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Lombalgia devido a discopatia: quais são as evidências para terapia com células-tronco?

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A dor lombar (lombalgia) é um distúrbio incapacitante que afeta grande parte da população adulta em todo o mundo. Uma das principais causas é a degeneração e lesão do disco intervertebral (discopatia), que é caracterizada pela diminuição progressiva do conteúdo de proteoglicanos no núcleo pulposo, levando à desidratação do disco e à perda de suas propriedades morfofuncionais e biomecânicas.

As lesões dos discos intervertebrais normalmente caminham dentro do seguinte processo: degeneração do disco (perda de água), posteriormente ocorre lesão parcial com fissura e abaulamento do ânulo fibroso do disco intervertebral (protusão discal) e finalmente a ruptura total do ânulo fibroso e extravasamento do núcleo pulposo para o canal medular ou forame intervertebral, provocando compressão da medula e/ou nervos do seguimento herniado.

O tratamento da discopatia se baseia em procedimentos conservadores com medicação/fisioterapia. Quando a funcionalidade do paciente está muito comprometida, opta-se pelo procedimento invasivo para remoção do fragmento herniado e descompressão das estruturas nervosas. Embora os tratamentos conservador e cirúrgico possam retardar o processo de degeneração discal e aliviar os sinais e sintomas dos pacientes, esses tratamentos não são capazes de restaurar/regenerar as alterações degenerativas e lesões do disco. Portanto, outras formas terapêuticas para tentar reparar/regenerar o disco intervertebral estão sendo testadas e estudadas, como é o caso da terapia celular com células-tronco.

O que temos de evidência até o momento para o uso de célula-tronco nas discopatia?

Existem basicamente três tipos de célula-tronco: as totipotentes ou embrionárias, encontradas no embrião recém-formado com até quatro ou cinco dias de gestação (blastocisto), que têm a capacidade de se transformar em todos os tipos de células, incluindo placenta e anexos; as célula-tronco pluripotentes, encontradas no embrião com cinco à seis semanas de gestação, que são capazes de se transformarem em mais de 250 tipos de tecidos e as célula-tronco adulta ou multipotente, que são células que têm a capacidade limitada para se diferenciar em alguns tipos de tecidos.

Dentre as células-tronco adultas, existe a célula-tronco mesenquimal (CTM) que pode ser isolada de vários tipos de tecidos. As CTM podem diferenciar-se em diferentes tipos de células, principalmente aquelas de origem mesenquimal, como osso, cartilagem, músculo, bem como neurônios e células da glia. Além disso, as CTM também podem contribuir para o processo de reparação pela liberação de fatores de crescimento e proteínas para o meio extracelular, além de promoverem interações célula-célula no local da lesão.

Na lombalgia por discopatia as CTM foram testadas em estudos in vitro, in vivo com animais e com seres humanos. Em recente estudo publicado (Fase I) foi observado que a aplicação de CTM derivadas do tecido adiposo promoveu a reidratação dos discos e melhorou a sintomatologia de dor em parte dos pacientes submetidos ao tratamento ao longo de 12 meses de follow up (Kumar et al., 2017).

Entretanto, outros estudos (Kim, 2016; Wu et al., 2018), incluindo uma revisão sistemática, apontam para efeitos muito modestos no processo de regeneração do disco intervertebral e colocam a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados, cálculo amostral e metodologia mais adequada para confirmar a eficácia e segurança da aplicação de CTM nas discopatia. Os autores mencionam que pacientes que não responderam bem aos tratamentos tradicionais, potencialmente poderia ser indicado a terapia celular com CTM. Entretanto, o protocolo ideal permanece obscuro e a terapia celular ainda não é um tratamento padrão para nas lombalgias por discopatia.

Nos últimos anos, a terapia celular vem abrindo novas perspectivas para o tratamento de doenças crônico-degenerativas, como no caso da discopatia. Pesquisas têm sido realizadas acerca da terapia com célula-tronco, obtendo-se resultados animadores no que se refere ao tratamento dessas doenças. No Brasil, a utilização de células-tronco (uso autólogo) não manipuladas e/ou manipulação mínima foi regulamentada pela ANVISA (Resolução 214 de 2018). No entanto, ainda é necessário muita cautela. Ainda existem muitos fenômenos biológicos a serem investigados e esclarecidos sobre a utilização de célula-tronco, uma vez que, existem riscos potenciais inerentes à utilização dessa terapia, como a manipulação, armazenamento e transporte das células, à perda de controle da diferenciação celular, à migração para locais não desejados, à formação de tumores, entre outros.

Portanto, até o presente momento, a principal recomendação de tratamento e prevenção para os casos de lombalgia devido a discopatia está centrada em exercícios de alongamento. O ganho de força muscular da região lombar/abdominal, principalmente os músculos mais profundos, funcionariam como uma “cinta” protetora e estabilizadora para a coluna, o que pode retardar o processo de degeneração do disco intervertebral.

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Referências:

  • Dowdell J, Erwin M, Choma T, Vaccaro A, Iatridis J, Cho SK. Intervertebral Disk Degeneration and Repair. Neurosurgery. 2017 Mar 1;80(3S):S46-S54.
  • Kim KD. Stem Cells and Discogenic Low Back Pain. Spine (Phila Pa 1976). 2016 Apr;41 Suppl 7:S11-2.
  • Wu T, Song HX, Dong Y, Li JH. Cell-Based Therapies for Lumbar Discogenic Low Back Pain: Systematic Review and Single-Arm Meta-analysis. Spine (Phila Pa 1976). 2018 Jan 1;43(1):49-57.
  • Kumar H, et al. Safety and tolerability of intradiscal implantation of combined autologous adipose-derived mesenchymal stem cells and hyaluronic acid in patients with chronic discogenic low back pain: 1-year follow-up of a phase I study. Stem Cell Res Ther. 2017 Nov 15;8(1):262.
  • Gage FH. Mammalian neural stem cells. Science, v.287:1433-38, 2000.
  • Zago MA; Covas DT. Células-Tronco, a nova fronteira da medicina, São Paulo – Ed. Atheneu, 2006.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 214, DE 7 DE FEVEREIRO DE 2018; Publicada no DOU nº 36, de 22 de fevereiro de 2018.
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Um comentário

  1. Qual o tratamento fisioterápico (condutas e objetivos)?

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