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Glaucoma: estudos alertam para maior risco de acidentes de carro

Tempo de leitura: 3 minutos.

Especialistas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançam um alerta importante aos motoristas. Quem sofre de glaucoma deve ter um cuidado muito maior ao dirigir. Isso porque pessoas com a doença apresentam uma perigosa restrição de campo visual causada pela perda da visão periférica. Por isso, os riscos de acidentes são maiores.

O alerta veio através de dois novos estudos publicados. No primeiro, foi comprovado que os pacientes com glaucoma apresentaram um comprometimento de campo visual leve a moderado quando realizaram muitas manobras de direção em um simulador. No entanto, eles eram seis vezes mais propensos do que indivíduos com visão normal a ter um instrutor de direção intervindo por razões que sugerem dificuldade em detectar obstáculos e perigos periféricos e reação a eventos inesperados.

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Foi avaliado o impacto do crowding (aglomeração) – fenômeno no qual os objetos se misturam quando apresentados muito próximos, dificultando a visualização – em pessoas com e sem glaucoma. Ao final da experiência constatou-se que os que têm a enfermidade, mesmo em estágios iniciais, apresentam dificuldade maior em discernir os itens. Ao final da experiência, os cientistas constataram que os indivíduos com glaucoma apresentavam maior dificuldade em discriminar objetos quando eles se encontram no meio de outros, inclusive entre os que ainda apresentam uma visão de 100% (20/20), ou seja, em estágios iniciais da doença.

O resultado do estudo foi publicado em fevereiro deste ano na Investigative Ophthalmology & Visual Science (IOVS), da The Association for Research in Vision and Ophthalmology (Arvo).

Estudo brasileiro

O estudo realizado por membros do Conselho Brasileiro de Oftalmologia avaliou a habilidade de dividir a atenção ao dirigir e falar ao celular. O objetivo foi verificar a performance de portadores de glaucoma nesta situação.
Neste estudo transversal, 112 participantes com glaucoma e 70 controles responderam a um questionário que investigava o uso do telefone celular ao dirigir.

Foram selecionados, de forma aleatória, um subgrupo de 37 participantes com glaucoma e 28 controles para dirigir em um simulador de condução para a avaliação da performance para detecção do tempo de reação a estímulos na periferia da visão ao dirigir no simulador de condução com e sem o uso do telefone celular.

A conclusão foi de que o tempo de reação a estímulos visuais periféricos é significativamente pior entre os pacientes com glaucoma. Durante o uso do celular, foi de 1,86 segundos, contra 1,14 segundos dos motoristas com olhos saudáveis.

Os resultados desse estudo indicaram que pacientes com glaucoma utilizam o telefone celular na mesma frequência que participantes saudáveis. No entanto, o grupo com glaucoma mostrou uma piora desproporcional ao dirigir utilizando o telefone celular, comparado ao grupo saudável. Ao realizarem o teste em um simulador, os pacientes com glaucoma apresentaram tempo de reação mais lento do que os indivíduos saudáveis.

“Quem tem a doença não está proibido de dirigir, mas precisa ser alertado de que os riscos de acidentes são maiores e, juntamente com o seu médico, decidir se é melhor parar ou continuar com essa atividade”, explica Nara Gravina Ogata, especialista em glaucoma infantil e adulto pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e uma das autoras do estudo.

Este trabalho do Conselho Brasileiro de Oftalmologia foi apresentado no último congresso da Sociedade Americana de Glaucoma, em Nova York, nos Estados Unidos, e publicado em abril deste ano na revista científica Jama, da American Medical Association (AMA).

Alerta a médicos e pacientes

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o exame de aptidão física deve ser renovado apenas a cada cinco anos, ou a cada três, para os condutores acima de 65 anos. O problema é que muita coisa pode alterar na visão de uma pessoa durante esse intervalo. O glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível.
“Ninguém deve dirigir e falar ao telefone celular ao mesmo tempo. Mas quem tem glaucoma deve atentar-se mais ao dirigir, diminuindo ao máximo tudo o que possa distraí-lo nesse momento, uma vez que a capacidade para dividir a atenção e o tempo de reação são piores do que uma pessoa saudável”, alerta Nara Ogata.

Os médicos devem alertar os seus pacientes com glaucoma sobre o maior risco de envolver-se em acidentes, uma vez que a visão pode não ser como a de uma pessoa saudável (é preciso analisar cada caso de forma individual) e orientar a hora de parar de dirigir, caso o paciente não tenha condições para isso.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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