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médica examinando paciente grávida

Diabetes mellitus gestacional: diagnóstico, tratamento e acompanhamento pós-gestação.

Tempo de leitura: 3 minutos.

A diabetes mellitus gestacional (DMG) é a intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação. É o problema metabólico mais comum durante esse período e tem prevalência entre 3% e 25% das gestações. Em alguns casos ele representa o aparecimento do diabetes do tipo 2 na gestação.

Rastreio e diagnóstico

No primeiro trimestre: coletar glicemia de jejum

– Se < 92 mg/dl = Exame normal a recomendação é realizar o TOTG entre 24 e 28 semanas.

– Entre 92 mg/dl e 126 mg/dl = DMG.

– Se >126 mg/dl = diabetes prévio diagnosticado na gestação.

Todos esses exames devem ser repetidos e confirmados caso glicemia seja > ou igual a 92 mg/dl.

No segundo trimestre: Realizar teste de tolerância oral a glicose (TOTG) com 75g de glicose:

Esse exame deve ser realizado entre 24 e 28 semanas de idade gestacional, não precisa ser repetido. Se um valor estiver na faixa descrita abaixo, temos o diagnóstico de DMG:

– Jejum > ou igual a 92 mg/dl.

– 1 hora após > ou igual a 180 mg/dl.

– 2 horas após > ou igual a 153 mg/dl.

Tratamento

Orientação alimentar com ganho de peso adequado e controle metabólico. Garantir um ganho de peso semanal entre 300-400g a partir do segundo trimestre. Alguns adoçantes têm seu uso liberado na gestação desde que usados com moderação, são eles: aspartame, sacarina e sucralose.

Exercícios físicos devem ser estimulados, porém, devem-se seguir as orientações obstétricas respeitando contraindicações individuais.

Você sabe identificar e diagnosticar a diabetes gestacional?

Monitorização glicêmica deve ser realizada antes das refeições (café da manhã, almoço, jantar e ceia) e 1 hora após as mesmas, principalmente do café da manhã (não é necessário realizar o teste 1 hora após a ceia). Os valores pré-prandiais não devem ultrapassar 95 mg/dl e os valores pós-prandiais (1h) devem ser menores que 140 mg/dl.

Caso os valores acima não sejam atingidos, ou ocorra crescimento fetal excessivo (principalmente aumento da circunferência abdominal) é indicado o tratamento com insulina. Outros parâmetros de bem-estar fetal também podem ser levados em conta como, por exemplo, avaliação do líquido amniótico (em excesso nos casos de diabetes sem controle adequado)

A insulinoterapia é o tratamento farmacológico de escolha pela FDA e Anvisa, seguem os perfis de segurança:

– Grau de segurança B: Insulina NPH, detemir, Regular, Asparte e Lispro.

– Grau de segurança C: Insulina Glargina e Glulisina.

Atualmente não está liberado o uso de outras medicações na gestação como a metformina, por exemplo.

Normalmente a dose é 0,5 UI/Kg/dia divididas em 50% basal e 50% bolus prandial, de acordo com a monitorização glicêmica. De preferência utilizar os análogos (Detemir + lispro ou asparte) para minimizar a ocorrência de hipoglicemias.

O parto deverá seguir as indicações obstétricas, e durante a amamentação deve-se estimular dieta adequada visando boa produção de leite. As mulheres que amamentam mais de 3 meses normalmente têm risco diminuído de desenvolver diabetes no futuro.

Após 6 semanas do parto, devemos repetir glicemia de jejum e TOTG para reclassificar as pacientes com DMG, se algum valor estiver alterado, a mesma receberá o diagnóstico de diabetes diagnosticado na gestação. Caso contrário permanece o diagnostico prévio: Diabetes mellitus gestacional.

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Um comentário

  1. Oi… Não está liberado o uso de Metformina na gestação? ??

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