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Cerca de 1,3 milhão de atendimentos a pacientes com asma foram realizados no SUS ano passado

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A relação direta entre doenças respiratórias e a poluição do ar é um grave problema de saúde pública. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 235 milhões de asmáticos no mundo. 

O cenário não é diferente no Brasil. Principalmente em períodos de longa estiagem, a poluição atmosférica afeta de maneira importante a saúde dos brasileiros. O resultado disso é a expansão e o agravamento de doenças respiratórias, em especial a asma. 

Leia também: Pulmão no ambulatório: qual a realidade de um paciente pós-alta de covid?

terapia para asma

Casos no Brasil

Segundo estimativas, 23,2% da população brasileira sofrem com a doença, com incidência variando de 19,8% a 24,9% entre as regiões do país. Em 2021, foram realizados 1,3 milhão de atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), 231 mil consultas a mais que em 2020. 

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que entre maio e junho de 2021 foi registrado o pico de atendimentos (158 mil). O alto número coincidiu com um período crítico da pandemia de Covid-19 no país, com crescimento de casos e flexibilização do isolamento e distanciamento social. 

A diretora do Departamento de Promoção da Saúde do MS, Juliana Rezende, afirma que a melhora no cenário da pandemia impactou o atendimento de asmáticos. 

“A partir de julho, o número de consultas de pacientes com asma diminuiu significativamente nas unidades básicas de saúde, por redução dos casos de Covid-19, fator de risco para piora do quadro.”

Capital paulista tem poluição do ar acima do recomendado nos últimos 22 anos  

De acordo com uma nota técnica publicada em 26 de maio, pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), a qualidade do ar na cidade de São Paulo permaneceu acima do recomendado pela OMS ao longo dos últimos 22 anos. 

Mesmo durante a pandemia, três poluentes atmosféricos em especial estiveram muito acima do que a entidade considera seguro para a saúde pública: material particulado (MP), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2). 

Segunda a nota do IEMA, em alguns pontos da cidade, o limite foi ultrapassado quatro vezes o indicado. E pior: no ano passado, nenhuma estação de monitoramento da qualidade do ar da cidade atendeu aos limites em relação aos três poluentes. 

Com os moradores de São Paulo respirando um ar poluído nas duas últimas décadas, é fácil prever que terão maiores chances de desenvolver enfermidades do sistema respiratório, como asma, e sofrer envelhecimento precoce. 

Principais poluentes 

Na análise realizada pelo IEMA, o ozônio se manteve em patamares elevados, com variações anuais, mas sem tendência de queda ou aumento. O gerente de projetos do IEMA e coordenador do estudo, David Tsai, explica a persistência do gás.

“Esse é um poluente complexo de eliminar porque se forma na atmosfera devido a diversos fatores, naturais e antrópicos.” 

Curiosamente, o ozônio aumentou de 2019 para 2020. Vale lembrar que o pico de atendimentos de asmáticos que procuraram o SUS (158 mil) também coincidiu com um dos períodos críticos da pandemia de Covid-19 no país (escrito acima). 

Com relação ao dióxido de nitrogênio, houve redução das suas concentrações sobre a cidade paulista desde o ano 2000, o que pode ser explicado pelo fato dos veículos estarem emitindo menos gases poluentes graças ao Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), iniciado em 1986. 

Em 2021, no entanto, a OMS lançou uma nova diretriz de qualidade do ar, reduzindo os valores de concentração de poluentes considerados seguros em relação ao impacto para a saúde. 

Baseado nos novos valores, o dióxido de nitrogênio na cidade de São Paulo está distante do ideal, até quase cinco vezes mais do que o recomendado. É o caso da estação de monitoramento da Marginal Tietê, que sofre o efeito imediato das emissões dos poluentes pelos veículos, registrando 49 (µg/m3) para o poluente. 

Em entrevista ao Portal, o colunista da PEBMED e pneumologista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP), Guilherme das Posses Bridi, explica que a poluição e as crises respiratórias andam lado a lado. 

“A exposição prolongada a esses poluentes é um grande fator de risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias e nas cidades mais poluídas isso possui também uma relação direta com progressão e piora dos sintomas respiratórios, como o desencadeamento de crises de asma; crises da via aérea superior, como rinite alérgica; rinossinusites crônicas, além das doenças obstrutivas crônicas”. 

O especialista afirma ainda que a agressão epitelial, após o antígeno, é um dos principais fatores que leva à progressão e ao não controle da asma. 

“Por isso que sempre quando atuamos no controle da doença devemos pensar em controlar a exposição aos antígenos, no caso os poluentes. Assim, o tabagismo, a presença de um ar mais poluído ou uma concentração maior de poluentes onde o paciente mora ou trabalha são fatores de risco para o não controle da enfermidade e deve fazer parte da abordagem nas consultas de todo paciente asmático. Então, se esse paciente não consegue controlar a doença, devo pensar obrigatoriamente em abordar a questão da exposição aos antígenos, antes de simplesmente associar ou aumentar a medicação do tratamento dele”, orientou Bridi, que também é médico do Grupo de Doenças Intersticiais Pulmonares do HCFMUSP e do Núcleo de Pulmão do AC Camargo Cancer Center. 

Estudo serve de alerta 

A OMS estima que 7 milhões de indivíduos morrem anualmente em decorrência da poluição do ar no mundo, sendo 300 mil somente nas Américas. E essa nota técnica visa alertar para a necessidade da redução das emissões de poluentes nas grandes cidades. 

“Quanto mais perto uma pessoa vive ou trabalha em uma via de alto tráfego, mais ela respira esse ar poluído. Se a estação de monitoramento do Pico do Jaraguá, que é um local de maior altitude, longe das fontes emissoras e dentro de um parque, apresenta recomendações acima do indicado pela OMS, isso mostra que a cidade de São Paulo como um todo é poluída, destacou a nota. 

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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