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Já ouviu falar no diabetes tipo 3?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O cérebro humano é, do ponto de vista metabólico, um dos órgãos mais ativos do nosso corpo, processando uma grande quantidade de carboidratos para produzir energia celular na forma de adenosina trifosfato. Apesar das suas exigências, o cérebro não possui uma grande flexibilidade em termos de substratos para a produção desta energia, baseando-se quase exclusivamente na utilização de glicose.

Esta dependência põe em risco o órgão, caso o fornecimento do substrato seja escasso ou interrompido, ou caso a capacidade de metabolizar a glicose se torne falha: o cérebro se torna incapaz de proteger as sinapses. Nesta situação, as células podem não funcionar corretamente, resultando em alterações cognitivas. A partir deste princípio básico, torna-se evidente uma possível ligação entre o diabetes e a Doença de Alzheimer (DA).

A pesquisa sobre a relação entre o diabetes e a DA começou com o chamado “estudo Rotterdam”, um estudo epidemiológico que investigou mais de 6 mil idosos por dois anos e apontou uma correlação positiva entre a presença de diabetes mellitus e o desenvolvimento de demência. Outro trabalho epidemiológico mostrou a incidência de aumento da DA em homens que ganharam peso entre os 30 e 45 anos de idade e em mulheres entre 30 e 45 anos com índice de massa corpórea maior que 30. Já um estudo sueco apontou o aumento estatisticamente significativo do risco de homens que desenvolvem diabetes tipo 2 por volta dos 50 anos de idade de desenvolverem a DA. Pesquisadores também verificaram que homens com baixa produção de insulina aos 50 anos apresentaram 150% a mais de probabilidade de desenvolver DA do que aqueles com produção normal de insulina.

A terminologia “diabetes de tipo 3” foi introduzida em 2005 por Suzanne de La Monte, cujo grupo de pesquisa examinou o tecido cerebral de pacientes com DA que vieram a óbito, observando que a patologia demonstra elementos dos diabetes de tipo 1 e 2, ou seja, além da diminuição na produção de insulina, é também observada a resistência dos receptores da insulina, sugerindo que a DA pode ser uma doença neuroendócrina associada à sinalização deste hormônio.

Aconselho a leitura completa desse estudo, que é muito interessante.

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Autor:

Referências:

  • DOENÇA DE ALZHEIMER: HIPÓTESES ETIOLÓGICAS E PERSPECTIVAS DE TRATAMENTO. Anna De Falco, Daphne Schneider Cukierman, Rachel A. Hauser-Davis e Nicolás A. Rey* Departamento de Química, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea, 22453-900 Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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