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Estudo questiona precisão dos escores de risco cirúrgico

Tempo de leitura: 2 minutos.

Na diretriz americana (AHA) mais recente sobre avaliação pré-operatória em cirurgias não-cardíacas, o “risco cirúrgico”, três escores de risco são recomendados: o Índice de Risco Cardíaco Modificado (IRCM), ou escore de Lee; The American College of Surgeons National Surgical Quality Improvement Program Surgical Risk Calculator (NSQIP); e o The National Surgical Quality Improvement Program Myocardial Infarction or Cardiac Arrest (myocardial infarction or cardiac arrest) calculator. No Brasil, a recomendação é diferente pela SBC, tendo sido adotados o IRCM, o EMAPO (nacional) e o da ACP.

Estudo compara os escores

Um estudo recente publicado na Anesthesiology comparou os três escores da diretriz americana. Os pacientes foram selecionados do banco de dados dos EUA de cirurgia não cardíaca, cadastrados no American College of Surgeons National Surgical Quality Improvement Program. Os autores recrutaram apenas cirurgias de médio a alto risco eletivas, totalizando 10.000 procedimentos. Cerca de 60% da população tinha < 65 anos de idade, a maioria ASA II ou III e 50% de hipertensos; contudo, havia poucos pacientes com cardiopatia (<1% com IC ou DAC). A maior parte das cirurgias foi de abdômen superior. Para simplificar, os escores foram categorizados em baixo (<1%) ou alto (>1%) risco de eventos cardiovasculares.

Os resultados mostraram que houve discordância entre os escores em 30% dos casos!!! A principal discordância foi entre o IRCM e os outros dois escores. Os autores atribuem o achado à “excessiva” simplificação do IRCM, que inclui menos parâmetros que os demais (6 vs 20) e ao fato dele ter sido validado há mais tempo. Por outro lado, o estudo foi feito com uma base de dados que favorece os dois escores mais novos!

Qual a conclusão para nossa vida prática?

Por enquanto nada muda. Sugerimos o uso de nossos artigos sobre risco cirúrgico e da nova diretriz brasileira. O IRCM, por sua simplicidade e aplicabilidade em nossa realidade, provavelmente seguirá como o mais usado. Mas há um dever de casa: estudar sua precisão/calibração na nossa população e, o principal, se estratificar os pacientes com este escore de fato melhora o desfecho clínico no pós-operatório!

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Autor:

Referências:

  • 2014 ACC/AHA Guideline on Perioperative Cardiovascular Evaluation and Management of Patients Undergoing Noncardiac Surgery. Lee A. Fleisher, MD, FACC, FAHA, Chair, Kirsten E. Fleischmann, MD, MPH, FACC, Vice Chair, Andrew D. Auerbach, MD, MPH, Susan A. Barnason, PhD, RN, FAHA, Joshua A. Beckman, MD, FACC, FAHA, FSVM, Biykem Bozkurt, MD, PhD, FACC, FAHA, Victor G. Davila-Roman, MD, FACC, FASE, Marie D. Gerhard-Herman, MD, Thomas A. Holly, MD, FACC, FASNC, Garvan C. Kane, MD, PhD, FAHA, FASE, Joseph E. Marine, MD, FACC, FHRS, M. Timothy Nelson, MD, FACS, Crystal C. Spencer, JD, Annemarie Thompson, MD, Henry H. Ting, MD, MBA, FACC, FAHA, Barry F. Uretsky, MD, FACC, FAHA, FSCAI, and Duminda N. Wijeysundera, MD, PhD, Evidence Review Committee Chair
  • Laurent G. Glance, Eric Faden, Richard P. Dutton, Stewart J. Lustik, Yue Li, Michael P. Eaton, Andrew W. Dick; Impact of the Choice of Risk Model for Identifying Low-risk Patients Using the 2014 American College of Cardiology/American Heart Association Perioperative Guidelines. Anesthesiology 2018;129(5):889-900. doi: 10.1097/ALN.0000000000002341.

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