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Início precoce da diabetes tipo 1 pode afetar o desenvolvimento cerebral

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Um atraso no desenvolvimento cerebral, aparentemente ligada à hiperglicemia, tem sido observada em crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1. Uma pesquisa comparou crianças em idade jovem que tem diabetes e aquelas sem a doença. Ela publicada no American Diabetes Association.

“A manutenção da normoglicemia em crianças pequenas com diabetes é, muitas vezes, limitada pelos medos dos pais quanto aos riscos de hipoglicemia e ao desenvolvimento cognitivo prejudicado”, disse Nelly Mauras, MD, chefe da Divisão de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, do Hospital Infantil Nemours, em Orlando, Estados Unidos, durante uma sessão oral da American Diabetes Association (ADA).

No entanto, “os dados sugerem que tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia, dependendo da idade e da gravidade, podem levar à alteração da estrutura cerebral e da função cognitiva, particularmente no cérebro jovem em desenvolvimento”.  

Metodologia

A redução no desenvolvimento cerebral foi observado entre 138 crianças com diabetes tipo 1 em comparação com 67 controles pareados por idade. E essas alterações foram correlacionadas à hiperglicemia (todas P <0,05). As regiões cerebrais afetadas estão envolvidas no processamento sensorial e na cognição. Os dados estendem descobertas semelhantes da DirecNet em momentos anteriores (Diabetes. 2016; 65: 476-485 ).

As crianças tinham 4-7 anos no início do estudo e tiveram uma duração média de diabetes de 2,4 anos. No momento da avaliação neuroanatômica atual (usando morfometria baseada em voxel), elas tinham uma média de idade de 11 anos, tinham uma duração média de 6,5 anos de diabetes e uma média de 8% de HbA 1c.

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Os pesquisadores também apresentaram resultados relacionados à DirecNet em dois cartazes. Um apresentou decréscimos persistentes em QI total e verbal ao longo do tempo em crianças com diabetes tipo 1 em comparação com os controles, que também se correlacionaram com a hiperglicemia. O outro estudo, mais otimista, sugeriu que os cérebros das crianças eram capazes de compensar os decréscimos, de modo que sua função cognitiva pudesse ser preservada, pelo menos a curto prazo.

Os resultados desafiam algumas crenças prevalentes sobre crianças com diabetes, observaram os pesquisadores. “A coisa mais impressionante para nós é que a maior associação que vimos foi com altos níveis de glicose no sangue. A noção de que os pais preferem mantê-los altos do que baixos, para nós, tem sido muito consistente independentemente de como medimos a glicemia. Em todos os momentos, vemos a associação com mudanças estruturais e, agora, a cognição. Isso nos dá mais uma razão para controlá-los melhor”, disse Nelly Mauras.

A médica também ressaltou que os dados também questionam se as diretrizes da ADA para o controle do diabetes tipo 1 em crianças são brandas em relação ao alvo geral de HbA 1c <7,5%.

“A glicada nos 7s são suficientes para prevenir essas mudanças? Podemos causar um impacto com a quase normalização da glicemia no sangue com a tecnologia?”, questionou Nelly Mauras.

Recomendações

Como o estado metabólico de crianças não tratadas com diabetes tipo 1 pode se deteriorar rapidamente, um diagnóstico definitivo deve ser realizado imediatamente. Atrasos no diagnóstico e no início do tratamento médico, incluindo a terapia de reposição de insulina, devem ser evitados.

Um teste de tolerância à glicose raramente é necessário. Com exceção em casos atípicos ou muito precocemente na doença, quando os valores do PG podem estar normais ou levemente anormais e o diagnóstico pode ser incerto.

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