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Manobra de Sellick

Dicas na escolha da via aérea no paciente politraumatizado

Tempo de leitura: 3 minutos.

O politrauma é uma causa comum de via aérea difícil. Em um texto recente, revisamos o passo a passo para a intubação orotraqueal em cenários de emergência, mostrando a sequência rápida de intubação. Hoje nosso objetivo é mostrar para as diferentes formas de trauma, quais as opções de abordagem à via aérea você deve conhecer e usar.

A mensagem inicial é muito importante: o objetivo é assegurar ventilação e oxigenação e não “intubar a qualquer custo”. Por isso, o médico deve avaliar a dificuldade que existe e decidir pelas alternativas para manuseio da via aérea. Em paralelo, manter suporte hemodinâmico e de oxigênio que evite hipoxemia e hipotensão, as duas causas que levam à parada cardíaca durante a tentativa de intubação!

TCE

Preparo
  • Faça cristaloide e tenha amina preparada
  • É FUNDAMENTAL que se evite hipotensão e hipoxemia
Sedação
  • Propofol e midazolam apresentam propriedades anticonvulsivantes
  • Etomidato tem maior estabilidade hemodinâmica
Plano A
  • Sequência rápida de intubação com laringoscopia direta
Plano B
  • Boogie, dispositivo supraglótico ou videolaringoscopia
Dicas
  • A causa mais comum para intubar um TCE é proteção de via aérea. Estes pacientes têm boa saturação de oxigênio, por isso não tenha pressa: prepare todo o equipamento e mantenha PA e oximetria sempre normais!

 

Trauma Cervical com Colar

Preparo
  • A dificuldade esperada é uma traqueia anterior com visualização ruim da glote – Cormarck 2 ou 3
Plano A
  • Sequência rápida de intubação com laringoscopia direta + boogie ou manipulação laríngea (BURP – back, up and right position)
Plano B
  • Dispositivo supraglótico ou videolaringoscopia
Dicas
  • Você pode abrir o colar e fazer estabilização manual da cabeça segundo ao lado da têmpora/orelha.

 

Sangue e/ou secreção via aérea

Preparo
  • Tenha dois aspiradores semi-rígidos prontos (Yankauer)
Plano A
  • Sequência rápida de intubação com laringoscopia direta
Plano B
  • Boogie ou dispositivo supraglótico
Dicas
  • Deixe o paciente a 45 graus ou sentado.
  • Intubar o esôfago e depois a traqueia pode ser opção para segurar uma hematêmese ou vômito maciço.
  • Videolaringoscopia não é boa opção por baixa visualização – a lente suja e não há sucção como na broncoscopia

Outra dica importante do texto: o paciente pode estar agitado por dor ou por lesão cerebral!! Se ele não responder às tentativas iniciais de controle da agitação, considere que há TCE, sede-o e coloque-o em ventilação mecânica. A quetamina é ótima opção neste cenário, pois na dose de 1 mg/kg consegue reduzir a agitação sem comprometer os reflexos da via aérea.

A intubação acordado, com anestesia tópica, é sempre opção para a via aérea difícil na qual a sedação possa gerar colapso repentino, como um paciente com queimadura de via aérea. Contudo, é de difícil realização por quem não tem treinamento e no paciente traumatizado devido à baixa cooperação.

Há autores que sugerem avaliar a perfusão e no paciente com má perfusão e/ou shock index > 0,8, fazer reposição volêmica e/ou uso aminas, bem como reduzir a dose do hipnótico em 50%, com aumento na dose do bloqueador neuromuscular.

FONA (Front of Neck Airway)

É o acesso direto à traqueia pela membrana cricotireóidea. Pode ser feito de duas formas:

  1. Kit de punção por Seldinger
  2. Cricotiroidotomia

É o procedimento de resgate final – se tudo falhar e o paciente continuar a dessaturar, esta é sua escolha! Mas será o procedimento inicial quando há trauma orofacial e/ou mandibular. Neste cenário, se o paciente estiver estável e saturando bem, outra opção é ir direto para traqueostomia no centro cirúrgico.

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