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Novas recomendações sobre diagnóstico e tratamento do autismo

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Recentemente, a American Academy of Pediatrics (AAP) atualizou suas diretrizes de 2007 para identificação e manejo do transtorno do espectro autista (TEA) em crianças.

O TEA é um distúrbio comum do desenvolvimento neurológico, com prevalência relatada nos Estados Unidos de 1 em 59 crianças (aproximadamente 1,7%). O TEA influencia significativamente a vida das crianças afetadas e de suas famílias, pela necessidade de diversos serviços educacionais, de saúde e outros. Dessa forma, os prestadores de cuidados primários desempenham um papel crítico no diagnóstico e tratamento do TEA.

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Novas recomendações sobre autismo

As atualizações da AAP encontram-se listadas a seguir:

1. Diagnóstico no momento oportuno, identificação precoce e tratamento baseado em evidências

  • O diagnóstico de TEA é feito por uma avaliação clínica baseada nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition – DSM-5), incluindo histórico e observação de comportamentos característicos, de preferência usando abordagens padronizadas. Independentemente da idade, uma criança deve ter uma avaliação padronizada das habilidades psicoeducacionais, adaptativas e de linguagem, incluindo linguagem pragmática ou social;
  • Vigilância de desenvolvimento e comportamento deve ser realizada durante todas as visitas de triagem geral do desenvolvimento aos 9, 18 e 30 meses e triagem padronizada para TEA nas idades de 18 e 24 meses;
  • As crianças devem ser encaminhadas para avaliação diagnóstica quando houver risco aumentado de distúrbios do desenvolvimento (incluindo TEA) identificados por meio de triagem e/ou vigilância. A maioria das crianças com TEA terá outros problemas de desenvolvimento;
  • Os médicos devem responder adequadamente às preocupações familiares ou clínicas e aos resultados da triagem para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento. A intervenção para os déficits comunicativos, adaptativos e comportamentais associados ao TEA deve ocorrer assim que a necessidade se tornar evidente;
  • O pediatra precisa considerar distúrbios genéticos e neurológicos associados ao TEA. O conhecimento da etiologia da condição da criança pode ajudar a orientar o monitoramento de condições concomitantes, influenciar potencialmente as opções de terapia, ajudar as famílias a entender estimativas de risco de recorrência e ajudar os terapeutas a fornecer planos de intervenção comportamentais, educacionais, motores e de comunicação individualizados;
  • O prestador de cuidados primários deve estar ciente das comorbidades associadas mais frequentes, atuando através da vigilância e o gerenciamento dessas comorbidades no contexto de cuidados de rotina com encaminhamento apropriado para subespecialidades. Condições que geralmente ocorrem com o autismo incluem: distúrbios do sono, dificuldade de alimentação, sintomas gastrointestinais, convulsões e déficit de atenção/hiperatividade. O atendimento de rotina de crianças com autismo deve incluir a vigilância e o gerenciamento dessas condições.

2. Colaboração multidisciplinar

  • A atenção ao desenvolvimento de habilidades sociais deve ser abordada na escola, comunidade, saúde comportamental e ambiente familiar;
  • Crianças e jovens com TEA devem ter orientação antecipada para condições comuns, encaminhamento conforme necessidade para cuidados especiais e gerenciamento contínuo em seu lar;
  • Os cuidadores devem estar cientes dos desafios comportamentais comuns enfrentados por crianças e jovens com TEA e devem estar preparados para fornecer aconselhamento aos pais e tratamento inicial dos problemas do sono, recusa de alimentos e comportamentos perturbadores, com encaminhamento adequado para cuidados de saúde mental e subespecialidades, se necessário;
  • Para promover o bem-estar, as comunidades devem oferecer oportunidades para indivíduos com TEA para participar de atividades ativas inclusivas e atividades de lazer apropriadas. Os médicos devem educar as famílias sobre como administrar o TEA como uma condição crônica.

3. Planejamento do cuidado de adolescentes e transição para os sistemas de cuidados de pacientes adultos 

À medida em que os adolescentes com autismo se aproximam da idade adulta, o pediatra deve trabalhar com eles e suas famílias para ajudar a garantir uma transição suave para a assistência à saúde do adulto.

Leia também: Dia Mundial de Conscientização do Autismo: saiba como se manifesta o transtorno

4. Promover a tomada de decisões compartilhada com os pacientes com TEA e suas famílias

A tomada de decisão compartilhada exige que o profissional de saúde se envolva em um diálogo respeitoso e recíproco com o paciente e suas famílias para planejar e monitorar as opções de assistência.

5. Educação continuada para os provedores de cuidados pediátricos para apoiar um lar ciente das necessidades clínicas de crianças e jovens com TEA 

Todas as crianças e jovens com TEA devem ter um lar estruturado com uma fonte de cuidados acessíveis, colaborativos, culturalmente sensíveis, com conhecimento e com boa relação custo-benefício. Para melhor atender pacientes e famílias afetadas pelo TEA, o clínico deve estar familiarizado com questões relacionadas ao diagnóstico, condições médicas e comportamentais concomitantes e o impacto do TEA na família para fornecer esse suporte para esses pacientes.

6. Apoio à agenda nacional de pesquisa sobre serviços básicos e clínicos sobre TEA

A AAP apoia a abordagem atual adotada pelo Interagency Autism Coordinating Committee of the National Institutes of Health de incluir partes interessadas representativas no planejamento de uma agenda de pesquisa significativa. As partes interessadas incluem famílias e indivíduos afetados, cientistas, clínicos e agências de saúde pública.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Hyman SL, Levy SE, Myers SM, AAP COUNCIL ON CHILDREN WITH DISABILITIES, SECTION ON DEVELOPMENTAL AND BEHAVIORAL PEDIATRICS. Executive Summary:
    Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics. 2020;145(1): e20193448

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