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Novos critérios de Esclerose Múltipla – saindo do forno!

Tempo de leitura: 3 minutos.

Acabam de ser apresentados os novos critérios diagnósticos de Esclerose Múltipla (EM). A novidade era aguardada com expectativa pela comunidade médica que se dedica a esta área e foi revelada pelo painel internacional de especialistas no ECTRIMS, o maior congresso de Neuroimunologia do mundo, que aconteceu em Paris este mês. Esta nova revisão aperfeiçoa a última versão dos critérios de McDonald (2010) e inclui as seguintes mudanças:

  • O exame do líquor passa a se mais valorizado: em um quadro clínico-radiológico típico de EM, a presença de bandas oligoclonais (BOC) permite confirmar o diagnóstico desta condição desde o primeiro sintoma, mesmo sem a evidência de disseminação no tempo.
  • As lesões sintomáticas (cada uma das encontradas na ressonância que correspondem topograficamente a um sintoma ou sinal clínico) também passam a ser consideradas no cômputo, e não apenas as assintomáticas.
  • Lesões corticais também passam a ser consideradas como “disseminação no espaço”, e não mais apenas as lesões justacorticais.

O QUE MUDA COM ESTAS NOVIDADES?

Antes de tudo, vale dizer que estas propostas se referem apenas a pacientes com sintomas típicos, com lesões na ressonância magnética (RM) de morfologia e topografias típicas, sendo necessário ainda afastar hipóteses de diagnósticos diferenciais com um screening laboratorial, já que a EM é um diagnóstico de exclusão. Para uma visão geral deste assunto, leia nosso artigo sobre Esclerose Múltipla para não neurologistas.

Uma vantagem desta nova proposta refere-se à Síndrome Clínica Isolada (CIS), pacientes com apresentação inicial sugestiva de EM, mas que não possuem ainda todos os elementos clinico-radiológicos do diagnóstico evidente: nestes casos, os critérios de 2010 já permitiam fazer o diagnóstico com a presença de lesões captantes de contraste (novas) e lesões não captantes (antigas) – o que caracteriza a disseminação no tempo –; mas agora não é mais preciso aguardar este achado, de modo que apenas a presença de bandas oligoclonais já basta.

Isso amplia as possibilidades de diagnóstico, pois antes as BOC apenas falavam a favor da hipótese de EM, mas não permitiam o seu estabelecimento definitivo. Na prática, as BOC passam a funcionar como substitutos para a “disseminação no tempo”.

Ainda, vale comentar que, apesar de as lesões corticais terem ganhado importância, elas ainda não são facilmente visualizáveis nas protocolos de rotina nas RM.

OUTRAS QUESTÕES:

As lesões em nervo óptico continuam não sendo consideradas formalmente como topografia típica, embora houvesse expectativa deste anúncio, dada a sua relevância mostrada por estudos recentes.

Outra questão que se manteve: apenas uma lesão na região periventricular continua sendo suficiente para o diagnóstico nesta topografia, ao contrário do sugerido pelos achados do grupo MAGNIMS 2016, que apontava para a necessidade de três lesões.

Tudo o que foi mencionado acima refere-se à forma remitente-recorrente de EM, a mais frequente. As formas progressivas continuam semelhantes como na versão 2010, embora as lesões sintomáticas encontradas na RM também passam a ser consideradas.

Por fim, deve-se ressaltar que o diagnóstico de EM continua a ser clínico, exigindo do neurologista uma rigorosa síntese dos achados radiológicos e laboratoriais. Esta aplicação adequada dos critérios é essencial para se evitar erros de diagnóstico.

Aos que quiserem acompanhar este assunto, as novas determinações serão publicadas e discutidas futuramente em nome do autor A.J. Thompson (et al) e no momento encontram-se em fase de submissão para publicação.

Veja outros highlights deste congresso, em breve, aqui no Portal da PEBMED.

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Autor:

Referências:

  • New MS Diagnostic Criteria Will Allow Earlier Diagnosis – Medscape – Oct 27, 2017.

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