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Fatores ambientais urbanos podem estar relacionados à saúde mental de crianças?

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Pesquisas recentes sugerem que fatores associados ao ambiente construído, como luz artificial, poluição do ar e ruídos, podem afetar a saúde mental das crianças, enquanto morar perto de espaços verdes pode reduzir o estresse.

Fatores ambientais e saúde mental

Estressores ambientais urbanos, incluindo luz artificial, poluição do ar e ruídos, são onipresentes em áreas de alta densidade populacional, e muitas pesquisas têm associado esses fatores à saúde mental. Um dos poluentes ambientais mais difundidos do ambiente construído é a luz artificial noturna (LAN), que causa interrupções nos ritmos circadianos e suprime a produção de melatonina à noite, perturbando os padrões normais de sono e levando a resultados adversos, como depressão e estresse. Além disso, comunidades de baixa renda em ambientes urbanos também tendem a ter maior poluição do ar.

Veja também: Desenvolvimento cognitivo e fatores sociais e comportamentais — indo além do biológico

A exposição ao dióxido de nitrogênio está diretamente associada ao mau desempenho em testes neurocomportamentais e avaliações de memória, enquanto partículas finas foram associadas ao comportamento adolescente delinquente. Por fim, estudos que avaliaram o ruído como um estressor ambiental mostraram associações com uma variedade de complicações no comportamento e de saúde mental das crianças.

Quando combinados com condições domésticas e da vizinhança, como exposição ao fumo passivo, estresse familiar, aglomeração e baixa renda familiar, esses fatores de estresse podem afetar a saúde infantil por meio de sistemas regulatórios essenciais do corpo, como os níveis de cortisol, por exemplo.

De acordo com um artigo publicado no JAMA Network Open, parece que a exposição a ambientes mais verdes pode melhorar a saúde mental de crianças. O objetivo do estudo Association of the Built Environment With Childhood Psychosocial Stress foi investigar associações entre componentes do ambiente construído com características pessoais e domésticas em crianças avaliadas quanto à percepção de estresse.

Metodologia

Os pesquisadores realizaram um estudo de coorte. Um total de 2.290 participantes do Southern California Children’s Health Study, residentes em 8 comunidades urbanas densamente povoadas, responderam a questionários detalhados.

As exposições a LAN derivadas de observações de satélite, poluição do ar perto da rodovia determinada a partir de um modelo de dispersão, ruído estimado do Modelo de Ruído de Tráfego dos Estados Unidos e espaço verde a partir de observações de satélite do índice de vegetação aprimorado foram vinculados para a residência de cada participante.

O estresse das crianças foi avaliado nas idades de 13 a 14 anos e de 15 a 16 anos usando a escala de quatro itens Perceived Stress Scale (PSS-4), com escores de 0 a 16, sendo que pontuações mais altas indicam maior estresse percebido. As medições foram realizadas em 2010 e 2012, e os dados foram analisados no período de 6 de fevereiro a 24 de agosto de 2019. Modelos multivariados de efeitos mistos foram usados para avaliar exposições múltiplas; análises de modificação e mediação também foram conduzidas.

Resultados

Entre as 2.290 crianças neste estudo, 1.149 eram meninas (50%). A idade média foi de 13,5 anos. As meninas tiveram percepção de estresse medida pelo PSS-4 com uma pontuação média de 5,7, significativamente maior do que os meninos (4,9). Com o aumento da idade, de 13,5 para 15,3 anos, a pontuação média do PSS-4 aumentou de 5,6 para 6,0 nas meninas. No entanto, a pontuação diminuiu para os meninos de 5,0 para 4,7.

Um aumento do intervalo interquartil (IQR) em relação à LAN foi associado a um aumento de 0,57 (intervalo de confiança de 95% [IC 95%], 0,05-1,09) na pontuação PSS-4, juntamente com um aumento de 0,16 na pontuação por aumento de IQR de poluição do ar próximo à rodovia (95% CI, 0,02-0,30) e uma diminuição de pontuação de -0,24 por aumento de IQR do índice de vegetação aprimorado (95% CI, -0,45 a -0,04).

A renda modificou a estimativa do tamanho do efeito LAN: participantes em famílias que ganham menos de $ 48.000 por ano tiveram estresse significativamente maior por aumento de IQR na LAN. A duração do sono mediou parcialmente as associações entre estresse e índice de vegetação aprimorado (17%) e LAN (18%). A exposição ao fumo passivo em casa foi associada a um aumento de 0,85 (IC 95%, 0,46-1,24) na pontuação PSS-4.

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Portanto, os pesquisadores descreveram que o estresse percebido foi significativamente associado com o aumento de LAN, poluição do ar próximo às rodovias e exposição ao fumo passivo em casa. Em contraste, observaram que espaços verdes residenciais parecem mitigar parcialmente as associações com esses fatores. A renda pareceu modificar a estimativa do tamanho do efeito da LAN e a duração do sono para mediar parcialmente as associações entre o estresse e o espaço verde e a LAN.

Conclusões

Esse estudo mostra que a confluência de LAN, poluição do ar perto da rodovia, ruído e falta de espaço verde em bairros do sul da Califórnia foram significativamente associados ao aumento de estresse psicossocial autorrelatado em crianças. Portanto, a redução da exposição à luz artificial e à poluição do ar, aumentando os espaços verdes, pode estar associada a melhorias na saúde mental infantil.

O Programa Criança e Natureza e a Sociedade Brasileira de Pediatria destacam que é sempre importante alertar e esclarecer sobre os problemas de saúde relacionados ao “déficit de natureza” durante a infância e a adolescência.

Além disso, enfatizam a necessidade de se ressaltar os benefícios de uma “dieta rica em natureza” nessa fase, propondo o uso das áreas verdes públicas disponíveis no local onde a criança/adolescente vive. A exposição regular ao verde e à luz natural também pode elevar os níveis de vitamina D e auxiliar o controle de níveis saudáveis de glicemia em diabéticos.

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