Intervenção preventiva e os desfechos em bebês com sinais precoces de autismo

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Segundo um ensaio clínico randomizado publicado no jornal JAMA Pediatrics, uma intervenção preventiva para transtorno do espectro autista (TEA) a partir dos nove meses de idade em bebês com sinais precoces levou à redução da gravidade dos sintomas de TEA durante a primeira infância e reduziu as chances de um diagnóstico de TEA aos três anos de idade.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por deficiências na interação social e na comunicação, bem como uma gama repetitiva e/ou restrita de comportamentos e interesses. Apesar de exigir um reconhecimento precoce, o TEA não é normalmente diagnosticado até os três anos de idade. No entanto, as abordagens que começam durante os primeiros dois anos de vida, quando os primeiros sinais de desenvolvimento atípico são observados e o cérebro está se desenvolvendo rapidamente, podem levar a um impacto ainda maior nos desfechos de desenvolvimento posteriormente na infância. 

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Intervenção preventiva e os desfechos em bebês com sinais precoces de autismo

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Metodologia

Com o objetivo de avaliar se uma intervenção preventiva reduz a gravidade dos sintomas do TEA e a probabilidade de um diagnóstico desse transtorno em bebês que apresentam sinais precoces em comparação ao tratamento usual, Whitehouse e colaboradores conduziram um ensaio clínico randomizado cego, comparando uma intervenção preventiva versus o tratamento usual em dois centros de pesquisa: um em Perth e o outro em Melbourne, ambos na Austrália. A amostragem da comunidade foi usada para recrutar 104 bebês com idades entre nove e 14 meses, mostrando comportamentos iniciais associados a TEA posterior, conforme medido pelo Social Attention and Communication Surveillance – Revised (SACS-R), usado por médicos para identificar bebês e crianças que apresentam sinais comportamentais precoces de TEA. A lista de verificação na versão de 12 meses do SACS-R inclui cinco comportamentos especificados que são avaliados para determinar se o bebê tem uma maior probabilidade de TEA

  • Contato visual espontâneo;
  • Apontar o dedo indicador para indicar um item de interesse para outra pessoa;
  • Gestos sociais;
  • Imitação;
  • Resposta ao nome. 

Um padrão de comportamento atípico em, pelo menos, três desses itens sugere um aumento da probabilidade de um diagnóstico de TEA no final da infância. Em estudos anteriores de validação, quando administrado repetidamente nas idades de 12, 18 e 24 meses, o SACS-R tinha excelentes propriedades psicométricas para identificar TEA (valor preditivo positivo 82 a 83%; valor preditivo negativo 98 a 99%; sensibilidade 77 a 82%; especificidade 99 a 99,5%). O estudo atual utilizou o SACS-R em um único ponto de avaliação (entre as idades de nove meses e 15 meses) como um meio de identificar bebês elegíveis para inclusão no ensaio clínico. O recrutamento ocorreu no período de 9 de junho de 2016 a 30 de março de 2018. Os dados finais de acompanhamento foram coletados em 15 de abril de 2020.

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Os bebês foram randomizados em uma proporção de 1: 1 em dois grupos, por um período de cinco meses — um grupo de “intervenção preventiva” (para receber prevenção e cuidados usuais) e um grupo “controle” (para receber somente cuidados usuais). O grupo “intervenção preventiva” recebeu uma intervenção de comunicação social de 10 sessões, iBASIS – Video Interaction to Promote Positive Parenting (iBASIS-VIPP). O iBASIS-VIPP aplica técnicas de feedback de vídeo para aumentar a consciência do cuidador com relação à comunicação social individual de seu bebê e orientar respostas específicas do cuidador para construir o envolvimento e interação social infantil. Os cuidados habituais consistiam em serviços prestados por médicos da comunidade. 

Os bebês foram avaliados:

  • No início do estudo, com uma idade aproximada de 12 meses;
  • Ao final do tratamento, com uma idade aproximada de 18 meses;
  • Aos dois anos;
  • Aos três anos. 

Resultados

Dos 171 bebês elegíveis para o estudo, 104 foram randomizados. No grupo “intervenção preventiva”, foram incluídos 50 bebês com idade média de 12,4 meses, sendo 38 meninos (76%). Um bebê foi excluído após a randomização. No grupo “controle”, foram incluídos 53 bebês com média de idade de 12,38 meses, sendo 32 meninos (60,4%).

Oitenta e nove participantes (45 no grupo “intervenção preventiva” e 44 no grupo “controle”) foram reavaliados aos três anos de idade. A intervenção preventiva levou a uma redução estatisticamente significativa na gravidade dos comportamentos de TEA na primeira infância. Os bebês que receberam a intervenção preventiva tiveram menor chance de atender aos critérios de diagnóstico para TEA (7%) do que aqueles que receberam os cuidados habituais (21%) aos três anos de idade, com um número necessário para tratar de sete participantes.

Conclusão

Esse importante estudo mostrou que a combinação de um efeito de tratamento significativo com manutenção até 18 meses após a intervenção fornece uma evidência inicial de eficácia para um novo modelo clínico que aplica uma intervenção específica focada no desenvolvimento de bebês com maior probabilidade de desenvolver TEA. Destaca-se o fato de a intensidade terapêutica ser relativamente baixa e isenta de efeitos adversos, facilitando sua utilização. No entanto, é necessária a realização de uma análise de custo-eficácia de toda a via de tratamento, incluindo desde a triagem à prestação de serviços, além de avaliação de resultados na infância e mais tardiamente na vida adulta (isto é, de longo prazo) para determinar a viabilidade e o valor deste modelo clínico. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Whitehouse AJO, Varcin KJ, Pillar S, et al. Effect of Preemptive Intervention on Developmental Outcomes Among Infants Showing Early Signs of Autism: A Randomized Clinical Trial of Outcomes to Diagnosis [published online ahead of print, 2021 Sep 20]. JAMA Pediatr. 2021;e213298. doi10.1001/jamapediatrics.2021.3298
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