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Cuidados Paliativos: Qualidade dos cuidados difere conforme diagnóstico

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250-BANNER5Estudo recentemente publicado pela renomada revista americana JAMA Internal Medicine revelou uma importante diferença no perfil de cuidados paliativos aplicados a pacientes com doenças terminais. Pacientes portadores de câncer e demência apresentaram qualidade em cuidados de fim de vida (cuidados paliativos) significativamente maior do que em pacientes com doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória (insuficiência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva crônica) ou fragilidade.

No estudo, os pesquisadores revisaram registros médicos de 57753 pacientes com óbito entre Outubro de 2009 e Setembro de 2012. Pacientes foram categorizados em: câncer, doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória (doença pulmonar obstrutiva crônica ou insuficiência cardíaca congestiva), demência, fragilidade e outras condições.

Observou-se uma maior consulta em cuidados paliativos, maiores ordens de “não-ressuscitar” e menos mortes em ambiente de terapia intensiva no grupo de maior qualidade na assistência (câncer e demência).

Consultas em cuidados paliativos foram significativamente maiores entre pacientes com câncer e demência (73,5% e 61,4%, respectivamente), comparados com doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória e fragilidade (50,4%, 46,7% e 43,7%, respectivamente).

Orientações de “não-ressuscitar” também foram significativamente maiores nos grupos de câncer e demência (95,3% e 93,5% respectivamente), quando comparados com doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória e fragilidade (87%, 86,3% e 88,6%, respectivamente).

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Pacientes dos grupos de câncer e demência tiveram menor probabilidade de morte em terapia intensiva e, consequentemente, maior probabilidade de morte em instituições para idosos; quando comparados aos demais grupos (doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória e fragilidade).

Familiares de pacientes com câncer e demência relataram maior qualidade nos cuidados de “fim de vida”, quando comparada a qualidade reportada pelos familiares de pacientes dos demais grupos (doença renal terminal, insuficiência cardiorrespiratória e fragilidade).

O estudo apresenta algumas limitações, visto que não avaliou pacientes com múltiplas doenças. No entanto, as diferenças apresentadas parecem corroborar o senso geral de que pacientes com câncer terminal e demência apresentam maior acesso aos cuidados paliativos, por classicamente serem os eleitos a tal tratamento. Evidencia também uma falha da medicina em oferecer, igualmente, conforto para outros doentes terminais, como os pacientes com doença em órgão nobre terminal e idosos portadores de fragilidade.

Embora este estudo reflita a realidade do sistema de saúde americano, podemos extrapolar estes conceitos para a saúde brasileira. Definitivamente, precisamos discutir a “terminalidade” e difundir os cuidados paliativos nos serviços de saúde, como proposta de melhora na qualidade da atenção para estes pacientes.

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Referências Bibliográficas:

  • Wachterman, MW et al. Quality of End-of-Life Care Provided to Patients With Different Serious Illnesses. JAMA Intern Med. Published online June 26, 2016. doi:10.1001/jamainternmed.2016.1200
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