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Com a chegada do verão, cresce a preocupação com as doenças febris agudas. Nos últimos anos, o espectro de diagnósticos diferenciais tem se alterado, com a inclusão da Chikungunia e, mais recentemente, da Febre do Nilo. Todos os casos suspeitos dessas doenças devem ser de notificação compulsória, exceto em epidemias específicas.

Dados do Ministério da Saúde (Dezembro/2014) reportam 1293 casos autóctones de Chikungunia e, em 28/11/2014, foi confirmado o primeiro caso de Febre do Nilo Ocidental no Brasil, em um trabalhador rural no Piauí.

Apesar dos critérios clínico-epidemiológicos serem os principais pontos do diagnóstico, como a apresentação clínica pode ser variável, os antecedentes de viagem e contato com outros casos são muito importantes.

Embora muitos casos sejam definidos a partir da história clínica, tem-se hoje a disponibilidade de exames complementares específicos. Abaixo, listamos rotinas diagnóstica para os pacientes com síndrome febril de etiologia provavelmente infecciosa. Certamente, algumas diferenças devem ser notadas, conforme cada caso.

Dengue

  • Hemograma: se prova do laço, sinais de alarme ou choque ou grupos de risco.
  • Teste rápido NS1: Útil nos primeiros 4 dias; resultado negativo não exclui (considerar fazer sorologia). Indicação: para pacientes com sinais de alarme ou choque.
  • Sorologia: a partir do 6o dia de sintomas. Indicação: para os grupos de risco (criança, idoso, gestante, comorbidades, risco social).

Chikungunya

  • Hemograma: Em todos os casos suspeitos.
  • Sorologia: IgM positiva a partir do 5o dia (1-12 dias) e IgG inicia em 2 semanas e persiste por anos.
  • PCR viral: a partir do 5o dia de sintomas.
  • Cultura do vírus: principalmente na primeira semana de doença.

Febre do Nilo Ocidental:

  • Hemograma: Em todos os casos suspeitos.
  • Sorologia: A dosagem de IgM (Elisa) no sangue ou no líquor é o exame inicial de escolha. Torna-se positiva entre 4-10 dias e pode persistir por até 6 meses. O teste PRNT é uma alternativa com maior sensibilidade, porém disponível apenas em centros de pesquisa.
  • PCR viral: Indicado para pacientes imunocomprometidos, ou com deterioração clínica rápida, com exposição prévia a outros flavivirus (Dengue, Febre Amarela) e, agora, já usado nos Estados Unidos para doações de sangue.

Certamente, a maioria dos casos suspeitos (e também confirmados) no próximo verão ainda serão de Dengue. Nessa situação, certifique-se sempre dos seguintes passos:

  1. Prova do laço: na 1a consulta; repetir nas próximas, se negativo;
  2. Cartão da dengue (se suspeito ou confirmado);
  3. Notificação;
  4. Seguimento ambulatorial: Repetir hemograma e reavaliação a cada 24-48 horas.

Outros diagnósticos devem ser sempre considerados neste contexto clínico: Hepatites virais, Influenza, Malária, Febre tifóide, Febre Maculosa, Leptospirose, Febre Q e, recentemente, febres hemorrágicas (Ebola). Para saber mais sobre eles, acompanhe nossas postagens semanais!

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