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Febre do Nilo Ocidental: Espírito Santo entra em estado de atenção

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A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Espírito Santo divulgou a confirmação da ocorrência de infecção em equídeo pelo vírus da Febre do Nilo Ocidental (FNO). O caso foi registrado em uma propriedade em São Mateus e a investigação foi motivada a partir da notificação de óbito em cavalos na região. Por conta deste episódio, o Espírito Santo está em estado de atenção para casos em humanos, apesar de ainda não haver registros. No Brasil, o Piauí foi o primeiro estado a registrar um caso da doença em humanos, em 2014.

Sobre a doença:

A FNO é uma doença febril aguda causada por um arbovírus do gênero Flavivírus. O vírus é transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex (o famoso “pernilongo”) e tem como reservatório aves silvestres (potencialmente migratórias).

A infecção pode ser assintomática ou com sintomas de diferentes graus de gravidade – que variam desde febre e dor muscular até encefalite grave. Manifestações neurológicas como encefalite, meningoencefalite e síndrome de Guillan-Barré, também podem ocorrer, o que nos lembra muito as arboviroses mais conhecidas (Dengue, Zika e Chikungunya).

O teste diagnóstico mais eficiente é a detecção de anticorpos IgM contra o vírus do Nilo Ocidental em soro. O tratamento é sintomático e não há antivirais específicos; casos mais gravem necessitam de internação para tratamento suporte. Também não há vacina, mas estudos estão sendo desenvolvidos para criação.

O Governo do Estado do Espírito Santo divulgou uma nota técnica para orientar os profissionais de saúde. Separamos para você os principais pontos:

  • A distribuição nas Américas da FNO, até a década de 90, era de pequenos surtos ou epidemias em países da África, da Europa e em Israel. Entretanto, a partir de 1999 os Estados Unidos da América registraram milhares de casos da doença. Depois, a FNO também foi detectada no Canadá e em países da América Central. Nos últimos 15 anos, foram divulgados evidências de circulação do VNO entre animais em alguns países da América do Sul.
  • No Brasil a partir de 2003, o Ministério da Saúde incluiu a FNO na Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória. Em 2011, foi percebida nas regiões amazônica e do Pantanal. Em 2014, foi confirmada a presença do vírus em mosquitos do gênero Culex, em aves domésticas, em equídeos e no líquor de caso humano no interior de Piauí.

Definições de caso de Febre do Oeste do Nilo (segundo nota técnica do Governo do Estado do Espírito Santo)

Caso suspeito: indivíduo com quadro de doença febril inespecífica, acompanhada de manifestações neurológicas (compatíveis com meningite, encefalite e meningoencefalite) de etiologia desconhecida.

Caso provável:
> Caso suspeito com um ou mais dos seguintes achados: detecção de anticorpo da classe IgM contra o vírus do Nilo Ocidental no ensaio imunoenzimático, ELISA.
> Detecção de elevação do anticorpo IgG específico para vírus do Nilo Ocidental em amostras pareadas de soro das fases aguda e convalescente, com intervalo de 14-21 entre as amostras (triagem por ELISA ou inibição da hemaglutinação ou PRNT).

Caso confirmado:

> Caso provável com um ou mais dos seguintes achados: detecção do vírus ou de antígeno viral ou de genoma viral em sangue, soro, tecido, líquido cefalorraquidiano ou outras secreções orgânicas;
> Detecção de soro conversão (aumento de quatro vezes ou mais nos títulos de anticorpos da classe IgG em amostras pareadas) com confirmação no teste de PRNT em amostras séricas ou de líquido cefalorraquidiano (fase aguda e de convalescença);
> Detecção de anticorpos da classe IgM contra o vírus do Nilo Ocidental em amostras de LCR ou soro, na fase aguda, por MAC-ELISA.
> A detecção de anticorpo IgM específico para vírus do Nilo Ocidental e/ou anticorpos IgG por ELISA em uma única amostra sérica ou de LCR deve ser confirmada com apoio de técnicas de soro neutralização

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