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médica examinando criança com laringite

Laringite: qual corticoide é mais eficaz no tratamento?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Os corticosteroides têm sido usados há muitos anos como parte do tratamento da laringite aguda nos departamentos de emergência (DE) e têm demonstrado diminuir significativamente a taxa e o tempo de internação, o retorno ao DE, a necessidade de intubação endotraqueal e a internação em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP).

Embora diferentes vias de administração de corticoides tenham sido utilizadas, incluindo as vias inalatória (IN), intramuscular (IM) e intravenosa (IV), a via oral (VO) tem muitas vantagens e é a preferida em muitos centros.

Laringite: dexametasona versus prednisolona

Embora estudos iniciais tenham revelado que a dexametasona IM na dose de 0,6 mg/kg seja segura e eficaz, estudos subsequentes revelaram eficácia da dexametasona VO. Além disso, existem evidências de que doses menores do fármaco (0,15 e 0,3 mg/kg VO) podem ser igualmente eficazes e, inclusive, a dose mais baixa de 0,15 mg/kg tem sido aceita e implementada em alguns centros.

Infelizmente, os estudos sobre o uso dos corticoides são limitados. No entanto, Parker e Cooper (2019), por exemplo, referem que uma dose mais baixa é utilizada há décadas na instituição onde trabalham em Perth, Austrália. Os autores relatam que não há aumento na taxa de intubação ou admissão em UTIP com o uso de uma dose de 0,15 mg/kg. Ademais, os autores ressaltam que a eficácia comprovada da prednisolona em uma dose de 1,0 mg/kg VO para tratamento da laringite em pacientes intubados sugere que esta dose, equivalente à de dexametasona (± 0,15 mg/kg) deve ser igualmente eficaz.

A prednisolona (1,0 mg/kg) parece reduzir o tempo para extubação em crianças em UTIP com laringite. Muitos departamentos de emergência usam prednisolona VO para o tratamento da laringite como uma alternativa mais facilmente disponível do que a dexametasona. Contudo, o tipo de corticoide e sua respectiva dose dependem, em grande parte, da localização geográfica, porque diferentes centros preferencialmente administram drogas e doses diferentes.

No entanto, apesar do uso generalizado da dexametasona ou da prednisolona VO em doses baixas no tratamento da laringite infantil, há poucos estudos que comprovem suas eficácias. Dessa forma, Parker e Cooper (2019) realizaram o estudo Prednisolone Versus Dexamethasone for Croup: a Randomized Controlled Trial, publicado na edição de setembro da revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.

Neste estudo, Parker e Cooper (2019) compararam o uso de dexametasona na dose de 0,6 mg/kg (padrão-ouro, baseado em evidências) com dois tratamentos alternativos: o uso de dexametasona em dose mais baixa (0,15 mg/kg) e prednisolona (1,0 mg/kg). As doses comparadas foram todas por VO.

Veja também: Choque séptico em pediatria: quais corticosteroides usar?

Metodologia do estudo

Foi realizado um estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por não inferioridade, em um departamento de emergência pediátrica terciária e um departamento de emergência de um distrito urbano em Perth, Austrália. Foram incluídos: pacientes com idade acima de 6 meses, peso máximo de 20 kg, contactáveis por telefone e cujos cuidadores eram nativos de língua inglesa.

Os critérios de exclusão foram: alergia à prednisolona ou dexametasona, pacientes com doença imunossupressora ou em uso de tratamento imunossupressor, pacientes em terapia com corticosteroides ou previamente inscritos no estudo em um período de 14 dias, e alta suspeita clínica de um diagnóstico alternativo.

Um total de 1252 participantes foram inscritos e designados aleatoriamente para receber dexametasona (0,6 mg/kg; n = 410), dexametasona em dose baixa (0,15 mg/kg; n = 410) ou prednisolona (1,0 mg/kg; n = 411). As medidas de desfecho primário incluíram o escore Westley Croup uma hora após o tratamento e o retorno médico não programado em sete dias após início do tratamento.

Resultados

O escore médio Westley Croup no início do estudo foi de 1,4 para dexametasona, 1,5 para dexametasona em dose baixa e 1,5 para prednisolona. A diferença ajustada nos escores em uma hora, em comparação com a dexametasona, foi de 0,03 [intervalo de confiança (IC) de 95%: 20,09-0,15] para dexametasona em baixa dose e de 0,05 (IC 95% 20,07-0,17) para prednisolona. As taxas de recorrência foram de 17,8% para dexametasona, 19,5% para doses baixas de dexametasona e 21,7% para prednisolona [não significante (P = 0,59 e 0,19)].

Qual corticoide usar na laringite?

Neste estudo, Parker e Cooper (2019) concluíram que os corticosteroides por VO constituem um tratamento eficaz da laringite em crianças e que o tipo de corticosteroide parece não ter um impacto clinicamente significativo na eficácia, tanto de forma aguda quanto durante a semana após o início do tratamento. Portanto, a não inferioridade foi demonstrada para doses baixas de dexametasona e de prednisolona.

Os autores destacam que crianças tratadas com prednisolona têm, inicialmente, maior probabilidade de exigir doses adicionais para cobrir a duração da doença.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o uso de dexametasona por ser um potente glicocorticoide e ter longo período de ação (superior a 48 horas). A SBP ressalta que a dexametasona pode ser administrada tanto por VO quanto parenteral em dose única, variando de 0,15 mg/kg (no caso de laringite leve) até 0,6 mg/kg (laringite grave).

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • PARKER, C. M.; COOPER, M. N. Prednisolone Versus Dexamethasone for Croup: a Randomized Controlled Trial. Pediatrics, v.144, n.3, p.e20183772, 2019;
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Crupe viral e bacteriano. 2017. Disponível em: https://www.sbp.com.br/documentoscientificos/. Acesso em: 08 de set. 2019.

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