Já conhece o novo guideline da síndrome pré-menstrual?

A síndrome pré-menstrual afeta 40% das mulheres, porém frequentemente não é diagnosticada, sendo por vezes tratada de maneira incorreta.

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A síndrome pré-menstrual afeta 40% das mulheres, porém frequentemente não é diagnosticada, sendo por vezes tratada de maneira incorreta. Os sintomas incluem depressão, alteração de humor, ansiedade, mastalgia, edema e irritabilidade, e em casos mais graves alteram intensamente a qualidade de vida da mulher a ponto de algumas tentarem suicídio, segundo Dr. O’Brien, um dos autores do guideline de tratamento de síndrome pré-menstrual recentemente publicado pelo BJGO. Outra mudança importante em relação aos guidelines anteriores a 2007 inclui a necessidade de evidências diagnósticas mais concisas para o uso de contraceptivos orais de nova geração e inibidores seletivos da recaptação de serotonina.

O diagnóstico deve ser feito através da realização de um diário de sintomas durante dois meses, e caso a paciente apresente sintomas que causem comprometimento significativo durante a fase lútea do ciclo, o diagnóstico é confirmado. Se após a realização do diário ainda não for possível concluir o diagnóstico, pode ser realizado o uso de análogo do hormônio liberador de gonadotrofina por três meses, que irá bloquear a função cíclica ovariana promovendo uma possível melhora dos sintomas pré-menstruais, possibilitando a realização do diagnóstico diferencial com subjacentes psiquiátricos. Entretanto, segundo Dr. O´Brien, o teste ainda não foi cientificamente comprovado.

O novo guideline classifica a síndrome pré-menstrual em categorias. Os distúrbios pré-menstruais fisiológicos são caracterizados por sintomas cíclicos leves que não afetam a qualidade de vida. Já os distúrbios pré-menstruais principais são os mais comuns, e são caracterizados por sintomas cíclicos que afetam qualidade de vida, porém após a menstruação são solucionados. Os distúrbios pré-menstruais variantes incluem uma exacerbação no período pré-menstrual de uma desordem subjacente, como depressão ou diabetes.

O tratamento de mulheres com sintomas leves a moderados pode ser iniciado por um médico generalista, entretanto a paciente deve ser encaminhada para o ginecologista. Mulheres com sintomas mais graves ou que não apresentaram resposta ao tratamento de primeira linha, podem apresentar benefícios com o acompanhamento multidisciplinar associado ao ginecológico. O tratamento e primeira linha consiste em exercício físico, uso de vitamina B6 e apoio emocional com terapia cognitivo-comportamental, já o tratamento farmacológico pode ser feito com uso continuo de contraceptivos orais ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina(SSRI).

Veja também: ‘Mantenha-se atualizado! Veja os principais pontos dos últimos guidelines publicados’

Em caso de falha do tratamento de primeira linha, uma segunda opção seria aumentar a dose do SSRI ou tentar o uso do adesivo de estradiol associado ao uso de progesterona oral, vaginal ou intrauterino. Os análogos do hormônio liberador da gonadotrofina são considerados como tratamento de terceira linha, a única cura permanente para a síndrome pré-menstrual é a histerectomia com ooforectomia bilateral, entretanto raramente é optado pela paciente, devendo sempre ser informado os riscos e benefícios de ambas as opções, como explicou Dr. O´Brien.

Os autores também identificaram diversas áreas que são necessárias maior investigação, incluindo estudo randomizado controlado e duplo cego comparando o efeito de terapias alternativas e complementares com placebo, estudos mostrando evidências mais a favor da terapia cognitivo-comportamental, mais dados sobre a segurança e a eficácia dos contraceptivos orais com drospirenona, e maior evidência que apoie ou reforce a utilização de gel de estradiol e anéis vaginais para o tratamento da síndrome pré-menstrual. Desse modo é possível concluir que é uma síndrome que necessita de maiores estudos para novas descobertas de tratamentos para que nós médicos possamos promover melhora da qualidade de vida destas pacientes através de intervenções diagnósticas e terapêuticas.

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Referências:

  • https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1471-0528.14260/pdf
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