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Linfoma Anaplásico de Grandes Células: associação com a implantes mamários é cada vez maior

Tempo de leitura: 3 minutos.

Em 21 de março de 2017, a Food and Drug Administration dos EUA (FDA) divulgou uma comunicação de segurança atualizando o entendimento atual dessa rara doença.

A recente atualização do Linfoma Anaplásico de Grandes Células (BIA-ALCL) relatou que a FDA foi informada sobre 359 casos de ALCL relacionados com implantes mamários. Até janeiro de 2016 eram 258 casos, sendo 64 em janeiro de 2011, quando os primeiros casos foram descritos. Pressupõe-se a existência de números maiores de casos por tratar-se de doença de difícil diagnóstico e com essa relação com implantes há pouco conhecida. Esses relatos são considerados pelo FDA como imprecisos e, portanto, esses dados não devem ser considerados definitivos.

Desses 359 pacientes, havia 28 relatos (7%) envolvendo implantes lisos. Isso é semelhante à atualização do ano passado de 258 pacientes, que incluiu 11 relatos (4%) de casos com implantes lisos. No entanto, nenhum dos casos com implantes lisos tem história clínica detalhada. Até o momento, nenhum caso de BIA-ALCL com implante liso puro já foi relatado e confirmado. O FDA confirmou que BIA-ALCL é predominantemente um problema relacionado a implantes texturizados.

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O FDA relata 9 mortes relacionadas ao Linfoma, das 12 mortes conhecidas mundialmente. Dois pacientes morreram de transplantes de células-tronco, um deles morreu  de um segundo linfoma não relacionado, e 9 pacientes morreram de extensão direta do câncer no tórax, evoluindo com falência respiratória. Em relação às mortes, nenhum dos pacientes recebeu tratamento cirúrgico completo, nenhum recebeu terapia direcionada e a maioria teve significativo atraso no diagnóstico e não foi submetido a qualquer tratamento (1-2 anos após o início dos sintomas).

O risco estimado de BIA-ALCL em vida nos EUA é estimado em 1:30.000 com implantes texturizados baseados em casos confirmados atuais e dados de vendas de implantes. Isso é consistente com o risco relatado na Europa. Em certas localizações geográficas há  riscos variáveis. Por exemplo, uma atualização de dezembro de 2016 na Austrália e da Nova Zelândia relatou um risco de 1: 1000 a 1: 10.000 para implantes texturizados.

Em contraste, não há pacientes asiáticos com diagnóstico de BIA-ALCL tanto no Sudeste Asiático como nos Estados Unidos da América até essa data. Estas discrepâncias podem representar relatórios variáveis ​​ou podem representar variáveis  geográficas e genéticas, ainda em estudo.

É importante diferenciar o BIA-ALCL dos linfomas de mama, predominantemente linfoma de células B com uma incidência 1:4 milhões.

Mais do autor: ‘Cirurgia Plástica Estética: como identificar um paciente não elegível?’

Dos pacientes com BIA-ALCL tratados, 93% dos pacientes estão livres de doença aos 3 anos de seguimento. A National Comprehensive Cancer Network define o tratamento ideal como  Capsulectomia total e remoção de implantes para a maioria dos pacientes com doença confinada à cápsula (35% dos pacientes) ou uma massa ressecável (40% dos pacientes). Doença avançada com metástases linfonodais (14 ) ou metástases de órgãos (1%) podem necessitar de tratamento adicional com quimioterapia,  utilizando qualquer CHOP,  antraciclina baseado em protocolo ou terapia direcionada com  Vedotin (brentuximabe).  A radioterapia só é reservada para doenças locais não ressecáveis, como na parede torácica e mediastino.

Estamos diante de um novo desafio na história dos implantes mamários. Com o aumento do uso desses implantes no Brasil nas últimas décadas, é imperativa a educação médica para detecção precoce da doença que, embora rara, pode ser curada se adequadamente diagnosticada.

O paciente deve ser orientado antes da cirurgia e os cirurgiões devem sempre pensar na possibilidade do diagnóstico especialmente frente a seromas tardios. Todas as cápsulas retiradas devem ser avaliadas com histopatologia e imuno-histoquímica em caso de suspeita de ALCL.

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Referências:

  • Loch-Wilkinson A, et al. Plast Reconstr Surg. 2017
  • Jewell M, et al. Plast Reconstr Surg. 2011.
  • Peters W, et al. Plast Surg (Oakv). 2014.

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