Em quanto tempo o tratamento intensivo da pressão arterial (PA) traz benefício para idosos?

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A respeito dos alvos terapêuticos para a pressão arterial (PA) em pacientes idosos hipertensos, as recomendações de diferentes guidelines podem se mostrar conflitantes. Por outro lado, grandes estudos recentes, como o STEP (Strategy of Blood Pressure Intervention in the Elderly Hypertensive Patients) e o SPRINT (Systolic Blood Pressure Intervention Trial) demonstram uma redução significativa do risco de ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes idosos quando utilizada estratégia mais intensiva (alvo de PA sistólica entre 110 e 130 mmHg), comparada a abordagem tradicional (alvo de PA sistólica entre 130 e 150 mmHg).

É preciso, entretanto, avaliar a relação risco-benefício do tratamento nesta população, uma vez que seus efeitos adversos prejudiciais (como quedas e síncope) podem ocorrer imediatamente, enquanto que seus benefícios surgem apenas ao longo do tempo.

Ou seja, para a tomada de decisão a respeito da estratégia de controle da pressão arterial, principalmente quando a expectativa de vida do paciente é limitada, é muito importante saber o tempo necessário para o surgimento dos seus benefícios – neste caso, a redução da ocorrência de eventos cardiovasculares.

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Estudo sobre tratamento intensivo da PA

Nesse sentido, com o objetivo de estimar o tempo necessário para que o controle intensivo da PA possa gerar benefício em pacientes idosos, um estudo publicado em maio de 2022 na revista JAMA Internal Medicine avaliou dados de 27.414 pacientes hipertensos com 60 anos ou mais, provenientes de 6 ensaios clínicos randomizados publicados até outubro de 2021. Os desfechos de interesse foram considerados os eventos adversos cardiovasculares maiores, como infarto do miocárdio, acidentes vasculares e causas cardiovasculares de morte, comparando a abordagem de redução “tradicional” da PA com a abordagem de redução “intensiva”. A média de idade da população estudada foi de 70 anos, sendo 56,3% dela composta por mulheres.

O controle intensivo da pressão arterial, com alvo abaixo de 140 mmHg, foi associado significativamente a uma redução de 21% no risco de ocorrência de eventos adversos cardiovasculares (IC 95% 0,71-0,88, P<0,001). Com relação ao tempo necessário de tratamento intensivo para o surgimento de benefício, em média, 9,1 meses foram necessários para prevenir um evento cardiovascular em 500 pacientes (IC 95% 4,0-20,6). Do mesmo modo, 19,1 meses foram estimados para evitar um evento cardiovascular em 200 pacientes (IC 95% 10,9-34,2) e 34,4 meses para o mesmo em 100 pacientes (IC 95% 22,7-59,8). Temos, portanto, que são necessários cerca de três anos para que o tratamento intensivo de controle da PA em idosos hipertensos evite o aparecimento de um evento cardiovascular maior em cada 100 pacientes.

Esses resultados sugerem que, para a maioria dos pacientes com expectativa de vida menor do que um ano, os danos causados pelo tratamento intensivo podem superar os seus benefícios. Em contrapartida, para a maioria dos pacientes com expectativa de vida maior do que três anos, os benefícios tendem a superar os potenciais danos e o controle mais intensivo da pressão arterial parece estar recomendado.

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Em suma, os resultados do estudo corroboram a importância de se avaliar a relação risco-benefício no tratamento da hipertensão em idosos, levando em consideração não apenas a expectativa de vida, mas também as características do paciente (comorbidades, condições socioeconômicas etc), seus valores e suas preferências. A abordagem deve ser individualizada, O risco cardiovascular individual deve ser avaliado e as opções terapêuticas – mais ou menos intensivas – discutidas em equipe e sempre em conjunto com o paciente.

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# Chen, T., Shao, F. et al. Time to Clinical Benefit of Intensive Blood Pressure Lowering in Patients 60 Years and Older With Hypertension: A Secondary Analysis of Randomized Clinical Trials. JAMA Internal Medicine; Maio, 2022. doi: https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2022.1657 
Referências bibliográficas:

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