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Degeneração Macular Relacionada à Idade

Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): O que devemos saber?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença degenerativa progressiva, crônica e comum da mácula, que afeta indivíduos idosos e caracteriza-se por perda visual central resultante de anormalidades do complexo fotorreceptores/EPR/membrana de Bruch/coroide. Esse processo resulta frequentemente em atrofia geográfica ou neovascularização de coroide.

Pontos-Principais:

  • Idade > 50 anos
  • Bilateral
  • Drusas
  • Hiper/Hipopigmentação do EPR
  • Atrofia Geográfica
  • Descolamento do EPR
  • Neovascularização macular

Características da Degeneração Macular Relacionada à Idade

A DMRI é a principal causa de dano irreversível à visão entre a população idosa de todo o mundo, afetando 30-50 milhões de indivíduos. Nela, a perda da acuidade visual geralmente é causada por uma degeneração progressiva dos fotorreceptores, epitélio pigmentado da retina (EPR) e coriocapilares, embora as manifestações histopatológicas mais precoces da doença sejam anormalidades da membrana de Bruch. A forma avançada é caracterizada por formação de neovascularização de coroide macular, atrofia geográfica, ou ambas.

A patogênese da DMRI não é totalmente compreendida. Existem duas formas: exsudativa e seca. A DMRI exsudativa ocorre com menor frequência (15%) do que a DMRI seca (85%), a primeira é responsável por dois terços dos casos de perda visual significativa. A DMRI seca pode progredir para atrofia geográfica caracterizada por bem delineado áreas de hipopigmentação ou despigmentação devido à ausência ou atenuação do epitélio pigmentar da retina subjacente. Mecanismos para o desenvolvimento de atrofia geográfica incluem isquemia, senescência, dano oxidativo e foto-oxidativo e inflamação, diretamente ou através de mecanismos apoptóticos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou em 2002 que 8,7% dos casos de cegueira do mundo foram causados pela Degeneração Macular Relacionada à Idade, com 14 milhões de pessoas cegas ou portadoras de dano visual grave recorrente da doença em todo mundo. Em geral, a DMRI avançada é rara antes dos 55 anos e mais comum em pessoas com idade igual ou superior a 75 anos.

No presente artigo, daremos destaque à DMRI seca e suas repercussões oftalmológicas.

DMRI
Fonte da imagem: Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF)

Manifestações Oculares:

  • Drusas e Hiperpigmentação Focal
  • Atrofia geográfica

Diagnóstico e Exames Complementares

O exame clínico é geralmente suficiente para estabelecer o diagnóstico de DMRI, embora alterações maculares sutis sejam mais bem detectadas com auxílio de exames, como:

  • Autofluorescência de Fundo
  • Tomografia de Coerência Óptica
  •  Angiografia Fluoresceínica
  • Angiografia com Indocianina Verde

Diagnóstico Diferencial

Para DMRI seca:

  1. Doenças hereditárias (Distrofia Padrão / Doença de Stargardt / Doença de Best, dentre outras).
  2. Coriorretinopatia Serosa Central
  3. Telangiectasia Macular tipo II
  4. Coroide Multifocal
  5. Epiteliopatia pigmentar placoide multifocal posterior aguda
  6. Lesões tóxicas (Cloroquina / Fenotiazinas / Cantaxantinas)
  7. Drusas cuticulares com ou sem uma lesão viteliforme
  8. Distrofia viteliforme do adulto
Fonte da imagem: Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF)

DMRI Seca

Atualmente, não existe terapia comprovada para interromper a progressão de DMRI seca. Suplementação vitamínica, mudança de hábitos alimentares e cessação do tabagismo são recomendações atuais reconhecidamente capazes de retardar a progressão da acuidade visual na DMRI.

Em pesquisas nacionais

O tratamento da DMRI seca representa um desafio, pois não há terapia aprovada disponível. Conhecendo a patologia e suas limitações, muitos pesquisadores buscaram alternativas terapêuticas, incluindo o uso de células-tronco.

Estudo recente realizado pela Universidade de São Paulo (USP) teve o objetivo de avaliar a segurança e eficácia de injeções intravítreas da fração mononuclear da medula óssea (BMMF) contendo células CD34 + em pacientes com DMRI atrófica.

Células-tronco têm um grande potencial para o tratamento de doenças degenerativas da retina. No presente estudo, dez pacientes com DMRI seca receberam uma única injeção intravítrea de uma suspensão de 0,1 mL de BMMF contendo células CD34 +. Várias pesquisas já demonstraram que essas células derivadas da medula óssea podem ser incorporadas após injeções intravítreas.

Leia mais: Lesão melanocítica ocular: conheça as hipóteses diagnósticas

A injeção intravítrea de células CD34 + demonstrou-se segura em pacientes com DMRI atrófica. Os resultados preliminares mostraram uma melhora significativa na acuidade visual, especialmente em pacientes com menores áreas de atrofia geográfica, provavelmente devido ao efeito trófico dessas células.

Estudos com amostras maiores e o uso de tecnologias como óptica adaptativa são importantes para uma melhor compreensão do comportamento dessas células nas doenças da retina.

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Autor:

Carolina Leal

Médica graduada pela Universidade do Grande Rio ⦁ Residente de Oftalmologia na Universidade Federal Fluminense ⦁ Médica do Hospital Naval Marcílio Dias

Referências:

  • Cotrim CC, Toscano L, Messias A, Jorge R, Siqueira RC. Intravitreal use of bone marrow mononuclear fraction containing CD34(+) stem cells in patients with atrophic age-related macular 10.1038/s41433-018-0061-z degeneration. Clin Ophthalmol. 2017;11:931–8.
  • KANSKI, Jack J. Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  • YANOFF, M.; DUCKER, J.S.Oftalmologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier,2011.

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