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Estilo de vida saudável reduz chances de desenvolvimento de glaucoma

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Apesar da possibilidade de reduzir a pressão intraocular (PIO) através de medicações, a cirurgia a laser continua sendo o principal meio de tratamento do glaucoma. No entanto, há evidências científicas crescentes durante a última década de que fatores ambientalmente modificáveis – como o estilo de vida, a prática regular de exercícios físicos e uma alimentação balanceada – ​​podem ajudar a prevenir o glaucoma ou a sua progressão.

Recentemente, cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, avaliaram mais de 11 mil pessoas, a partir dos 40 anos, e descobriram que, entre os mais ativos fisicamente, a incidência de glaucoma era significativamente menor.

Para ter uma ideia, a cada dez minutos a mais de práticas entre moderadas e intensas por semana, o perigo de sofrer com esse problema caía 25%. A descoberta é interessante principalmente porque, até algum tempo atrás, ainda não se acreditava que um estilo de vida saudável auxiliasse na prevenção ao glaucoma.

Outra pesquisa científica mostra como uma alimentação balanceada também contribui para a redução dos casos de glaucoma. Estudos realizados na Harvard Medical School, nos Estados Unidos, concluíram que comer verduras diariamente pode baixar o risco de desenvolver glaucoma para algo em torno de 20%.

Glaucoma e estilo de vida

A pesquisa acompanhou mais de 100 mil pessoas, de 1984 até 2014, todas com visão saudável no início. Depois de 25 anos de acompanhamento, 1.500 delas desenvolveram o glaucoma. Os participantes estavam divididos em cinco grupos de pessoas que consumiam saladas e verduras em intensidades diferentes. Aqueles que comiam mais verduras foram mais beneficiados. As saladas e as verduras contêm substâncias que regulam o fluxo sanguíneo no nervo óptico, reduzindo as chances do surgimento da doença.

Segundo Silvia Lagrotta, geriatra e uma das fundadoras do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV), a maioria dos casos de glaucoma é ligada a um estilo de vida desequilibrado, com influência direta do tabagismo, do sedentarismo e do consumo de alimentos inflamatórios, principalmente de origem animal e ultraprocessados.

“Através da modificação dos hábitos que levam ao desenvolvimento da doença, podemos preveni-la, estabilizá-la e, em alguns casos, até conseguir que o paciente volte a enxergar”, afirma a especialista.

Na última década, grandes estudos de base populacional ajudaram a identificar possíveis fatores de proteção e risco ambientalmente modificáveis em relação à doença glaucomatosa. Parar de fumar, exercício aeróbico moderado, peso recomendado e uma dieta balanceada – incluindo verduras de folhas verdes, ácidos graxos ômega e uma ingestão mais moderada de chá quente e café – foram possivelmente agentes protetores contra o desenvolvimento de glaucoma ou da sua progressão.

Esses grandes estudos populacionais mostram que o glaucoma, assim como outras doenças crônicas inflamatórias (diabetes tipo 2, hipertensão), é encadeado por um estilo de vida pouco saudável, sedentário e com uma alimentação desregrada.

A geriatra explica que os indivíduos que mantêm um estilo de vida equilibrado, fazendo atividades físicas regulares, se alimentando de forma balanceada, dormindo 8 horas de sono, tomando sol e evitando o abuso do cigarro e álcool tem grandes chances de não desenvolver enfermidades crônicas, como o glaucoma.

Mas, é claro, que a carga genética positiva para certas doenças também é um fator de risco, mas não determinante. “Esses estudos mostram que os nossos genes não são mais o nosso destino”, enfatiza Silvia Lagrotta.

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Referências:

  • Claudio I. Perez; Kuldev Singh; Shan Lin. Relationship of Lifestyle, Exercise, and Nutrition With Glaucoma. Curr Opin Ophthalmol. 2019;30(2):82-88.

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