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Como orientar o rastreio e prevenção do HIV a partir de evidências?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O dia 1º de dezembro marca o dia mundial de combate ao HIV/AIDS. Marcada ainda por uma perspectiva social controversa a infecção pelo vírus já passou por diversas formas de marginalização, aceitação e até banalização. O fato é que a infecção pelo HIV ainda é uma epidemia e compromete a saúde e qualidade do indivíduo, sendo sempre um problema.

Para quem lida com paciente, é sempre tempo de conscientizar, esclarecer, orientar manejo e fazer prevenções aproveitando a janela de oportunidade. E falando nisso, você sabe orientar o rastreio e prevenção do HIV a partir de práticas baseadas em evidência? Confira a seguir.

Até esse ano, a United States Preventive Task Force (USPTF) recomendava o rastreio da infecção pelo vírus HIV para todos os indivíduos adultos assintomáticos entre 18 e 65 anos e todas as mulheres grávidas. A última revisão realizada pela organização e publicada em novembro desse ano fez uma importante modificação baseada no desfecho mortalidade buscando a prevenção secundária (aquela em que você realiza o diagnóstico precoce, antes dos sintomas clínicos aparecerem; no caso do HIV podendo ser uma síndrome mono-like, ou uma infecção oportunista, por exemplo).

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A USPTF encontrou com nível A de evidência a recomendação de rastreio para infecção pelo vírus HIV para todos os indivíduos assintomáticos entre 15 e 65 anos e todas as mulheres grávidas, inclusive nas gestantes em trabalho de parto sem status sorológico conhecido. Dessa forma, a conclusão é de que a oferta de teste sorológico para todos os indivíduos assintomáticos nessa faixa etária reduz a mortalidade pelo vírus HIV.

Isso impacta a dinâmica de consultas e o senso médico comum que muitas vezes pode se abster de abordar o assunto em indivíduos mais jovens, que não declarassem ter vida sexual ativa durante a consulta ou mesmo ofertando apenas em caso de manifestação de desejo do paciente.

Outra questão analisada pela organização foram as formas de prevenção primária (aquelas que envolvem a prevenção dos meios de transmissão das doenças, por exemplo). No caso do HIV entram aqui o uso dos preservativos e as modalidades de profilaxia pré e pós-exposição. A recomendação publicada nesse ano analisou especialmente a profilaxia pré-exposição ao vírus.

A única opção aprovada pelo FDA como profilaxia de pré-exposição ao vírus é o tenofovir associado à emtricitabina (TDF-FTC). Os resultados da revisão encontraram nível A de evidência para o uso da combinação para profilaxia pré-exposição em indivíduos com alto risco para exposição ao HIV em uso de terapia antirretroviral (TARV) diária, não diferindo dos níveis de segurança do uso do preservativo, por exemplo. Assim, a recomendação é de que os médicos ofertem a prescrição da profilaxia pré-exposição em conjunto com a TARV como mais uma forma de evitar a transmissão do vírus.

A luta contra o HIV/AIDS é uma caminhada árdua. Um sistema de saúde eficiente capaz dar acesso e informação aos pacientes é peça fundamental para o combate da doença. Agora você está por dentro das mais novas recomendações de rastreio e prevenção do HIV. Espalhe essas informações você também e assim conseguiremos dar mais um passo nessa caminhada.

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