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Covid-19: Revista Science publica o maior estudo sobre dispersão da doença no Brasil

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Com mais de 100 introduções diferentes no Brasil, o novo coronavírus entrou no país em cidades que recebem voos internacionais, como São Paulo e Rio de Janeiro. A maior parte (76%) do vírus veio da Europa, passando por uma mutação protéica associada à forma mais grave da doença, segundo informações de um recente estudo publicado na Revista Science.

De acordo com a comunidade científica, este é o maior estudo de vigilância genômica da Covid-19 na América Latina. Fruto da combinação de dados genômicos, epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão em diferentes escalas e o impacto das medidas de intervenção não farmacêuticas no controle da pandemia no Brasil.

Os pesquisadores sequenciaram 427 genomas do novo coronavírus. Para isso, utilizaram amostras colhidas de pacientes que testaram positivos para a Covid-19 entre os meses de março e abril de 85 municípios brasileiros.

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Como foi realizada a pesquisa

O objetivo dos pesquisadores era centralizar a pesquisa na dispersão do vírus no Brasil. Para isso, eles sequenciaram 427 genomas do novo coronavírus de 21 estados brasileiros.

A realização deste mega projeto somente foi possível com a união de 15 instituições brasileiras, além de instituições britânicas, como a Universidade de Oxford.

“Os dados mostram que houve diversos eventos de introdução do vírus no Brasil, mais de 100, principalmente de indivíduos que estavam voltando da Europa e dos Estados Unidos. A partir dessa introdução maciça, antes dos eventos de contenção e de isolamento social, o vírus se disseminou, principalmente, em três grandes grupos, que tiveram maior sucesso e que se espalharam no Brasil”, explica o professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) José Luiz Proença Módena, coordenador Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE), do Instituto de Biologia da Unicamp, cuja equipe participou da pesquisa, em entrevista ao Portal da Unicamp.

Nos três grandes grupos de vírus preponderantes, que reuniram 76% dos vírus detectados até abril, foram identificadas mutações associadas às formas graves da doença.

“Todos eles têm uma mutação pontual na proteína spike, que é uma proteína do vírus associada à patogenicidade, com a doença mais grave e com aumento da carga viral”, diz o pesquisador José Módena

A maior parte das introduções do vírus no Brasil foi identificada nas capitais com maior incidência de voos internacionais. Apenas uma pequena parcela dessas introduções se dispersou pelo país por transmissão comunitária.

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Medidas de isolamento não foram suficientes

Os resultados demonstram que intervenções como o fechamento das escolas e do comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do vírus. Inicialmente, essa taxa foi superior a 3, o que significa que uma pessoa transmitia para três pessoas o vírus. Após as medidas, os valores caíram para entre 1 e 1,6, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.

“A partir das medidas de isolamento social, a taxa de disseminação do vírus cai. Mas não é suficiente para barrar a transmissão do vírus, que continua se espalhando a partir de longas distâncias pelo tráfego de pessoas. Incluindo a malha área dentro do país”, explica José Módena.

Cooperação internacional

O projeto foi realizado através de uma atividade do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“O esforço possibilitou com que conseguíssemos sequenciar, de Campinas, 66 genomas completos desse vírus, que ajudaram na construção dos dados publicados”, avalia José Módena.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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