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Crioterapia sistêmica após exercício físico funciona para acelerar recuperação de atletas ou amadores?

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Há alguns anos, a palavra atleta era sinônimo de saúde e pensava-se que quanto mais se treinava era melhor para o corpo humano. Com os estudos das últimas décadas, principalmente no campo da fisiologia e biomecânica, começou-se a observar a necessidade de “dosar” melhor a intensidade, frequência e duração do treinamento para reduzir os efeitos nocivos decorrentes da alta demanda metabólica e biomecânica do exercício físico.

Assim, atletas de alta performance e amadores com alto nível de exigência física podem estar sujeitos a lesões devido à sobrecarga mecânica imposta pela atividade de impacto/repetição ou lesões bioquímicas, decorrentes do acúmulo de ácido lático e o crescimento do estresse oxidativo, com aumento de radicais livres.

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A tentativa de reduzir os efeitos nocivos do exercício físico intenso e recuperar rapidamente o atleta é motivo de estudos, com diferentes técnicas e modalidades terapêuticas. Dentre os meios utilizados, a crioterapia sistêmica ou crioimersão corporal, ou mesmo imersão corporal em baixa temperatura, tem sido bastante utilizada em clínicas ortopédicas, clubes de futebol, etc.

Embora o protocolo de aplicação não esteja bem definido, e esse é um grande motivo de discussão, alguns estudos apontam que a temperatura da água a 10º, com imersão corporal até a região da cintura, por 10 minutos parece ser o protocolo mais utilizado.

Teoricamente, a crioterapia sistêmica apresenta benefícios fisiológicos, como a redução do fluxo sanguíneo,  da taxa metabólica, da condução nervosa e do quadro doloroso, o que, consequentemente, poderia acelerar o processo de recuperação e reduzir o risco lesão (prevenção). Entretanto, a crioimersão corporal realmente funciona? Revisões sistemáticas com metanálise, publicadas recentemente, apontam para baixa evidência dos efeitos do procedimento na recuperação de atletas de elite e amadores após a realização de exercício físico.

Existe a recomendação sobre a necessidade de futuros estudos de alta qualidade metodológica para entender melhor: a) qual o melhor momento para fazer a crioimersão? b) qual a temperatura ideal? c) qual o tempo ideal de exposição? d) quais são os reais efeitos fisiológicos (benéficos) provocados pela crioimersão? e) quão duradouro são os efeitos, 24h, 48h, 96h? f) a exposição a temperaturas extremas pode provocar efeitos adversos?

Portanto, utilização da crioimersão corporal como modalidade terapêutica deve ser analisada com mais cautela e não deve ser aplicada de forma indiscriminada.

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Autor:

Paulo Roberto Veiga Quemelo

Graduação em fisioterapia, com mestrado e doutorado em ciências médicas e pós-doutorado em biomecânica. Tem mais de 16 anos de experiência na área clínica e acadêmica, com mais de 50 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais. Atualmente trabalha e desenvolve pesquisas voltadas para a reabilitação na área ortopédica, saúde ocupacional e promoção da saúde.

Referências:

  •  Bleakley C, McDonough S, Gardner E, Baxter GD, Hopkins JT, Davison GW. Cold-water immersion (cryotherapy) for preventing and treating muscle soreness after exercise. Cochrane Database Syst Rev. 2012 Feb 15;(2):CD008262.
  • Costello JT, Baker PR, Minett GM, Bieuzen F, Stewart IB, Bleakley C. Whole-body cryotherapy (extreme cold air exposure) for preventing and treating muscle soreness after exercise in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2015 Sep 18;(9):CD010789.
  • Hohenauer E, Taeymans J, Baeyens JP, Clarys P, Clijsen R.The Effect of Post-Exercise Cryotherapy on Recovery Characteristics: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS One. 2015 Sep 28;10(9):e0139028.

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