publicada na revista Mycoses em fevereiro deste ano, comparou os relatos de casos de mucormicose associada à Covid-19 (COVID‐19 associated mucormycosis – CAM) com os de mucormicose associada à influenza (influenza‐associated mucormycosis – IAM). Foram incluídos oito artigos sobre IAM e sete sobre CAM.

Entre os resultados encontrados, foi possível identificar que 100% dos casos de CAM eram em pacientes com Covid grave, enquanto 75% (6/8) dos casos de IAM eram associados à influenza grave.

A mucormicose pulmonar foi a forma clínica predominante (7/8 [87,5%]) no IAM, a mucormicose rino-órbito-cerebral (ROCM) foi a apresentação mais comum (2/7 [28,6%]) no CAM. A intervenção cirúrgica foi realizada em 50% dos casos de IAM e em 57,1% (4/7) dos de CAM.

Segundo o estudo, o uso de esteroides foi um fator de risco proeminente para o desenvolvimento de mucormicose em 66,7% de todos os pacientes com pneumonia viral; a hiperglicemia secundária ao diabetes não controlado (46,5%) também foi um fator de risco nesses pacientes. O tempo médio entre o diagnóstico de pneumonia viral e mucormicose foi de 10,1 dias nos casos de Covid-19 e 21,6 dias nos casos de influenza (média de 16,3 dias).

Infecções fúngicas e Covid-19

Além da mucormicose, outras doenças fúngicas invasivas, que podem apresentar altas taxas de mortalidade, vem sendo associadas à Covid-19.

Casos de aspergilose pulmonar associados à Covid-19 (CAPA) têm tido frequências variadas nos estudos, sendo descritos com taxas de 0,7-7,7% entre pacientes com Covid-19, 2,5-39,1% entre aqueles que estão internados em leitos de UTI e 3,2-29,6% entre os pacientes em ventilação mecânica.

Nesses casos, os pacientes muitas vezes não apresentam os fatores de risco clássicos para aspergilose pulmonar invasiva, como neoplasias, neutropenia ou história de transplante de células tronco hematopoiéticas. Uma revisão publicada na Emerging Infectious Diseases identificou 186 casos de CAPA e, entre eles, a maioria dos pacientes (97,8%) estavam internados em UTI, tinham diagnóstico de SARA (96,8%) ou estavam em ventilação mecânica (94,1%).

Outra infecção que tem tido maior incidência na pandemia é a candidemia. Em um hospital universitário brasileiro, foram registrados 7,44 casos por mil admissões, enquanto em período pré-epidemia semelhante a incidência foi de 2,98 por mil admissões, compatível com a série histórica local.

Mais informações sobre as infecções fúngicas e Covid-19 você encontra nesta revisão.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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