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Como evitar transmissão de doença hepática em transplantes de órgãos HCV-positivos?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A limitação de órgãos disponíveis é uma das principais limitações em casos que necessitam de transplante. Estima-se que aproximadamente 1000 pacientes morrem nos EUA a cada ano na fila para receber um órgão. Frequentemente, órgãos provenientes de doadores infectados por HCV são rejeitados, uma vez que o transplante para receptores negativos está associado a uma taxa de transmissão de HCV de até 82%. Estudos mostram maior mortalidade por doença hepática e desenvolvimento acelerado de dano no enxerto por vasculopatia em recipientes de corações de doadores HCV-positivos.

Entretanto, o desenvolvimento de agentes antivirais de ação direta (DAA) pode mudar esse paradigma. Dados iniciais em receptores de rim e fígado sugerem que o tratamento de infecção por HCV logo após o transplante é uma possibilidade. Um estudo recentemente publicado no New England Journal of Medicine procurou avaliar se o uso de terapia com DAA permitiria o transplante seguro de corações e pulmões de doadores HCV positivos para receptores HCV negativos.

Dos pacientes recrutados, 35 foram submetidos a transplante de coração ou pulmão de doadores HCV-positivos e tinham dados de pelo menos 6 meses de acompanhamento. Em muitos casos, o transplante foi realizado antes da determinação do genótipo viral. Os pacientes receberam um esquema de 4 semanas de 400 mg/dia de sofosbuvir e de 100 mg/dia de velpatasvir, iniciado horas após a cirurgia.

HCV positivo x transplante de órgãos

Esse esquema foi escolhido devido à atividade pangenotípica e ausência de interações medicamentosas com os agentes imunossupressores. Os autores presumiram que os receptores seriam expostos a cargas virais baixas no momento do transplante e do início do tratamento com DAA e, portanto, um tratamento mais curto seria análogo e tão eficaz quanto uma profilaxia pós-exposição.

O desfecho primário de resposta virológica sustentada 12 semanas após o término de tratamento e sobrevivência de enxerto aos seis meses foi atingido em todos os 35 pacientes. Inicialmente, os receptores apresentaram uma carga viral de HCV proporcional à carga viral dos doadores, sendo ligeiramente maior nos receptores de pulmão do que nos de coração.

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Após 2 semanas, todos os pacientes possuíam carga viral de HCV indetectável, permanecendo dessa forma até o final de seguimento. Nenhuma morte atribuída à infecção pelo vírus HCV foi detectada. Em comparação a transplantes com órgãos de doadores HCV-negativos, os desfechos foram semelhantes em ambos os grupos, assim como a incidência de eventos adversos.

Resultados

Os dados desse estudo sugerem que transplantes de coração e pulmão de doadores HCV-positivos poderiam ser realizados de forma segura, apesar de evidência de transmissão em quase todos os receptores. A viremia pelo HCV foi eliminada em todos os receptores aproximadamente após 2 semanas, permanecendo indetectável posteriormente, independente do valor de carga viral inicial.

Apesar de promissores, os resultados deste estudo devem ser vistos com cautela. O pequeno número de pacientes, o curto período de acompanhamento e a pequena diversidade de genótipos de HCV envolvidos impedem a generalização dos resultados. Mais estudos avaliando a segurança a longo prazo dessa estratégia e seu uso em outras populações, como pacientes com disfunção renal, são necessários antes de que possa ser amplamente incorporada na rotina de transplantes.

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Autor:

Referências:

  • Woolley, AE, Singh, SK, Goldberg, HJ, Mallidi, HR, Givertz, MM, Mehra, MR, Coppolino, A, Kusztos, AE, Johnson, ME, Chen, K, Haddad, EA, Fanikos, J, Harrington, DP, Camp, PC, Baden, LR. Heart and Lung Transplants from HCV-Infected Donors to Uninfected Recipients. The New England Journal of Medicine 2019

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