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Custo-efetividade do palivizumabe para tratamento do Vírus Sincicial Respiratório

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O vírus sincicial respiratório (RSV) é a causa mais comum de infecções do trato respiratório inferior em bebês e crianças pequenas em todo o mundo: quase 100% das crianças o contraem dentro dedois anos depois do nascimento. A infecção respiratória pelo RSV é sazonal e responsável por taxas significativas de morbidade e mortalidade. Estima-se que o RSV possa causar até 90% das hospitalizações por bronquiolite e até 50% das internações pediátricas por pneumonia.

Fatores de risco para infecções graves por RSV em crianças incluem:

  • Prematuridade (idade gestacional inferior a 29 semanas);
  • Lactentes menores de um ano de idade;
  • Lactentes com baixo peso ao nascer;
  • Portadores de cardiopatia congênita, displasia broncopulmonar (DBP), doença pulmonar crônica, fibrose cística (FC), síndrome de Down e imunodeficiências.

Embora atualmente não haja vacina disponível para prevenir a infecção por RSV, a profilaxia passiva tem sido disponibilizada com o Palivizumabe desde 1998. O Palivizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado administrado mensalmente por meio de injeção intramuscular (IM) e que tem mostrado uma redução significativa na taxa global de hospitalizações devido à infecção pelo RSV. No entanto, devido ao elevado custo de aquisição, tem havido um debate considerável em torno da relação custo-eficácia desta intervenção. Desde 2000, esta relação foi submetida a oito revisões, das quais a metade foi finalizada há mais de 10 anos.

Custo-efetividade do Palivizumabe no tratamento do RSV

Dessa forma, com o objetivo de comparar o custo-efetividade da profilaxia com Palivizumabe versus nenhuma profilaxia em lactentes com 24 meses de idade, Mac e colaboradores realizaram revisão sistemática publicada recentemente na revista Pediatrics. O estudo Cost-effectiveness of Palivizumab for Respiratory Syncytial Virus: A Systematic Review contou com dois revisores independentes que selecionaram os resultados para incluir as avaliações econômicas realizadas entre 2000 e 2018 pela Organization for Economic Cooperation and Development Countries. Dois revisores extraíram de forma independente os resultados. A avaliação da qualidade foi concluída usando os critérios do Joanna Briggs Institute. Os custos foram ajustados para 2017 em dólares americanos.

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Foram identificadas 28 avaliações econômicas (20 análises de custo-utilidade e 8 análises de custo-efetividade). A maioria foi realizada nos Estados Unidos (n = 6) e Canadá (n = 5). A qualidade dos estudos foi alta: 23 estudos atenderam a mais de 80% dos critérios do Joanna Briggs Institute. A profilaxia com Palivizumabe variou de uma estratégia dominante para ter uma relação custo-efetividade incremental de US$ 2.526.203 por ano de vida ajustado pela qualidade (quality-adjusted life-year – QALY), dependendo da perspectiva do estudo e da população-alvo. Do ponto de vista do pagador, a relação custo-eficácia incremental para bebês prematuros (29–35 semanas de idade gestacional) ficou entre US$ 5188 e US$ 791.265 por QALY, com 90% das estimativas inferior a US$ 50.000 por QALY. Os parâmetros influentes foram as taxas de redução da hospitalização pelo RSV, o custo do Palivizumabe e as taxas de desconto.

Resultados

Os autores concluíram que a profilaxia para infecções por RSV com Palivizumabe pode ser considerada custo-efetiva em subgrupos de bebês de acordo com os limiares de custo-eficácia predefinidos, mas variou de acordo com o cenário do estudo, a população de interesse, os fatores de risco e os parâmetros clínicos do paciente à admissão. Do ponto de vista do pagador, o Palivizumabe parece ser relativamente rentável em pacientes com displasia broncopulmonar ou doença pulmonar crônica, pacientes portadores de cardiopatia congênita, lactentes a termo de comunidades específicas e bebês prematuros com ou sem complicações pulmonares.

Conclusão

A profilaxia com Palivizumabe consta na Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS), tabela que agrega os procedimentos e eventos custeados pelas operadoras de planos de saúde desde janeiro de 2018. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) protagonizou a inclusão do medicamento e coordenou as negociações do pleito junto a Agência Nacional de Saúde (ANS). Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Palivizumabe está disponível desde 2013, regulado pela Portaria nº 522, do Ministério da Saúde3. A SBP recomenda que o Palivizumabe seja aplicado, no Brasil, em cinco doses nos meses de circulação do RSV (de abril a agosto).

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