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As fraturas relacionadas à osteoporose podem acometer 1 em cada 2 mulheres na pós-menopausa, levando a uma série de prejuízos como redução da qualidade de vida e da independência, dor, disfunção e aumento da mortalidade. É consenso que, nessa idade, as fraturas não traumáticas ou também chamadas fraturas por fragilidade geram um maior risco de fratura subsequente. Esse tipo de fratura, intimamente ligada a osteoporose, geralmente é resultante de um trauma mínimo como uma queda da própria altura.

Dessa maneira, há uma grande preocupação da comunidade médica em prevenir novas fraturas nessas pacientes, lançando mão de protocolos e medidas farmacológicas. Entretanto, é pertinente o questionamento sobre as fraturas traumáticas (de mais alta energia) na pós-menopausa. As fraturas traumáticas também estão relacionadas a um maior risco de fratura subsequente nessa população?

Leia também: ENDO 2021: como tratar osteoporose durante a pandemia de Covid-19?

Fraturas traumáticas também estão relacionadas à osteoporose?

O estudo

Foi publicado mês passado no Journal of the American Medical Association um trabalho que teve por objetivo determinar como o risco de fratura futura varia após uma fratura inicial traumática ou não traumática. Foi conduzido um estudo observacional prospectivo utilizando dados colhidos entre 1993 e 1998 (pela Women’s Health Initiative) de 66.874 mulheres que sofreram fraturas na pós-menopausa entre 50 e 79 anos de 40 instituições de saúde dos Estados Unidos. A análise dos dados foi realizada entre setembro de 2020 e março de 2021.

Por definição, fraturas traumáticas foram consideradas como as que ocorreram após acidente automobilístico, queda de altura ou durante atividade esportiva. As fraturas não traumáticas foram definidas como as ocorridas por queda da própria altura durante deambulação ou ao se levantar da cama ou cadeira.

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Das 66874 mulheres selecionadas inicialmente, 7142 (10,7%) pacientes sofreram uma nova fratura, com uma média de 8,1 anos após o evento inicial. Das 7142, 721 (10,1%) participantes sofreram uma terceira fratura. Os pacientes mais propensos a fraturas foram mulheres brancas que sofreram 1 ou mais quedas no ano anterior e nunca realizaram terapia hormonal. O risco relativo (RR) ajustado de nova fratura foi igualmente elevado quando o evento inicial foi traumático (RR ajustado 1,25; IC 95%, 1,06-1,48) ou não traumático (RR ajustado 1,52; IC 95% 1,37-1,68), estando os 2 sobrepostos e, portanto, similarmente associados à chance de fratura subsequente. 

Conclusões

O estudo em questão é importante ao atentar que traumas de alta ou baixa energia demonstram associação similar com baixa densidade mineral óssea. Assim sendo, há necessidade de atualização dos protocolos de diagnóstico e tratamento da osteoporose, que desconsideram fraturas de mais alta energia ou traumáticas.

À luz do novo estudo, na prática clínica, ao deparar-se com uma fratura traumática em pacientes na pós-menopausa, o médico deve atentar para possibilidade de estar diante de um paciente com osso osteoporótico com risco de fratura subsequente, devendo proceder a investigação da densidade mineral óssea e o tratamento se confirmado.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Crandall CJ, et al. Risk of Subsequent Fractures in Postmenopausal Women After Nontraumatic vs Traumatic Fractures. JAMA Internal Medicine. 2021;181(8):1055–63. doi:10.1001/jamainternmed.2021.2617
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