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fita metrica em volta de legumes

Dieta Low-Fat vs. Low-Carb: avaliação do padrão genético ou da secreção de insulina ajuda a prever resposta na mudança de peso?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A grande variabilidade interindividual na resposta à perda de peso observada em diversos estudos sugere que determinadas estratégias poderiam funcionar melhor para alguns indivíduos do que para outros, e que nenhuma dieta deveria ser recomendada de forma universal.

Essas diferenças nas respostas às dietas são mal compreendidas. Estudos prévios levantaram algumas hipóteses:

1) Alguns indivíduos poderiam ter mais sucesso na perda de peso com uma dieta com baixo teor de gordura ou baixo teor de carboidratos, dependendo do padrão de genótipo.
2) A dinâmica da insulina poderia explicar diferenças na resposta a dietas com baixo teor de gordura versus baixo teor de carboidratos. Por exemplo: indivíduos com maior resistência à insulina poderiam responder melhor a dietas com baixo teor de carboidratos.
3) O tipo de nutriente predominante poderia influenciar no resultado de perda de peso.

Sobre o estudo Dieta Low-Fat vs. Low-Carb:

O DIETFITS (Diet Intervention Examining the Factors Interacting With Treatment Success) teve como principal objetivo: testar se um conjunto de três padrões de genótipo ou diferenças no padrão de secreção de insulina, ou ambos, predispõem indivíduos a diferentes respostas na perda de peso após 12 meses, enquanto são submetidos a uma dieta com baixo teor de gordura (LFD) versus baixo teor de carboidratos (LCD).

– O estudo incluiu 609 adultos entre 18 e 50 anos de idade, sem diabetes, e com índice de massa corporal entre 28 e 40Kg/m².

– Os participantes foram randomizados para 12 meses de dieta saudável com baixo teor de gordura ou dieta saudável com baixo teor de carboidratos.

– Os participantes foram instruídos a reduzir a ingestão de carboidratos ou gorduras totais a 20 g/d durante as primeiras 8 semanas do estudo.

Gorduras ou carboidratos foram reintroduzidos lentamente em incrementos de 5 a 15 g/d por semana até atingir o menor nível de ingestão que acreditavam que poderia ser mantido indefinidamente. Não houve restrição calórica explícita. Ambos os grupos foram instruídos a maximizar a ingestão de vegetais, minimizar a ingestão de açúcares adicionados, farinhas refinadas e gorduras trans, e focar em alimentos integrais ricos em nutrientes, preparados em casa sempre que possível.

– O estudo também testou se três padrões de genótipo ou o padrão de secreção de insulina estiveram associados com a magnitude da perda de peso.

Foi realizado um exame de sangue para determinar a presença de polimorfismos de nucleotídeos únicos de três genes (PPARG, ADRB2 e FABP2) relacionados ao metabolismo de gorduras e carboidratos. Foram classificados como tendo um genótipo que se acredita responder a uma dieta com baixo teor de gordura, a uma dieta com baixo teor de carboidratos ou a nenhuma delas.

– Um teste oral de tolerância à glicose foi realizado para determinar os níveis de insulina no sangue 30 minutos após sobrecarga de glicose.

– Foram realizadas 22 reuniões de instrução com os participantes ao longo de 12 meses.

– Os participantes foram estimulados a se manterem ativos.

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Resultados:

– A dieta no grupo com baixo teor de gordura teve 48% de carboidratos, 29% de gorduras e 21% de proteínas, e no grupo de baixo teor de carboidratos foram 30% de carboidratos, 45% de gorduras e 23% de proteínas.

– Não houve diferença significativa na perda de peso após 12 meses de LFD (5,3Kg) ou LCD (6Kg).

– A média da perda de peso aos 12 meses foi semelhante entre os grupos de dieta, sendo maior do que 5% do peso corporal basal, porém houve uma grande variação nos resultados entre os indivíduos de ambos os grupos, refletindo aproximadamente 40kg dentro de cada grupo de dieta (desde a perda de cerca de 30 kg até o ganho 10 kg) durante a intervenção.

Isso representa uma imensa variabilidade na perda de peso, mas, ao contrário das hipóteses do estudo, não houve associação entre o padrão de genótipo ou os níveis basais de insulina e uma propensão para ter mais sucesso em qualquer das dietas ao final de 12 meses.

Os autores concluem que quando a ênfase em alimentos de qualidade é a mesma tanto para dietas com baixo teor de gordura como para aquelas com baixo teor de carboidratos, não há justificativas para direcionar um indivíduo com alto nível de secreção de insulina que busca a perda de peso a seguir um plano de alimentação pobre em carboidratos em vez de um plano alimentar com baixo teor de gorduras, pois ambos podem ser eficazes. É importante que o paciente escolha um plano alimentar que julgue ser capaz de manter em longo prazo.

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Autora:

Daniele Zaninelli

Graduada em Medicina pela UFPR (1998) ⦁ Especialização em Endocrinologia e Metabologia no HC/UFPR ⦁ Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia (2003) ⦁ Mestrado no Serviço de Endocrinologia e Metabologia pelo Departamento de Clínica Médica do HC/UFPR ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia / Membro da Endocrine Society

Referências:

  • JAMA – Effect of Low-Fat vs Low-Carbohydrate Diet on 12-Month Weight Loss in Overweight Adults and the Association With Genotype Pattern or Insulin Secretion The DIETFITS Randomized Clinical Trial. 2018.

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