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Norte e no Nordeste têm maiores riscos de infecção e de mortalidade por Covid-19

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As regiões Norte e Nordeste do país apresentam maior risco de infecção e de mortalidade por Covid-19, segundo um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado no periódico PLOS ONE.

Foi realizada uma análise dos padrões espaciais de infecção e mortalidade pela doença em pequenas áreas do Brasil. Os dados utilizados foram do início da pandemia até julho de 2020. Os pesquisadores constataram que os riscos de maior mortalidade se concentram nas regiões Norte e no litoral do Nordeste, áreas onde há ainda maiores riscos de infecção entre os mais jovens.

O estudo ressalta que na região Sudeste também há localidades com maior risco de mortalidade, embora em menor grau. Outro achado relevante é que as mulheres têm maior risco de infecção, no entanto têm menores chances de vir ao óbito pela Covid-19.

virus causador da Covid-19

Idade, gênero e doenças preexistentes

Os três dos componentes considerados nesta análise, baseada em modelos estatísticos, foram a idade, o gênero e as doenças preexistentes. A faixa etária é um ponto primordial na discussão sobre a pandemia, segundo os autores, pois o perfil de óbitos está ligado à distribuição de população mais idosa.

No entanto, até julho de 2020, os autores perceberam que embora as regiões Sul e Sudeste tivessem populações mais idosas, a mortalidade por Covid-19 era mais elevada nas regiões Norte e Nordeste, onde também há um alto registro de histórico de mortalidade por doenças cardiovasculares.

“Isso indica que há inúmeras outras questões que vão além da idade, possivelmente critérios socioeconômicos, o que deixa o Norte e Nordeste com maior mortalidade”, avalia Everton Emanuel Campos de Lima, autor principal do estudo e professor da Unicamp.

Já em relação a infecções, é preciso ressaltar o fato de serem mais altas no Norte e no Nordeste as infecções atreladas a grupos de idades mais jovens.

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“O perfil de infecção nestas regiões está mais atrelado aos mais jovens e em piores condições socioeconômicas. Jovens mais infectados, pior acesso à saúde e questões econômicas fizeram com que esses lugares estourassem como grandes epicentros de mortalidade no Brasil. É o que se chama de uma combinação perversa”, pontua Everton Lima.

Embora o estudo se baseie nos dados de 2020, o professor da Unicamp indica que os resultados já apontavam para uma situação mais grave ocorrida no Norte, especialmente no estado do Amazonas.

Para Everton Lima fica um alerta sobre a falsa informação de que a pandemia mata apenas idosos. Os mais jovens, além de terem responsabilidade na taxa de contágio, também possuem comorbidades, o que os torna também suscetíveis.

“A despreocupação dos jovens é um problema, principalmente quando há motivações de gestores que ainda não estão levando a enfermidade muito a sério”, frisa o autor principal do estudo.

Mulheres se infectam mais, mas morrem menos

A pesquisa também evidencia que o risco de infecção é mais elevado para mulheres. Já a mortalidade é mais alta entre homens. Fatores culturais, sociais e laborais são apontados por Everton Lima como possíveis explicações.

“Possivelmente há um fator genético, mas há questões sociais que na literatura as mulheres buscam auxílio médico mais rápido; no caso do mercado de trabalho: as mulheres estão mais ligadas ao mercado informal e esse foi o mercado mais afetado pela pandemia”, avalia.

A pesquisa também tem como autores Ezra Gayawan (Universidade Federal de Tecnologia de Akure); Emerson Augusto Baptista (Universidade de Shanghai) e Bernardo Lanza Queiroz (Universidade Federal de Minas Gerais).

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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