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Infectologia: saiba tudo sobre o dia a dia dessa especialidade

Hoje, como parte da nossa série de artigos sobre Residência e as especialidades médicas, Dr. Eduardo Pimenta fala tudo que você precisa saber sobre a Infectologia.

1) O que é?

Para fazer residência médica em Infectologia ou DIP (Doenças Infecto-Parasitárias) não é necessário cursar outra especialidade como pré-requisito como a Clínica Médica, tendo seu acesso direto através de prova de concurso para diversos hospitais. O especialista irá trabalhar com diversos tipos de doenças relacionadas a infecção por vírus, bactérias, fungos, micobactérias como a tuberculose e seu respectivo manejo, prevenção e acompanhamento.

2) Como é o dia a dia?

O perfil e a rotina dos profissionais desta especialidade tratam de forma geral de doenças negligenciadas relacionadas muitas vezes aos problemas sociais da população ou com doenças com pouca pesquisa. Trabalhar com pacientes da Infectologia pode ser em boa parte das vezes trabalhar com população de origem mais humilde e com histórico de pouco ou nenhum cuidado ou orientação médica, tendo a equipe de saúde grande responsabilidade com o doente que pode ser acompanhado pelo resto de sua vida.

3) Oportunidades de trabalho:

Embora se tenha impressão que ao fazer uma especialidade o futuro residente restringe seu dia a dia em muitas áreas médicas, a especialidade amplia mais ainda suas possibilidades profissionais e na DIP não é diferente. Atuando em pareceres e acompanhamento clínico, ambulatorial ou enfermaria ou políticas e atividades de prevenção, palestras/educação e ainda no controle do uso de antibióticos, desde a atenção primária, secundária, terciária e até quaternária, na área assistencial, pesquisa e vigilância epidemiológica. Caso o médico assim deseje, a residência em DIP é pré-requisito de uma nova residência como por exemplo Infectologia Hospitalar, Hepatologia e Terapia Intensiva.

4) Número de especialistas:

No momento, temos aproximadamente 3.200 infectologistas registrados pela Sociedade Brasileira de Infectologia.

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5) Curiosidade(s):

– A relação entre os médicos e os pacientes da infectologia pode ser uma relação muito próxima, pois lidamos com situações pessoais tais como de cunho sexual, emocional, social e até psiquiátrico. Alguns pacientes vemos pouco tempo com altas da enfermaria ou ambulatório enquanto outros pelo resto da vida e a relação de confiança pode gerar histórias e situações talvez únicas se comparados a outras clínicas e especialidades.

6) Especialidades correlacionadas:

Especialidades das áreas clínicas, cirúrgicas e gineco-obstétricas.

7) Área de atuação:

As áreas de atuação podem ser pacientes adultos ou gestantes com HIV/AIDS e manejo das doenças oportunistas, DST’s como sífilis por exemplo, tuberculose, medicina tropical, manejo de toxoplasmose, arboviroses, herpes e outros vírus, imunização, prevenção, controle e orientação do uso de antibióticos e infecção em hospitais, infecções em imunossuprimidos, transplantados e onco-hematológicos, bem como manejo sobre infecções em terapia intensiva. As hepatites A,B,C,D e E também podem ser tratadas e conduzidas pelo infectologista. Uma área pouco conhecida pela comunidade médica é a Medicina de Viagem, na qual serão avaliadas as vacinas e profilaxias de acordo com o destino do viajante.

A residência de DIP oferece oportunidade de rodar fora do RJ ou do Brasil em alguma área de interesse como colegas que já rodaram em SP, Nordeste, Norte do país e até na África, por exemplo. Todas essas experiências citadas ainda permitem um acompanhamento conjunto do infectologista com pacientes de diversas áreas clínicas, cirúrgicas e gineco-obstétricas.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

Aos jovens médicos que tem uma curiosidade com a área vale a pena uma visita ou estágio em um ambulatório e enfermaria. Médicos da Infectologia no geral são receptivos com todos independente de sexo, orientação sexual, religião, bem como opinião política e sua forma de se vestir, bolsa ou camisa da moda. Não esperem pouco trabalho nem uma super recompensa material, a não ser uma verdadeira e valorosa gratidão, confiança e melhora da saúde e da autoestima dos pacientes, os quais não tem preço nenhum que possa ser pago. Bem-vindos!

*Os artigos sobre as especialidades médicas foram produzidos em parceria com a Associação Nacional de Médicos Residentes

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