Enfermagem

Como transformar a vivência da criança e do familiar no ambiente cirúrgico hospitalar?

Tempo de leitura: 3 min.

O processo cirúrgico é um período que pode causar muita insegurança, medo e stress em adultos das mais variadas idades. Segundo Silva e Oliveira (2019) é comum a manifestação psicológica expressa por medo da dor e fobia do ambiente cirúrgico hospitalar, relacionada à reação de ajustamento.

Pacientes pediátricos no ambiente cirúrgico

Se em adultos, podemos identificar estas manifestações psicológicas tão claramente, é possível imaginar como este processo pode ser marcante para uma criança, afinal são situações que fogem do controle dos pequenos em um ambiente novo, por vezes assustador e em que eles são separados dos únicos rostos familiares: os dos pais.
Sem dúvida a preparação psicológica pré-operatória é fundamental para que a criança tenha algum nível de controle sobre o desconhecido representado pelo ambiente cirúrgico, entretanto esse preparo por parte da família nem sempre é possível ou eficaz, já que o familiar também possui medos expressos no ato cirúrgico ao qual seu filho/a será submetido. (BROERING e CREPALDI, 2018).

Como então podemos transformar a vivência da criança e do familiar no ambiente cirúrgico hospitalar? As estratégias de preparação para cirurgia do paciente pediátrico devem ser pensadas não somente visando o intra-operatório, mas, como citado por Broering e Crelapdi (2021) deve ser considerado o pós-cirúrgico bem como a importância que esta experiência pode ter no desenvolvimento infantil.

Saiba mais: Bronquiolite viral aguda: O que o enfermeiro deve saber?

Iniciativas para melhorar a experiência

Há muito se fala em como a brincadeira é um processo no qual a criança desenvolve suas percepções, inteligência e sua tendência à experimentação, uma vez que o lúdico é capaz de extrapolar a infância permeando todo o desenvolvimento humano. (SILVA e MEIRELLES, 2009).

Segundo Broering e Crelapdi (2021) o brincar pode ser usado como ferramenta do processo humanizado onde os pequenos pacientes podem tirar dúvidas, desmistificar medos e se aproximar da equipe de saúde. Para Alves (2020), o processo de humanização começa na comunicação verbal e em como ela deve ser adequada ao seu ouvinte para que seja eficaz, ou seja, é necessário trazer para o ambiente cirúrgico as ferramentas primordiais na comunicação infantil como a brincadeira e a imaginação.

Hoje muitas instituições de saúde com enfoque no paciente pediátrico, possuem ambientes onde as crianças podem brincar até o momento de serem encaminhadas ao centro cirúrgico, salas cirúrgicas com temáticas infantis e até mesmo dispõem de carrinhos elétricos onde os pequeninos são transportados até o setor para serem operados.

Engana-se quem pensa que somente os grandes investimentos são capazes de tornar a experiência dos pequenos clientes mais leve e divertida. Utilizando uma boa dose de empatia, boas ideias e imaginação, podemos ser agentes de transformação na assistência perioperatória e proporcionar para o paciente e sua família um ambiente acolhedor, seguro e porque não, fantástico?

Créditos: Bárbara Petillo Hayashi – São Paulo/SP Máscara de EVA com tema de super-heróis confeccionada pelo Hospital Nipo-Brasileiro

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Bárbara Petillo Hayashi

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