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Diretriz Brasileira de Cardiologia do Esporte: veja novas recomendações

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Tempo de leitura: 3 minutos.

Neste artigo apresentaremos um resumo, dividido em partes, dos pontos mais importantes da mais recente atualização da Diretriz de Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte, 2019.

O primeiro ponto a ser exposto e conceituado é a diferença entre atividade física e exercício físico. De acordo com Caspersen et al. em 1985, todo movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético é denominado atividade física. Já o exercício físico pode ser conceituado como um tipo especial de atividade física que é planejada, estruturada e repetitiva, tendo como objetivos finais ou intermediários a manutenção e a melhoria da saúde, do condicionamento físico, da estética corporal ou performance em competições.

Em seguida, destaca-se o segundo ponto fundamental, qual seja, o correto entendimento sobre o que é ser esportista amador e atleta. Vejamos abaixo:

Esportista amador – caracterizado pelo indivíduo adulto que pratica atividades físicas e esportivas de maneira regular, de moderada a alta intensidade, competindo eventualmente, porém, sem vínculo profissional com o esporte.

Atleta profissional – Caracterizado por indivíduos que:

  • Praticam atividades esportivas com objetivo de melhorar resultados/desempenho;
  • Participam ativamente de competições esportivas;
  • Têm o treinamento e a competição esportiva como sua maior atividade ou como foco de interesse pessoal.

Dedicam muitas horas da maioria dos dias para estas atividades, excedendo o tempo dispensado para outros tipos de atividades profissionais ou de lazer.

Podem, ainda, ser classificados quanto à idade em:

  • Jovens atletas – 12 a 17 anos.
  • Atletas adultos – 18 a 35 anos.
  • Atletas máster – 35 anos ou mais.

Diante desses dois conceitos iniciais, as avaliações pré-participação serão diferentes, pois entende-se que a intensidade, o volume e a frequência de treinos não serão os mesmos. Logo, o objetivo da avaliação pré-participação é prevenção de desenvolvimento das doenças cardiovasculares e o rastreio de morte súbita ou fatores que levem a este problema.

Dessa forma, as sociedades médicas pelo mundo orientam como fazer e quais exames complementares poderiam ser solicitados. De acordo com AHA, os esportistas ou atletas devem responder a um questionário de saúde, pois, segundo eles, isso diminuiria o custo financeiro e psicológico. Já o ESC orienta a realização de anamnese, buscando história de morte súbita, exames físicos e ECG, tendo em vista que regiões como de Veneto, na Itália, têm grande incidência de displasia arritmogênica de VD.

Esse panorama geral será capaz de nortear, de forma objetiva, a conduta no primeiro momento. Já a diretriz detalhará a anamnese e o exame físico desses atletas, além de indicar a forma de análise e interpretação dos exames complementares.

A anamnese obedece ao questionário canadense PAR-Q, acrescido de outros questionamentos, como demonstra a tabela abaixo:

Além dessas questões, é necessário saber a origem do atleta para rastreio de Chagas, Anemia Falciforme e Hemoglobinopatias.

No exame físico, busca-se identificar condições clínicas, como anemia, alterações posturais, focos infecciosos (p.ex. dentário), asma brônquica, obesidade, diabetes mellitus, HAS, alterações na ausculta pulmonar e cardíaca. Ademais, privilegia-se a procura de sinais característicos e relacionados com a possibilidade de uma doença cardiovascular, como presença de sopro cardíaco, terceira ou quarta bulhas, estalidos valvares, alterações na palpação dos pulsos de membros superiores e inferiores, características físicas de síndrome de Marfan ou de outras doenças da aorta.

No ECG devem ser avaliados os achados descritos abaixo na tabela 3, diferenciando o que são achados fisiológicos ou patológicos.

Os exames laboratoriais podem complementar a avaliação, solicitando-se, basicamente, hemograma completo, glicose em jejum, ureia, creatinina, sódio, potássio, lipidograma, ácido úrico, hepatograma, coagulograma, EPF e EAS. Tais exames terão como objetivo a pesquisa de doenças relacionadas ao esporte e que podem alterar a performance desse atleta e/ou esportista. Outros exames laboratoriais também podem ser solicitados, sempre de acordo com a história clínica, áreas endêmicas, etnia, etc.

Além disso, algumas particularidades devem ser obedecidas quando há alterações no exame físico e/ou ECG, necessitando ser investigados por outros métodos diagnósticos. Com isso, o teste ergométrico e o teste cardiopulmonar são exames funcionais que contribuem para análise de alterações induzidas pelo esforço, como isquemia, arritmias, respostas da pressão arterial ao esforço e outros parâmetros diretos e indiretos, que podem ajudar na prescrição de exercícios, observando sempre as zonas de treinamento.

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O ecocardiograma tem papel fundamental por ser um exame simples e que possui grande importância para achados estruturais ligados à morte súbita, como CMH e alterações congênitas. Caso haja necessidade de aprofundar a investigação, sugere-se solicitar exames mais acurados, como ressonância, holter, angiotomografia e etc.

Concluindo essa primeira parte, que abrange (I) anamnese; (II) exame físico; e (III) exames complementares, destaca-se que: (a) esportistas de até 35 anos de idade, sem comorbidades, devem fazer consulta com cardiologista e ECG; (b) esportistas acima de 35 anos devem fazer consulta, ECG, análises sanguíneas e teste ergométrico. Caso seja identificada alguma comorbidade, aprofunda-se a investigação; e (c) atletas de elite devem sempre ter uma avaliação pré-participação completa, ou seja, história, exame físico, laboratório, ecocardiograma, teste ergométrico ou cardiopulmonar.

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