Existe relação do IMC com o risco de fraturas em crianças pré-escolares?

Tempo de leitura: 3 min.

Segundo o estudo “Preschool Obesity Is Associated With an Increased Risk of Childhood Fracture: A Longitudinal Cohort Study of 466,997 Children and Up to 11 Years of Follow-up in Catalonia, Spain”, publicado no Journal of Bone and Mineral Research, crianças pré-escolares com índices de massa corporal (IMC) mais elevados apresentaram probabilidade significativamente maior de sofrer fraturas nos membros superiores e inferiores antes dos 15 anos de idade, do que crianças com peso normal.

Este estudo, conduzido por Lane e colaboradores, teve como objetivo determinar se a presença de um IMC mais elevado no período pré-escolar estaria associada ao aumento da incidência de fraturas na infância. Os pesquisadores se basearam em estudos prévios em pacientes adultos que evidenciaram associações entre fraturas e obesidade.

IMC e risco de fraturas em crianças

A metodologia consistiu em uma coorte dinâmica de crianças que se submetem à triagem de rotina de atenção primária pré-escolar. Os dados foram extraídos da plataforma Information System for Research in Primary Care (SIDIAP), na Catalunha, Espanha. Foram coletadas informações referentes a 296 centros de atenção primária, representando 74% da população pediátrica regional.

Os pesquisadores incluíram 466.997 crianças (48,6% do sexo feminino) entre 2006 e 2013. Essas crianças foram avaliadas a partir dos 4 anos de idade e acompanhadas até os 15 anos ou até que deixassem a região, ou morressem, ou até 31 de dezembro de 2016.

Leia também: Maior risco de fratura em pacientes jovens utilizando benzodiazepínicos

O IMC foi calculado aos 4 anos de idade e classificado pelas tabelas de crescimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o cálculo dos escores z específicos para idade e sexo. As categorias foram definidas como baixo peso (< escore z -2), peso normal (-2 a +2 escore z ), sobrepeso (> escore z +2) e obesos (> escore-z +3).

As fraturas foram identificadas usando códigos da Classificação Internacional de Doenças décima edição (CID-10), previamente validados em registros eletrônicos de atenção primária, divididos por localização anatômica.

Tabelas atuariais foram usadas para calcular a incidência cumulativa. A regressão de Cox foi utilizada para investigar a associação da categoria IMC e risco de fratura, com ajuste para status socioeconômico, idade, sexo e nacionalidade.

Resultados

O acompanhamento médio foi de 4,90 anos [intervalo interquartil (IQR) 2,50 a 7,61].

As incidências cumulativas para qualquer fratura na infância foram:

  • Baixo peso: 9,20% [intervalo de confiança de 95% (IC 95%) 3,79-14,61%];
  • Peso normal: 10,06% (9,82-10,29%);
  • Sobrepeso: 11,28% (10,22- 12,35%);
  • Obesidade: 13,05% (10,69% a 15,41%).

Em comparação com crianças com peso normal, o IMC para sobrepeso e obesidade foi associado a um risco excessivo de fratura do membro inferior [hazard ratio ajustada (HR) = 1,42 (1,26-1,59) e 1,74 [1,46 a 2,06], respectivamente) e fratura do membro superior [HR ajustada = 1,10 (1,03-1,17) e 1,19 (1,07 a 1,31)], respectivamente.

De acordo com os pesquisadores, os resultados desse estudo foram limitados por vários fatores, incluindo a proporção menor que a média de crianças com medidas de IMC com sobrepeso ou obesidade, a natureza imprecisa do escore z como preditor de obesidade em crianças e a falta de dados sobre esportes e níveis gerais de atividade.

Mais da autora: Levetiracetam ou fenobarbital para tratamento de convulsões neonatais?

Conclusões

Lane e equipe concluíram que os resultados de seu estudo sugerem que intervenções para tratar a obesidade na primeira infância podem trazer benefícios para a prevenção primária ou secundária de fraturas mais tardiamente, e particularmente, prevenir fraturas no antebraço e mão ou pé e tornozelo. Todavia, pesquisas futuras podem ajudar os pesquisadores a compreender os mecanismos subjacentes à associação entre o peso e o risco de fratura.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Lane JC, Butler KL, Poveda-Marina JL, et al. Preschool Obesity Is Associated With an Increased Risk of Childhood Fracture: A Longitudinal Cohort Study of 466,997 Children and Up to 11 Years of Follow-up in Catalonia, Spain [published online ahead of print, 2020 Apr 7]. J Bone Miner Res. 2020;10.1002/jbmr.3984. doi:10.1002/jbmr.3984
Compartilhar
Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro
Tags: fraturasIMC

Posts recentes

Transtornos mentais em pacientes pós-internação por Covid-19

Pacientes que tiveram cuidados intensivos estariam mais propensos a transtornos mentais específicos ou a suas…

44 minutos atrás

IM/ACP 2021: confira as principais revisões apresentadas no congresso de Medicina Interna

Em abril, aconteceu o Internal Medicine Meeting (IM/ACP 2021), congresso de Medicina Interna realizado pelo…

2 horas atrás

Atualização de medicamentos e conteúdos novos em destaque

Mais uma atualização do Whitebook com muitas novidades: revisão de 31 medicamentos e 9 conteúdos…

18 horas atrás

Anestésico tópico: Qual é o impacto do uso em vias aéreas no pós-operatório?

O estudo analisou a efetividade do anestésico tópico nas vias aéreas para diminuir as chances…

19 horas atrás

Hemograma: Discordâncias da análise automatizada e microscopia óptica convencional

Devido ao grande avanço tecnológico, a análise do hemograma por meio de aparelhos totalmente automatizados…

20 horas atrás

Qual é a relação entre o lúpus e insuficiência cardíaca?

O lúpus eritematoso sistêmico pode acometer diversos órgãos e em mais de 50% das vezes…

21 horas atrás