Pediatria

É seguro o uso de lentes de contato gelatinosas em crianças?

Tempo de leitura: 2 min.

De acordo com um estudo publicado no jornal Ophthalmic & Physiological Optics, o uso de lentes de contato gelatinosas, em crianças e adolescentes de 8 a 16 anos, apresenta faixas aceitáveis de segurança. O objetivo foi verificar a segurança do uso de lentes de contato gelatinosas nessa faixa etária, por meio de uma revisão retrospectiva de prontuários.

Foram incluídos os prontuários de 963 crianças, sendo 782 pacientes de sete clínicas oftalmológicas dos Estados Unidos e 181 indivíduos incluídos em dois ensaios clínicos randomizados internacionais. Os pacientes foram adaptados pela primeira vez aos 8-12 anos de idade, com vários designs de lentes de contato gelatinosas, prescrições e cronogramas de substituição, e observados até os 16 anos de idade. Os registros de eventos adversos potenciais foram digitalizados eletronicamente e analisados em um consenso.

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas
Cadastrar Login

Houve reações adversas significativas no uso de lentes de contato gelatinosas por crianças?

Os pesquisadores encontraram um total de 2.713 anos de uso e 4.611 idas ao oftalmologista pelo uso de lentes de contato. A coorte foi de 46% do sexo masculino e 60% foram inicialmente adaptados com lentes de contato gelatinosas descartáveis diárias. A idade média da primeira adaptação foi de 10,5 anos, com uma média de 2,8 +/- 1,5 anos de uso. Houve 122 potenciais eventos adversos oculares observados em 118/963 (12,2%) indivíduos. A taxa anual de eventos adversos inflamatórios não infecciosos foi de 0,66%/ano e 0,48%/ano para conjuntivite papilar por lente de contato. Após o consenso, dois casos de ceratite microbiana presumida ou provável foram identificados, uma taxa de 7,4/10.000 anos de uso. Ambos eram adolescentes e um resultou em uma pequena cicatriz, sem perda da acuidade visual.

Segundo os pesquisadores, o resumo dos eventos adversos não significativos vivenciados por esses jovens usuários, mostrou uma taxa relativamente alta de conjuntivite (19 casos) e abrasão/corpo estranho (14 casos), o que parece razoável em uma amostra de crianças em idade escolar. Esses resultados mostram os desfechos de segurança, derivados principalmente de visitas de rotina e não exclusivamente de ensaios clínicos com visitas definidas frequentes; a maioria desses jovens fazia exames oftalmológicos, aproximadamente uma vez por ano, e só compareciam a uma consulta oftalmológica fora desse escopo quando apresentavam algum problema.

Conclusão

Para os pesquisadores, esses resultados garantem uma faixa aceitável de segurança durante o uso das lentes de contato gelatinosas, em crianças de 8 a 16 anos, o que deve ser reforçado com protocolos que enfatizem as melhores práticas para o uso seguro das lentes. Por fim, os pesquisadores concluem que os resultados do estudo atual ajudam a responder às preocupações dos pais e profissionais sobre o risco/benefício do uso de lentes de contato gelatinosas no mundo real em crianças e adolescentes e garantem a segurança relativa do uso dessas lentes na faixa etária de 8 a 16 anos.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Chalmers RL, McNally JJ, Chamberlain P, Keay L. Adverse event rates in the retrospective cohort study of safety of paediatric soft contact lens wear: the ReCSS study. Ophthalmic Physiol Opt. 2021 Jan;41(1):84-92. doi: 10.1111/opo.12753. Epub 2020 Nov 11. PMID: 33179359.
Compartilhar
Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

Posts recentes

Hematoma subdural: caso clínico na emergência [podcast]

Neste episódio, o Dr. Felipe Nóbrega vai falar sobre o hematoma subdural no contexto de…

3 horas atrás

Acometimento neurológico em crianças com síndrome hemolítico-urêmica típica: dados de uma revisão retrospectiva

A síndrome hemolítico-urêmica (SHU) é um quadro grave, sendo a principal causa de insuficiência renal…

3 horas atrás

Anestesia e hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma das doenças endócrinas mais comuns e caracterizado pela baixa atividade da…

4 horas atrás

Cinco dicas para falar sobre fertilidade com seus pacientes

De acordo com um estudo realizado em Nova Jersey, nos EUA, apenas 25% das mulheres…

5 horas atrás

CHEST 2021: Abordagem da fístula aérea persistente em pacientes com pneumotórax

Pacientes com pneumotórax são cada vez mais comuns dentro da UTI, especialmente no contexto da…

6 horas atrás

CHEST 2021: Tratamento cirúrgico no DPOC: quando e como indicar?

A DPOC acomete milhões de pessoas em todo o mundo e é a terceira maior…

7 horas atrás