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Covid-19: estudo brasileiro identifica alvo potencial em grupos de risco

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Mundialmente, os casos mais graves de Covid-19 têm sido registrados entre os homens acima de 60 anos. Em um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), os cientistas descobriram neste grupo de pacientes a expressão do gene TRIB3 está reduzida nas células epiteliais do pulmão, alvos preferenciais da SARS-CoV-2.

Em artigo publicado na plataforma bioRxiv (ainda sem a revisão por pares), o grupo coordenado pelo professor Robson Carvalho, do Instituto de Biociências (IBB-Unesp), apresentou dados indicando que a proteína TRIB3 tem a capacidade de inibir a infecção e a replicação de vírus semelhantes aos do novo coronavírus.

Portanto, uma das conclusões do artigo é que os medicamentos que estimulam a proteína TRIB3 devem ser avaliados como potencial tratamento para a Covid-19.

Como já existe um fármaco com esse mecanismo de ação sendo testado contra o câncer de endométrio por uma empresa farmacêutica espanhola, os pesquisadores estão estabelecendo parcerias para testar in vitro o efeito de compostos que estimulem a proteína TRIB3 em células infectadas pelo novo coronavírus”, contou o professor Robson Carvalho em entrevista ao portal da Agência FAPESP.

Leia também: Covid-19: conheça os grupos com mais vítimas no 1º mês da infecção no Brasil

Sequência de testes

Para descobrir a causa da prevalência de câncer de pulmão ser maior em idosos, os pesquisadores analisaram como a expressão gênica no órgão se altera à medida que as pessoas envelhecem.

Para isso, foram examinados dados moleculares de mais de 17 mil amostras de 54 tecidos diferentes, entre eles o pulmão, através do projeto Genotype-Tissue Expression (GTEx), dos Estados Unidos.

Nessa primeira análise foram notadas que a expressão do gene TRIB3 reduziu progressivamente durante o envelhecimento.

Dados da literatura científica sugerem que a menor produção dessa proteína pode favorecer a infecção e a replicação de alguns tipos de vírus. Sabe-se ainda que a molécula integra duas vias de sinalização celular importantes para o ciclo biológico de diversos coronavírus.

A partir daí, os pesquisadores cruzaram esse achado com o conteúdo de outro banco de dados, o P-HIPSTer, cujo algoritmo explora informações baseadas em sequências e estruturas moleculares para medir a probabilidade de interações entre vírus e proteínas humanas.

“Embora esse atlas não tenha a rede de interação entre as proteínas humanas e as do novo coronavírus, há dados referentes ao SARS-CoV. É o vírus mais intimamente relacionado ao novo coronavírus”, diz Robson Carvalho, que complementa que ainda foi observado que a TRIB3 apresenta alta probabilidade de interagir com a proteína do nucleocapsídeo do SARS-CoV.

Veja mais: Covid-19: estudo indica que metade das transmissões ocorre antes dos sintomas

O passo seguinte foi repetir a análise de expressão de TRIB3 em um número maior de amostras de pulmão, desta vez avaliando separadamente os gêneros.

“Curiosamente, não observamos nas pacientes do sexo feminino uma mudança na expressão de TRIB3 ao longo dos anos, o que pode ajudar a explicar por que os homens idosos são os mais propensos a desenvolver pneumonia e a insuficiência respiratória quando infectados pelo novo coronavírus”, afirma Robson Carvalho.

A TRIB3 protege a célula da infecção da Covid-19?

Com o objetivo de descobrir quais células do tecido pulmonar expressam o gene TRIB3, o grupo recorreu a dados públicos disponíveis nos bancos Single Cell Portal e UCSC Cell Browser.

A descoberta foi que a TRIB3 está expressa, principalmente, nas células epiteliais dos alvéolos pulmonares, as mesmas que expressam a proteína que os coronavírus se conectam para invadir as células humanas. Isso reforça a hipótese de que a TRIB3 protege a célula da infecção, diz o estudo.

Mais estudos serão necessários para a confirmação (ou não) dessa hipótese. Vamos aguardar!

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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