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Inflamação coronariana: novo biomarcador identifica doença por TC

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Oikonomou et al publicaram em agosto de 2018 o estudo CRISP CT no The Lancet. O estudo reuniu a análise retrospectiva de duas coortes. Uma com 1872 pacientes entre 2005 e 2009 em Erlangen, Alemanha. Outra em Cleveland, EUA, reuniu 2040 pacientes entre 2008 e 2016. Todos os pacientes tinham indicação de Angiotomografia Computadorizada (ATC). Durante esses exames foi medido o índice de atenuação adiposa perivascular (IAAP) que é um novo biomarcador por imagem de inflamação coronariana. A inflamação da artéria coronária inibe a adipogênese no leito perivascular. A pergunta era se o IAAP seria capaz de predizer desfechos clínicos.

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Foram então seguidos os pacientes da primeira coorte durante cerca de 72 meses e 54 meses na segunda coorte. Nas duas foram encontrados altos valores do IAAP em volta da coronária direita proximal e da artéria descendente anterior esquerda, mas não da artéria circunflexa esquerda. Esse valores foram preditivos de morte cardíaca (HR 2-15, 95% IC, p = 0,0017) na primeira coorte e também na segunda (HR 2-6, p < 0,0001). O valor ótimo de cutoff no qual havia notável aumento da mortalidade cardíaca foi de -70 unidades Hounsfield nas duas coortes. Acima desse valor, houve incrementos significativos da mortalidade global e cardíaca.

O IAAP não será, por enquanto, feito de rotina para pacientes assintomáticos. A ideia é que se faça a medida nos pacientes cujas ATCs estiverem previamente indicadas.Segundo os guidelines britânicos para manuseio da dor torácica a ATC está recomendada como teste diagnóstico de primeira linha para investigação de doença coronariana estável, angina típica e atípica e desconforto torácico não-anginoso com alterações eletrocardiográficas. São feitas 350.000 ATCs anualmente no Reino Unido com mais de 90% excluindo doença obstrutiva.

A medida do IAAP ajudaria a estratificar os pacientes conforme seu perfil inflamatório, visto que a maioria das placas de ateroma potencialmente vulneráveis e causadoras de rápida e progressiva obstrução não são detectadas normalmente.

Outros biomarcadores como o Escore de cálcio coronariano e a medida plasmática de proteína C reativa ultra-sensível (PCRus ) são potencialmente ultrapassados pelo IAAP. O escore de cálcio é recomendado para indivíduos com leve a moderado risco. No entanto, a calcificação coronariana é um processo irreversível e que pode até aumentar com a medicação apropriada (estatinas). Por outro lado, a PCRus não é específica para inflamação coronariana.

Estudos futuros poderão definir o risco específico por segmento coronariano acometido que não foi o alvo desse estudo. Poderão demonstrar por que a atenuação em volta da artéria circunflexa não é tão frequente quanto na artéria descendente anterior e na coronária direita.

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Autor:

Alexandre Marins Rocha

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ⦁ Pós-graduação em Cardiologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro ⦁ Mestre em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense ⦁ Ecocardiografista no Labs Amais Grupo Fleury

Referências:

Oikonomou et al, Non-invasive detection of coronary inflammation using computed tomography and prediction of residual cardiovascular risk (the CRISP CT study): a post-hoc analysis of prospective outcome data. The Lance, August 28, 2018 DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31114-0

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