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Manifestações otorrinolaringológicas na MIS-C relacionada à Covid-19 em pediatria

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Pesquisadores do Reino Unido concluíram que disfonia, disfagia e anosmia/hiposmia foram as manifestações otorrinolaringológicas mais comuns em uma pequena coorte de crianças com síndrome inflamatória multissistêmica (Pediatric Inflammatory Multisystem Syndrome –  MIS-C) associada temporalmente à Covid-19. O estudo Otolaryngologic Manifestations in Pediatric Inflammatory Multisystem Syndrome Temporally Associated With Covid-19 foi publicado no jornal JAMA Otolaryngology – Head & Neck Surgery.

Leia também: Suspeita de associação entre apendicite aguda, Covid-19 e MIS-C

Manifestações otorrinolaringológicas na MIS-C relacionada à Covid-19 em pediatria

Características do estudo

Foi realizado um estudo de coorte observacional exploratório unicêntrico com enfoque nas manifestações otorrinolaringológicas de pacientes pediátricos com idade igual ou inferior a 18 anos, entre 1º de abril e 22 de junho de 2020. Os pacientes atendiam à definição de caso para MIS-C, segundo o Royal College of Paediatrics and Child Health, que inclui:

  1. Uma criança apresentando febre persistente, inflamação (neutrofilia, proteína-C-reativa elevada e linfopenia) e evidência de disfunção de um único órgão ou de múltiplos órgãos (choque, distúrbio cardíaco, respiratório, renal, gastrointestinal ou neurológico) com características adicionais. Isso pode incluir crianças que preenchem os critérios completos ou parciais para a doença de Kawasaki;
  2. Exclusão de qualquer outra causa microbiana, incluindo sepse bacteriana, síndromes de choque estafilocócico ou estreptocócico, infecções associadas a miocardite, como enterovírus (aguardar os resultados dessas investigações não deve atrasar a busca de aconselhamento especializado);
  3. O teste de reação em cadeia da polimerase (PCR) para o vírus SARS-CoV-2 pode ser positivo ou negativo.

Os dados clínicos e demográficos dos pacientes foram recuperados por meio de revisão retrospectiva de prontuários eletrônicos e triagem telefônica de acompanhamento para manifestações otorrinolaringológicas. Este estudo foi limitado por ser um estudo unicêntrico e não multicêntrico.

Foram incluídos 50 pacientes pediátricos que atenderam à definição de caso de MIS-C, cuja idade média era de 10 anos. Destes 50 pacientes, 33 (66%) eram homens e 36 (72%) eram negros, asiáticos ou outra raça/etnia minoritária. O tempo mediano entre a apresentação aguda de MIS-C e a triagem de acompanhamento para manifestações otorrinolaringológicas foi de 60 dias.

Dos 50 pacientes, 12 (24%) tiveram resultados positivos nos testes de PCR para SARS-CoV-2, e 42 (84%) tiveram anticorpos imunoglobulina G positivos contra SARS-CoV-2 no teste sorológico. Além disso, 38 (76%) necessitaram de internação em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica e 18 (36%) evoluíram para ventilação mecânica. No total, 19 dos pacientes (38%) que realizaram rastreamento por telefone para manifestações otorrinolaringológicas necessitaram de um acompanhamento adicional com um otorrinolaringologista. Esses acompanhamentos foram necessários para manifestações otorrinolaringológicas, que foram mais comumente: disfonia, disfagia e anosmia/hiposmia e eram persistentes no momento da triagem de acompanhamento (15 pacientes [30%]) ou estavam significativamente presentes durante a apresentação aguda de MIS-C (4 pacientes [8%]).

Conclusões

Para os pesquisadores, taxas elevadas de manifestações otorrinolaringológicas, como disfonia, disfagia e anosmia/hiposmia, persistindo por mais de 6 semanas, justificam a triagem e a revisão do acompanhamento otorrinolaringológico para todas as crianças em recuperação de MIS-C. Existem várias explicações postuladas para as manifestações otorrinolaringológicas na população adulta com Covid-19 que são possíveis características etiológicas da síndrome. A disfonia, por exemplo, pode ser causada pelo envolvimento laríngeo do processo inflamatório das vias aéreas, levando a edema ou inflamação das pregas vocais. Há propostas de que os sintomas otorrinolaringológicos, como anosmia e disgeusia, são decorrentes de infecção preferencial do SARS-CoV-2 pelo epitélio nasal por meio da expressão da proteína da enzima de conversão da angiotensina-2.

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Segundo o artigo, acredita-se que a disfagia e a disfonia pós-intubação durante a pandemia de Covid-19 resultem de trauma orofaríngeo e laríngeo e fraqueza neuromuscular como consequência da não utilização prolongada de estruturas laríngeas durante a intubação de longo prazo. No entanto, mais estudos são necessários para identificar fatores associados ao paciente e à doença, como raça/etnia ou necessidade de intubação, que podem aumentar o risco de sequelas otorrinolaringológicas persistentes. Os pesquisadores concluem que, como as sequelas em longo prazo dessa doença são desconhecidas, é prudente que crianças com história de MIS-C sejam reavaliadas pela equipe de infectologistas em até 12 meses e encaminhadas à otorrinolaringologia para qualquer sintoma persistente.

Crianças são assintomáticas na maioria dos casos de Covid-19, mas o pediatra deve estar sempre atento à possibilidade de MIS-C, pois ela existe, e esse estudo nos mostra que mais sinais clínicos podem estar presentes também em longo prazo.

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Referências bibliográficas:

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