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cigarro no cinzero

Estratégias para cessação do tabagismo em crianças e adolescentes

A natureza altamente viciante da nicotina é responsável pelo seu uso generalizado e pela dificuldade em parar. A revista Pediatrics publicou uma discussão acerca da substância, com foco na criança e no adolescente, e pontuou as abordagens mais recentes para cessação do tabagismo.

Segundo os últimos estudos, começar a fumar em uma idade mais jovem – durante a infância ou adolescência – está associada a um vício mais grave e redução das taxas de cessação do tabagismo.

A farmacoterapia para a dependência do tabaco tem sido claramente demonstrada como segura e eficaz para adultos, com melhora nas taxas de cessação. No entanto, quando o paciente é adolescente, existe a preocupação de que a terapia de reposição de nicotina pode mudar a trajetória do desenvolvimento neurológico.

Segundo a American Academy of Pediatrics, a farmacoterapia pode ser considerada para ajudar dependentes moderados a severos que querem parar de fumar, apesar dos desafios com a adesão e as altas taxas de recidiva resultantes. Pesquisas adicionais são necessárias para avaliar o uso desses medicamentos em jovens em vários estágios de uso.

Os cigarros eletrônicos foram muito promovidos como auxílios à cessação do tabagismo, mas estudos recentes não foram capazes de documentar a sua eficácia em adultos. As pesquisas sugerem que o uso de cigarros eletrônicos pode encorajar o uso de cigarros convencionais entre os adolescentes.

Nova abordagem

Em relação a novas abordagens para cessação do tabagismo, a Pediatrics destacou o uso de vacina anti-dependência, que irá induzir anticorpos que bloqueiam os efeitos farmacológicos da nicotina. A vacina teve boas taxas de sucesso em animais e segue em desenvolvimento, mas ainda não há previsão de lançamento.

Enquanto a nicotina é o componente chave dos produtos de tabaco necessários para o desenvolvimento e manutenção da dependência, fatores comportamentais, sociais, ambientais e psicológicos também contribuem para esse processo. A maioria das pesquisas sobre o tratamento da dependência do tabaco de adolescentes tem se concentrado em intervenções de base comportamental.

Estas intervenções são mais eficazes para aqueles com graus leves de dependência e menos eficazes (embora ainda de algum benefício) para aqueles com dependência grave. O Serviço de Saúde Pública dos EUA recomenda as seguintes modalidades de aconselhamento:

  • estratégias cognitivo-comportamentais (auto-monitoramento e habilidades de enfrentamento);
  • estratégias motivacionais (técnicas para esclarecer o desejo de mudança e reduzir a ambivalência em relação à mudança);
  • e estratégias de influência social.

Os dados são limitados para suportar qualquer abordagem clínica para a cessação do consumo de nicotina pelos adolescentes.

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Dra. Ana Carolina Pomodoro, pediatra e colunista da PEBMED, fala mais sobre as conclusões do artigo:

“Infelizmente, cada vez mais vemos nossos jovens envolvidos com vícios relacionados ao uso do tabaco, principalmente nos ambientes de festas sem a supervisão dos responsáveis. Muitos ainda acham que tal dependência não ocorrerá no caso deles.

É nosso papel, como pediatras / médicos em geral, alertar as famílias e os próprios adolescentes sobre o risco de usar nicotina e tabaco. Como é bastante difícil deter o uso dessas substâncias, é extremamente importante fazer a prevenção quando detectamos o início da utilização ou alguma propensão ao uso.

Vale lembrar que as crianças e os adolescentes possuem o cérebro em rápido desenvolvimento, estando particularmente susceptíveis à dependência de nicotina”, alerta Dra. Ana.

Referências:

  • Nicotine and Tobacco as Substances of Abuse in Children and Adolescents. Lorena M. Siqueira, COMMITTEE ON SUBSTANCE USE AND PREVENTION. Pediatrics Jan 2017, 139 (1) e20163436; DOI: 10.1542/peds.2016-3436

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