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Febre amarela: veja 5 mitos e verdades sobre a doença

Tempo de leitura: 3 minutos.

1. Macacos são transmissores da doença

Mito.

Macacos atuam como reservatório da doença, mantendo a circulação viral no ambiente silvestre. Não ocorre transmissão direta entre macacos e humanos, mas, ao se aproximar de áreas florestais, seres humanos podem ser picados por mosquitos infectados e contrair a doença.

Macacos infectados pelo vírus da febre amarela também podem adoecer e morrer da doença. Assim, a morte desses primatas em áreas silvestres próximas a cidades serve de alerta para a circulação viral, constituindo uma importante forma de vigilância epidemiológica.

2. A febre amarela é uma doença leve e sem grandes repercussões clínicas

Mito.

A maioria das pessoas que é infectada pelo vírus da febre amarela permanece assintomática ou com doença autolimitada. Entretanto, aproximadamente 15% evolui para a forma grave, a qual tem alta letalidade (40 – 60%).

Sinais de alerta para o desenvolvimento de formas graves incluem febre alta, cefaleia intensa, náuseas e vômitos, dor abdominal ou lombossacra, sonolência, icterícia importante e diáteses hemorrágicas, que podem se manifestar como petéquias, sangramento gengival ou em óstios de acessos vasculares, hematêmese e/ou melena.

3. A vacina fracionada é pior do que a com dose padrão

Mito.

Para a proteção de curto e médio prazo, a vacina com dose fracionada é tão eficaz quanto a com dose padrão. Por esse motivo, é utilizada, não somente no Brasil, em situações de surto em que a demanda pela vacina seja maior do que o número de doses padrão disponíveis para imunização da população sob risco.

Ainda não existem estudos que comprovem com segurança que a dose fracionada seja capaz de gerar resposta imune protetora para toda a vida. Assim, para quem foi vacinado com a dose fracionada, recomenda-se uma dose de reforço após oito anos. Da mesma forma, para a emissão do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia, é necessária a vacinação com a dose padrão, adequadamente registrada em cartão vacinal.

4. Idosos apresentam maior risco de eventos adversos graves

Verdade.

A doença viscerotrópica aguda associada à vacina da febre amarela (DVA-VFA) é uma disfunção aguda que ocorre nos primeiros 10 dias após a vacinação e que cursa com sinais e sintomas semelhantes à doença, tais como febre, cefaleia, astenia, artralgia, diarreia, vômitos, diarreia, dor abdominal, trombocitopenia e disfunções hepática e renal.

É considerada um evento grave, mas felizmente é raro, com uma frequência de aproximadamente 0,4 casos a cada 100 mil doses administradas na população geral. Estudos observaram que, pacientes com mais de 60 anos, estariam sob maior risco de desenvolver essa complicação, o que leva à recomendação de analisar individualmente cada caso para indicar vacinação ou não.

Contudo, é importante salientar que, mesmo com risco maior nessa população, a DVA-VFA continua sendo um evento raro e o risco de adoecimento deve ser levado em conta no momento de indicar a vacinação.

5. A vacina é exigida para entrar em alguns países

Verdade.

Alguns países exigem a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) para que viajantes entrem em seu território. Enquanto alguns lugares, como Angola, Costa do Marfim e Guiana Francesa, exigem comprovação de vacinação de todos os viajantes, enquanto outros somente o fazem daqueles provenientes de áreas de transmissão da doença.

Para retirar o Certificado, é necessário apresentar o comprovante de vacinação contra febre amarela preenchido de forma adequada (contendo, de forma legível, data de administração, fabricante e lote da vacina, assinatura do profissional que realizou a aplicação e identificação da unidade de saúde em que ocorreu a vacinação) e documento oficial com foto original. A retirada pode ser feita em unidades cadastradas da Anvisa.

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Detalhes importantes para a emissão do CIVP são o fato que a administração da vacina deve ter sido realizado no mínimo 10 dias antes da data da viagem e com a dose padrão.

Maiores informações sobre a exigência da CIVP podem ser encontradas em sites destinados a viajantes como o do CDC e o Fit for Travel e no site da Anvisa.

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