Página Principal > Colunistas > Craniossinostose: saiba o que é, como identificar e tratar
Craniossinostose

Craniossinostose: saiba o que é, como identificar e tratar

Tempo de leitura: 3 minutos.

A craniossinostose é uma doença que se caracteriza pelo fechamento precoce de suturas cranianas (uma ou mais), trazendo consequente deformidade.

A história mais comum é daquela família que se queixa para o pediatra de uma alteração na forma ou tamanho da cabeça do filho. É frequente que crianças sejam encaminhadas ao consultório com idade em torno de um ano, ou mais velhas, quando o tratamento ideal é entre seis e nove meses, alguns até mais precocemente. Na prática em ambulatório de neurocirurgia pediátrica, quando questionamos os pais quem primeiro notou a alteração, a maioria responde que não foi o pediatra, mas algum familiar ou conhecido da família.

É importantíssimo que a suspeita seja levantada e uma avaliação simples já pode descartar qualquer tipo de anormalidade. Quanto mais tardiamente a criança for submetida ao tratamento, mais difícil será a sua correção, além do tempo que a criança pode ter permanecido em regime de hipertensão intracraniana.

Após a recomendação da sociedade americana de pediatria para posicionar a criança em decúbito dorsal e evitar a morte súbita, o número de crianças com alteração no formato do crânio aumentou muito. No entanto, isso não se trata de doença, pois na maioria das vezes, não há fechamento precoce de nenhuma sutura, apenas um vício de posição que pode ser corrigida orientando os pais a deixar a cabeça da criança posicionada para o lado oposto ao da alteração. Quando a criança permanece muito tempo com o parietal direito apoiado sobre a cama, a orientação é que mude o lado para o esquerdo e vice-versa. Esta alteração é comumente chamada de “Sutura Lambdoide Preguiçosa”, pois, como já dito, não há fechamento precoce da sutura, apenas uma alteração viciosa de posição.

Leia mais: Cavernomas encefálicos: como e quando tratar?

O capacete pode ser prescrito, mas sua utilidade ainda é muito discutida, ainda mais quando avaliamos o custo deste tratamento e sua duração. Além disso, o que observamos na prática é que crianças mais velhas pouco respondem a este método. O ideal é a identificação precoce da alteração e a orientação para posicionamento contra-lateral da cabeça da criança.

Apesar de observarmos que as crianças com craniossinostose ainda apresentam dificuldade de diagnóstico clínico, notamos muitas crianças encaminhadas ao consultório com “moleira fechada”. É comum não conseguirmos palpar as fontanelas anterior e, principalmente, a posterior. Mas isso não significa que há uma craniossinostose.

Atualmente, um simples exame de ultrassonografia transfontanela e de suturas, pode identificar qualquer alteração que necessite avaliação de um neurocirurgião. Ou seja, se há  dúvida sobre craniossinostose, não há necessidade de fazer exame de radiografia ou tomografia de crânio. Apenas um USG já é suficiente para diagnóstico, sem necessidade da exposição do cérebro da criança à radiação.

O tipo mais comum de craniossinostose é a escafocefalia, pelo fechamento da sutura sagital. O formato do crânio fica alongado no sentido ântero-posterior. Leve predominância em meninos. A técnica cirúrgica é muito distinta, mas todas buscam diminuir o diâmetro ântero-posterior e aumentar o diâmetro látero-lateral. Existem várias outras alterações e síndromes relacionadas ao fechamento das suturas e muita controvérsia sobre a técnica cirúrgica ideal.

O mais importante, entretanto, é o diagnóstico precoce. Não podemos falhar nisso. Caso esteja em dúvida diagnóstica e haja dificuldade em consulta com neurocirurgião pediátrico, um simples USG de crânio já pode tranquilizar bastante a família e o próprio pediatra.

É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Egmond Alves Silva Santos

Título de Especialista em Neurocirurgia, Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, 2010 ⦁ Cirurgia Minimamente Invasiva no Crânio, Tuttlingen/Alemanha, 2010 ⦁ Mestrado em Ciências da Saúde, IAMSP, 2011 ⦁ Cirurgia Endoscópica de Base de Crânio, Pittsburgh/EUA, 2012 .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.