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paciente intubado na UTI

Intubação tradicional vs intubação por vídeo na terapia intensiva

Tempo de leitura: 2 minutos.

A intubação de pacientes na UTI carrega um risco de complicações potencialmente graves, incluindo parada cardíaca. Para minimizar os perigos desse procedimento, médicos devem optar pela intubação tradicional ou por vídeo? É o que responde um novo estudo do JAMA.

Nesse ensaio clínico, pesquisadores investigaram se a vídeo-laringoscopia aumenta a frequência de intubação orotraqueal bem sucedida, em comparação com a laringoscopia tradicional em pacientes na terapia intensiva.

Para isso, 371 adultos (idade média: 62,8 anos; 36,7% do sexo feminino) que necessitaram de intubação durante o tratamento em sete UTIs na França foram randomizados para intubação com vídeo-laringoscópio (n = 186) ou laringoscopia direta (n = 185); todos os pacientes receberam anestesia geral e foram acompanhados por 28 dias.

O desfecho primário analisado foi a proporção de pacientes com primeira intubação bem sucedida, e o secundário incluiu tempo para intubação e complicações leves a graves com risco de vida.

A proporção de pacientes com intubação bem sucedida não diferiu significativamente entre os dois grupos (67,7% por vídeo vs 70,3% tradicional; diferença absoluta: -2,5% [IC 95%, -11,9% a 6,9%]; p = .60). A proporção de intubações na primeira tentativa realizada por não-especialistas (principalmente residentes, n = 290) não diferiu entre os grupos (84,4% vídeo vs 83,2% tradicional; diferença absoluta: 1,2% [IC 95%, -6,3% a 8,6%]; p = 0,76).

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A mediana do tempo de intubação com sucesso também não diferiu entre os grupos: 3 minutos (intervalo de 2 a 4 minutos) para intubação por vídeo e tradicional (diferença absoluta: 0 [IC 95%, 0 a 0]; p = 0,95). A vídeo-laringoscopia não foi associada a complicações com risco de vida (24/180 [13,3%] versus 17/179 [9,5%] para laringoscopia tradicional; diferença absoluta: 3,8% [IC 95%, -2,7% a 10,4%; p = .25).

Na análise pós-hoc, a vídeo-laringoscopia foi associada a complicações graves com risco de vida (17/179 [9,5%] vs 5/179 [2,8%] para laringoscopia tradicional; diferença absoluta: 6,7% [IC 95%, 1,8% a 11,6% (10/181 [5,4%] vs 14/181 [7,7%]; diferença absoluta: -2,3% [IC 95%, -7,4% a 2,8% %]; p = 0,37).

Veja também: ‘Sedação, um ponto-chave para a sequência rápida de intubação’

Pelos achados, os pesquisadores concluíram que a vídeo-laringoscopia não melhorou as taxas de primeira intubação orotraqueal bem sucedida, em comparação com a laringoscopia tradicional, e também foi associada a maiores taxas de complicações graves com risco de vida. Agora, são necessários mais estudos para avaliar a eficácia comparativa destas duas estratégias em diferentes contextos clínicos.

Referências:

  • Lascarrou JB, Boisrame-Helms J, Bailly A, Le Thuaut A, Kamel T, Mercier E, Ricard J, Lemiale V, Colin G, Mira JP, Meziani F, Messika J, Dequin PF, Boulain T, Azoulay E, Champigneulle B, Reignier J, for the Clinical Research in Intensive Care and Sepsis (CRICS) Group. Video Laryngoscopy vs Direct Laryngoscopy on Successful First-Pass Orotracheal Intubation Among ICU PatientsA Randomized Clinical Trial. JAMA. 2017;317(5):483-493. doi:10.1001/jama.2016.20603

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