Ebola (Parte I) – O medo que se espalha é real?

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Pense por um segundo se você ou alguém próximo a você estivesse no voo 1143 da Frontier Airline. Neste voo estava a enfermeira Amber Vinson, a segunda a contrair o Ebola em Dalas (Texas). O pânico que passou a tomar conta de passageiros de voos internacionais, profissionais de saúdes e pessoas que lidam com o grande público pode se justificar muito mais pela mídia em si do que a real preocupação dos órgão reguladores de saúde. Pessoas de todo o mundo, principalmente nos EUA, onde os casos fora da África surgem de maneira salpicada, passaram a redobrar atenção qualquer sinal de febre, dor abdominal, mialgia, ou outros sinais, tornando-se em expositores de si mesmo e dos outros frente a suspeitas. Não que realmente não se justifique, porém, será que estamos mais paranóicos em relação a doença do que deveríamos?

Apesar desta ser a maior epidemia de Ebola de todos os tempos, países fora da África ocidental, os quais não apresentam números significativos de casos, parecem estar mais bem preparados a lidar com o uma possível emergência pública. O que se percebe é mais um ansiedade epidêmica mundial do que uma real epidemia – “What we’re seeing here, currently, is more of an outbreak of anxiety about Ebola without an actual outbreak of Ebola” (Jeff Duchin, MD – Public health committee for the IDSA). Apenas comparativamente, nos Estados Unidos morrem aproximadamente 45.000 pessoas em acidentes de trânsito todos os anos, e nem por isso as pessoas não deixam de utilizar os seus carros. A grande diferença, diz o Dr. Duchin, é que no carro sentimos um poder de controle e decisões. No Ebola não temos essa possibilidade.

O tema se tornou tão relevante que o CDC produziu um material geral para orientação. O material, chamado de “O básico sobre o Ebola” aborda quatro pontos principais:

(1) Como o ebola NÃO se dissemina;

(2) Como você pode se contaminar;

(3) Quais são os sintomas iniciais;

(4) Qual o período no qual o vírus é transmitido por alguém contaminado.

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cdc.gov

Todavia, desde 8 de agosto, 33 semanas desde o inicio da nova epidemia, quando a OMS declarou como uma epidemia que representa uma Emergência de Saúde Pública Internacional, diversos órgão estão em busca de medidas para reduzir a chance de uma disseminação internacional da doença. Definiram-se diversas recomendações e declarado estado de emergência e contenção de desastres nos quatro principais países afetados (Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria). Assim a OMS objetivou reduzir as chances de um desastre internacional.

“Health services are understaffed. Essential personal protective equipment is in short supply. Capacities for laboratory diagnosis, clinical management, and surveillance are limited, and delays in diagnosis impede contact tracing. On top of these problems, health services are operating in a climate of fear and discrimination.” (The International Ebola Emergency)

Todas essas medidas são fundamentais e todo aprendizado voltado a este tema conduz a uma melhor chance de vencermos essa epidemia. O importante é sabermos utilizar esse conhecimento de maneira racional, criando mecanismos de precaução adequado, porém, sem criar pânico e receio entre as pessoas.

Na última semana, a família de Amber Vinson, a enfermeira texana contaminada e que está em tratamento no Emory University Hospital em Atlanta, anunciou que a mesma não apresentava mais o vírus.

Leia também:

Referências:

  • WHO Ebola Response Team – Ebola Virus Disease in West Africa — The First 9 Months of the Epidemic and Forward Projections – N Engl J Med 2014;371:1481-95
  • Sylvie Briand, M.D. et al. – The International Ebola Emergency – n engl j med 371;13
  • cdc.gov
  • uptodate.com
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