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Março Azul-Marinho: a cada hora duas pessoas morrem de câncer colorretal

Tempo de leitura: 3 min.

A cada hora cinco casos de câncer colorretal são diagnosticados e dois pacientes vêm a óbito, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Foram contabilizados 41.010 novos casos somente nestes primeiros meses de 2021. Essa incidência de casos representa um aumento de mais de 12% em relação ao índice anterior, de 2019.

“É o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres e em homens na região sudeste, desconsiderando os tumores de pele. O risco é de 19,64 casos novos para cada 100 mil homens e 19,03 para cada 100 mil mulheres”, revela Eric Pereira, gastroenterologista do Hospital Icaraí.

O câncer colorretal também é o terceiro em número de óbitos no país. Características brasileiras que têm aumentado nos últimos anos, como sobrepeso e alimentação rica em alimentos processados e carne vermelha, são alguns dos fatores de risco.

Se a tendência nos últimos anos da doença tem sido de aumento, o ano de 2021 possui um fator mais preocupante, que é o impacto da pandemia no diagnóstico dos diversos tipos de câncer.

Impacto da pandemia no câncer colorretal

Um estudo realizado pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein avaliou o impacto da pandemia da Covid-19 no tratamento e diagnóstico de casos de câncer. Foram analisados dados extraídos de prontuários eletrônicos para comparar os volumes de pacientes em um centro oncológico nos períodos de março a maio de 2019 e março a maio de 2020.

Na comparação entre os dois períodos houve 45% de cancelamentos de consultas e queda nos seguintes itens: 56,2% de novas visitas; 27,5% no número de pacientes submetidos a tratamento sistêmico intravenoso; e 57,4% no início de novos tratamentos.

“No geral, podemos destacar que houve uma diminuição significativa no número de pacientes submetidos a tratamento de câncer após a pandemia. Embora isso possa ser parcialmente superado por opções terapêuticas alternativas, como drogas antineoplásicas orais, pode ter havido impacto significativo nos resultados clínicos como início tardio do tratamento do câncer. No caso específico do câncer colorretal, para os pacientes menos sintomáticos ou com tumores em estágio inicial, atrasos de 30 dias ou um pouco mais possivelmente não pioram o prognóstico.

Leia também: ACSCC 2020: Como e quando realizar o screening de câncer colorretal?

No entanto, para pacientes sintomáticos ou com algum grau de desnutrição secundária à doença ou para aqueles com a doença já disseminada, o atraso no tratamento é catastrófico”, explica Sérgio Eduardo Alonso Araújo, líder da equipe que conduziu o estudo no Einstein, membro titular e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

Diagnóstico precoce

O câncer colorretal é um dos poucos tipos de tumor que podem ser prevenidos. Cerca de 90% dos casos originam de um pólipo, que é uma lesão causada pelo crescimento anormal da mucosa do intestino grosso.
Inicialmente, eles são pequenos e benignos, mas podem crescer e se tornarem malignos. Daí a importância de serem removidos através da colonoscopia.

“O risco aumenta com a idade, com doenças intestinais específicas e com história familiar de pólipo ou de câncer de intestino. Noventa por cento dos casos ocorrem após os 50 anos. Por isso, pessoas acima de 45 e 50 anos devem fazer colonoscopia preventiva, mesmo que não apresentem nenhum sintoma. O objetivo é encontrar o estágio precoce do tumor enquanto ainda é um pequeno pólipo benigno”, esclarece Eric Pereira.

O exame de sangue oculto nas fezes, mais barato e acessível à população, também é uma ferramenta que pode auxiliar no diagnóstico. Ele detecta a presença de sangue não visível a olho nu nas fezes e, caso seja encontrado sangue na amostra, a recomendação é realizar uma colonoscopia para investigação.

Entre os sintomas do câncer colorretal estão: sangue nas fezes, alterações dos hábitos intestinais, desconforto abdominal, cólica, dor na região anal, fraqueza, anemia e emagrecimento repentino.

Tratamentos

Atualmente, as opções de tratamentos para o câncer colorretal estão cada vez mais modernas e efetivas, aumentando as chances de cura. Tumores pequenos podem ser retirados por colonoscopia ou ressecções locais.

Já os maiores e em estados avançados contam com opções cirúrgicas, como laparoscopia, robótica ou cirurgias abertas, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Há ainda opções auxiliares de tratamento, como radioterapia e quimioterapia.

Dados da evolução natural do câncer colorretal sugerem que 1/3 dos casos terão recorrência após tratamento inicial, sendo que a maioria nos primeiros três anos e até 90% em até cinco anos. Por isso, alguns especialistas enfatizam a necessidade de tratamento quimioterápico adjuvante o mais breve possível após a cirurgia para remoção do tumor.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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