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Insuficiência cardíaca: tendências das comorbidades não-cardiovasculares em pacientes internados

Tempo de leitura: 3 minutos.

Sabemos que a insuficiência cardíaca (IC) é causa frequente de admissões hospitalares e de seu custo total para o sistema de saúde, sendo importante causa de morbimortalidade. Há também um aumento da prevalência de comorbidades não-cardiovasculares (CV) entre os pacientes com IC, aumentando a complexidade e tempo de internação desses indivíduos. Em registros europeus, até 75% dos pacientes admitidos por IC tinham, pelo menos, uma comorbidade não-CV.

Recentemente, o Circulation publicou dados de um registro norte-americano com 207.984 beneficiários do Medicare de 2005 a 2014 para relacionar:

  • A prevalência de comorbidades não-CV em pacientes internados por IC;
  • A tendência temporal dessas comorbidades durante o tempo de registro;
  • A associação de tais comorbidades com o tempo de internação (maior ou menor igual a quatro dias), mortalidade intra-hospitalar e após 30 dias da admissão, readmissão 30 dias após a alta por todas as causas e por IC;

Comorbidades analisadas: DPOC/asma, anemia, insuficiência renal crônica (IRC), diabetes mellitus (DM), obesidade e depressão.

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Prevalência de comorbidades não-cardiovasculares na IC

– Cerca de 82% dos pacientes tinham, pelo menos, uma comorbidade não-CV;
– 18% tinham zero comorbidade -> 30% tinham uma comorbidade -> 27% tinham duas comorbidades -> 25% tinham três ou mais comorbidades;
– As mais prevalentes: DM (45%) seguida de DPOC/asma (32%);
– Os que tinham mais comorbidades não-CV tinham também mais doença cardiovascular (DAC, HAS, doença arterial periférica, etc);
– Quanto mais comorbidades não-CV, maior a proporção de pacientes com IC com fração de ejeção preservada (ICFEP);
– De 2005 a 2014, caiu a proporção de pacientes sem comorbidades não-CV (de 22 para 16%, P<0,0001) e de pacientes com apenas uma (34 para 28%, P< 0,0001). Porém, houve um aumento nos pacientes com três ou mais (18 para 29%, P<0,0001), especialmente para DPOC/asma e obesidade;
– Quanto ao tempo de internação, este se reduziu de 2005 a 2014 para todos os grupos. Mas quando comparado ao grupo sem comorbidades, o risco de permanecer mais de quatro dias aumenta com o número de comorbidades;
– Quanto à mortalidade intra-hospitalar, quando comparada com os pacientes sem comorbidades não-CV, o risco aumenta de acordo com a quantidade de comorbidades: uma (OR, 1.09; 95% CI, 1.0–1.19; P=0.04), duas (OR, 1.32; 95% CI, 1.21–1.43; P<0.0001) e três ou mais (OR, 1.54; 95% CI, 1.39–1.72; P<0.000);
– A mortalidade em 30 dias após admissão e a readmissão 30 dias pós-alta (por todas as causas e por IC) também aumentam conforme o número de comorbidades.

Discussão

É válido ressaltar que pacientes com IC muitas das vezes não necessitam de muito tempo de hospitalização, considerando que má adesão terapêutica e transgressão dietética são motivos frequentes para a descompensação. Mas é preciso aproveitar o tempo de internação não só para negativar o balanço hídrico, mas também para identificarmos comorbidades não-CV e, além de tratar a IC, otimizar o tratamento específico delas.

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Referências:

  • Abhinav Sharma, MD et al; Trends in Noncardiovascular Comorbidities Among Patients Hospitalized for Heart Failure – Insights From the Get With The Guidelines–Heart Failure Registry; Circ Heart Fail. 2018;11:e004646. DOI: 10.1161/CIRCHEARTFAILURE.117.004646

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